Os métodos anticonceptivos ou de controlo da natalidade permitem regular as gravidezes, tendo em conta os desejos do casal, e preparar uma maternidade e paternidade conscientes, contribuindo para o bem-estar individual e da família.
Existem diversos anticoncepcionais para o controlo da natalidade. A adopção de um método deve ser personalizada e ocorrer somente após o aconselhamento do médico assistente.
A escolha do método para planeamento familiar depende de:
- estilo de vida;
- idade;
- estado de saúde;
- factores culturais;
- nível socio-económico;
- número de filhos;
- grau de colaboração do companheiro ou marido;
- experiência contraceptiva anterior;
- preferências pessoais.
Existem os seguintes grupos de métodos anticonceptivos:
- Métodos naturais (calendário, temperaturas, muco cervical, coito interrompido);
- Métodos de barreira (preservativos feminino e masculino, diafragma, espumas, cremes e comprimidos vaginais espermicidas);
- Anticoncepção hormonal (oral, injectável, implantes);
- Dispositivo intra-uterino;
- Esterilização (feminina ou masculina);
- Contracepção de emergência (pílula do dia seguinte, DIU).
Antes de iniciar a vida sexual a mulher e o homem devem conhecer e escolher o método que mais se adequa, para que na altura da relação sexual estejam protegidos contra doenças sexualmente transmissíveis e possam evitar uma gravidez não desejada.
Também chamado planeamento familiar natural, estes métodos referem-se à abstinência do acto sexual no período fértil da mulher, ou seja, os dias em que pode engravidar. Para isso, é necessário compreender o ciclo menstrual, observar e registar os diversos sinais e sintomas relacionados com as alterações hormonais, que ocorrem regularmente todos os meses. Este conhecimento do funcionamento do corpo da mulher permite ao casal identificar e evitar o período fértil.
Para não ocorrer a gravidez é necessário que o óvulo e o espermatozóide não se encontrem. A mulher habitualmente liberta um óvulo dos ovários todos os meses, cerca de 12 a 16 dias antes do início da próxima menstruação. O óvulo pode sobreviver 2 dias e o espermatozóide até 5 dias dentro da mulher, o que condiciona na prática a um período fértil de 7 dias. Reconhecendo este tempo pode-se ter relações nos dias não férteis.
O planeamento familiar natural refere-se aos seguintes métodos: calendário, registo da temperatura corporal e as alterações do muco cervical. Podem ser usados individualmente ou em combinação, aumentando a sua eficácia.
A mulher deve registar pelo menos durante 6 meses as características do seu ciclo menstrual. O ciclo começa com o primeiro dia de menstruação e termina no dia antes da menstruação seguinte.
Para calcular o período fértil, subtrai-se 11 dias ao ciclo mais longo e 18 dias ao ciclo mais curto. O período de abstinência do acto sexual deverá ocorrer durante o período fértil.
Exemplo 1: ciclo regular de 28 dias
28-11 = 17
28-18 = 10
período fértil entre o 10º dia e o 17º dia, inclusive.
Exemplo 2: ciclos entre 25 e 30 dias
25 - 18 = 7
30 - 11 = 19
período fértil entre o 7º dia e o 19º dia, inclusive.
A temperatura basal do corpo da mulher (temperatura em repouso) sobe após a libertação do óvulo do ovário. Quando a ovulação ocorre, a mulher começa a segregar menos estrogeneos e mais progesterona, hormona responsável pela subida da temperatura. Considera-se que houve ovulação, quando durante 3 dias seguidos a temperatura se mantém mais alta (0,2-0,6º C) em relação aos dias anteriores. Admite-se, então, que o período fértil terminou.
A eficácia deste método depende do cuidado da medição e registo dos valores da temperatura. A mulher deve avaliar a temperatura do corpo no mesmo local (debaixo da língua, vagina ou recto), todos os dias à mesma hora, logo que acorda, antes de se levantar e ingerir qualquer alimento. Para esta finalidade, recomenda-se um termómetro de mercúrio com escala de alta definição (diferente dos termómetros comuns) ou electrónico, que permita verificar pequenas variações da temperatura.
É também preciso não esquecer que a temperatura do corpo pode ser alterada por outras razões para além da ovulação. Qualquer situação que possa mudar a temperatura do corpo, como uma infecção que se manifeste com febre, ou a toma de analgésicos muda a temperatura basal. Nestes casos, aconselha-se a ajuda do médico ou enfermeira de planeamento familiar para interpretar o gráfico das temperaturas.
Este método baseia-se no facto do fluido vaginal produzido à entrada do colo do útero mudar a sua consistência e quantidade durante o ciclo menstrual, em resposta às alterações das hormonas produzidas. No início do ciclo, o muco é escasso, espesso e turvo, tornando-se sucessivamente mais transparente, aquoso e elástico, à medida que se aproxima a ovulação. Nesta altura, o muco assemelha-se à consistência da clara de ovo crua, podendo ser mesmo distendido entre dois dedos, em cerca de 12 a 15 cm.
Após a ovulação, o fluido vaginal volta a ter o aspecto anterior (pouca quantidade e viscoso). Considera-se que a ovulação ocorreu no dia prévio à variação brusca das características do muco, correspondendo ao período fértil em que deve ser feita abstinência do acto sexual. Esta prática deve manter-se até 4 dias depois da mudança de muco, como margem de segurança, para evitar a gravidez. Admite-se que os dias em que não existe muco cervical são dias inférteis.
A combinação de métodos do calendário, temperatura basal do corpo e as alterações das características do muco, devem ser utilizadas, em conjunto, de forma a aumentar a eficácia do planeamento familiar natural. Pode demorar algum tempo até a mulher aprender a reconhecer os sinais ligados à ovulação, pelo que deve receber o conselho do seu médico assistente e da enfermeira de planeamento familiar, até identificar o seu padrão normal do ciclo menstrual.
A eficácia dos métodos naturais depende do cuidado e da motivação como são praticados. Quando utilizados em combinação e de forma correcta, respeitando a abstinência nos períodos férteis, atingem taxas de falência semelhantes aos métodos de barreira, cerca de 3%. No entanto, o insucesso aumenta com a inexperiência, demonstrada nos 13 a 20% de mulheres que engravidam no 1º ano de adopção dos métodos naturais.
O planeamento familiar natural é o método óbvio de escolha dos casais que por razões religiosas ou culturais, pretendem ter um controlo natural da sua fertilidade, sem qualquer interferência exógena. Este aspecto proporciona uma maior consciência do funcionamento do corpo da mulher, sem efeitos secundários nem riscos para a sua saúde. O custo é insignificante (o preço de um termómetro adequado!).
Os métodos naturais não conferem protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, e requerem abstinência do acto sexual em determinados dias do ciclo menstrual. Necessitam também de paciência e rigor na medição, observação e registo diário dos sinais que aparecem durante o ciclo. O planeamento familiar natural não está indicado em mulheres com períodos irregulares.
É a forma de contracepção que impede o contacto do esperma com a vagina e colo do útero, e deste modo, evita a possível fertilização de um óvulo após penetrar na cavidade uterina.
Os métodos de barreira são os preservativos masculino e feminino, o diafragma e espermicidas.
O preservativo masculino ou «Camisa de Vénus» é uma borracha fina, feita de látex, poliuretano ou de uma membrana natural, que quando reveste o pénis durante o acto sexual, impede o esperma de entrar na vagina. Deve ser colocado após apertar a ponta do preservativo (para tirar o ar) e só depois desenrolá-lo com o pénis em erecção, antes de ocorrer qualquer contacto com a vagina. Após a relação sexual, o homem deve retirar o pénis da vagina ainda em erecção e só depois remover o preservativo.
Qualquer contacto genital não protegido entre o casal, antes e depois da ejaculação do homem, pode levar uma imperceptível quantidade de esperma a entrar na vagina, que possui um meio facilitador para conduzir os espermatozóides a fertilizarem um óvulo. Cada preservativo está preparado para ser usado apenas uma vez
As taxas de insucesso variam conforme o grupo etário e o tempo de utilização deste método. Estudos apontam para uma variação de cerca de 3% em indivíduos experientes (mais de um ano de utilização) e 14% em casais mais jovens sem prática no seu uso.
Os erros mais comuns que levam à falência deste método contraceptivo são:
- aplicação de produtos para ajudar a lubrificação – qualquer tipo de óleo, loções, manteiga, margarina.
- rompimento do preservativo – com a unha, ou após fricção numa vagina pouco lubrificada.
- colocação incorrecta do preservativo – esquecimento em tirar o ar da ponta (reservatório) ou não desenrolar até à base do pénis em erecção.
Nos dias de hoje, a principal vantagem da sua utilização é a protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a Sindrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA). Não apresenta efeitos adversos, com a excepção rara nos indivíduos que são alérgicos ao látex. O acesso a este método contraceptivo é normalmente fácil e não necessita de receita médica.
A interferência com a relação sexual e a diminuição da sensibilidade sexual são os dois inconvenientes mais frequentemente referidos, que levam muitos casais a prescindirem deste seguro e eficaz método contraceptivo, quando usado correctamente.
O preservativo feminino tem a forma de uma manga, feita de poliuretano lubrificado, com um anel semi-rígido na extremidade fechada para se moldar ao fundo da vagina (colo do útero), e outro anel maior, de plástico flexível, na outra extremidade, para se fixar por fora dos lábios da vagina. Revestindo totalmente as paredes da vagina, o preservativo feminino actua como uma barreira, que impede o esperma de entrar em contacto com a vagina.
Existem poucos dados sobre a taxa de insucesso deste novo e ainda desconhecido preservativo. No entanto, alguns estudos apontam para uma eficácia semelhante aos outros métodos de barreira. Se utilizado correctamente a taxa de insucesso é de cerca de 5%, mas estima-se que a falência possa ser maior (cerca de 15%), porque a inserção adequada do preservativo feminino requer mais agilidade em relação aos outros métodos.
Para além da contracepção, este método de barreira oferece também a protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Em relação ao preservativo masculino de látex, o preservativo feminino feito de poliuretano, tem a vantagem de ser mais resistente a substâncias químicas utilizadas para aumentar a lubrificação, e à ruptura durante o acto sexual ou inserção do preservativo na vagina. Pode ser comprado sem receita médica e coloca a mulher no controlo da sua contracepção, sem efeitos adversos e riscos para a saúde.
A interferência com a relação sexual e a sua aparência pouco atractiva quando colocado na vagina são os dois inconvenientes mais frequentemente referidos pelos casais, que já utilizaram este método. O facto de ser um contraceptivo novo, que poucas mulheres conhecem e sabem como utilizá-lo correctamente, é também um inconveniente. É necessário assegurar que o pénis entra dentro do preservativo e não penetra no espaço entre este e a vagina. O preservativo feminino é mais caro que o masculino e também só podem ser utilizado uma vez.
O diafragma vaginal é uma borracha de látex, fina, circular em forma de cúpula que se adapta no fundo da vagina ao colo do útero com a ajuda de um aro. Actua como um dispositivo de barreira, que impede a subida dos espermatozóides para o interior do útero. Este método deve permanecer colocado pelo menos 6 horas após a relação sexual, para prevenir que algum espermatozóide mais persistente possa alcançar o colo do útero; e não se deve manter por mais de 24 horas.
Os diafragmas têm vários tamanhos e formas para se adaptar melhor ao colo do útero de cada mulher. Para isso, é necessário a avaliação de um médico, que avaliará a posição e dimensão do colo do útero, e aconselhará a medida adequada do diafragma. Se a mulher alterar em mais de três quilos o seu peso deve ser reavaliada porque pode precisar de mudar de diafragma.
O diafragma parece ser mais eficaz quando utilizado simultaneamente com outro método – espermicida – pelo que deve ser aplicado até 3 horas antes do acto sexual e sempre que a relação seja repetida.
Como acontece com os outros métodos de barreira, a eficácia deste método depende essencialmente da experiência e idade das utilizadoras. Mulheres novas e sem prática têm taxas de insucesso de cerca de 20%, enquanto as mais velhas e com traquejo no seu uso, as taxas descem para cerca de 5%. A associação de espermicidas aos preservativos e diafragmas resulta num aumento de eficácia destes métodos.
Ao contrário dos outros métodos de barreira, o diafragma não diminui a sensibilidade nem interfere com o acto sexual, porque pode ser colocado em qualquer altura, antes do início da actividade sexual. Sob o controlo da mulher, este método parece proporcionar protecção contra a doença inflamatória pélvica (infecção das trompas de Falópio), cancro do colo do útero e está praticamente isento de efeitos secundários e de riscos para a saúde.
Um diafragma está preparado para durar dois anos. No entanto, este deve ser regularmente controlado, procurando orifícios que ponham em causa a sua eficácia.
O maior inconveniente do diafragma é o difícil controlo quando colocado. Mesmo inserido correctamente, o diafragma pode deslocar-se durante o acto sexual sem a percepção do casal, comprometendo a sua eficácia. As mulheres que escolhem este método parecem ter um risco aumentado para adquirirem infecções urinárias, devido à acumulação de secreções e bactérias na vagina, que o diafragma condiciona.
Embora confira alguma protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, o diafragma é menos seguro que os outros métodos de barreira, pelo que não deve ser utilizado com esse objectivo.
Os espermicidas, constituídos por uma substância activa (nonoxynol) que também se encontra em preservativos lubrificados, actuam através da destruição da membrana dos espermatozóides na vagina. Podem apresentar-se sob a forma de óvulos, cremes, geles, espumas ou tampões. O intervalo entre a sua aplicação e a relação sexual não deve ultrapassar os 20 a 30 minutos, e um novo acto sexual requer uma aplicação adicional de espermicida.
Quando utilizado isoladamente, o espermicida tem uma eficácia baixa, cerca de 20%, o que leva a que este método deva ser associado a outros (preservativo e diafragma) para aumentar a eficácia da contracepção.
Análises sugerem que a substância activa (nonoxinol) actua também contra alguns agentes responsáveis pelas doenças sexualmente transmissíveis, nomeadamente a gonorreia e as doenças causadas pela clamydia. Também não existem efeitos secundários nem riscos para a saúde conhecidos pela utilização deste método.
Para além da baixa eficácia deste método, um dos inconvenientes mais comuns apontados pelos casais, é a interferência na relação sexual, uma vez que os espermicidas devem idealmente ser colocados 10 a 15 minutos antes do coito. Outro incómodo referido é o corrimento desagradável que aparece nas mulheres, quando os espermicidas se dissolvem.
Este método também não garante a protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, nomeadamente a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA).
Trata-se de um método muito eficaz e reversível para impedir a gravidez. As hormonas que são administradas actuam a diversos níveis (hipotálamo, hipófise, ovário, muco cervical e endométrio) contrariando o encontro natural entre um óvulo e um espermatozóide, e impedindo a fixação de um eventual ovo no útero.
A contracepção hormonal pode-se fazer por diversos meios, que dependem da forma de administração, da composição e doses de cada produto. Resumem-se às seguintes:
- Contraceptivos orais combinados e progestativos);
- Contraceptivos orais progestativos;
- Contraceptivos injectáveis;
- Implantes subcutâneos;
- Dispositivos intra-uterinos com progestativo.
As pílulas combinadas, como também são designadas, são constituídas por dois tipos de hormonas: estrogéneos e progestagéneos. A fracção estrogénica impede o desenvolvimento dos folículos (pequena vesícula do ovário que contém um óvulo), enquanto os prostagéneos bloqueiam a ovulação. O seu mecanismo de acção actua também a nível do endométrio (camada mais interna do útero), trompas e muco cervical, dificultando as condições locais para que haja uma gravidez, mesmo nos casos em que ocorre uma ovulação.
Em regra, deve-se iniciar a toma da pílula no 1º dia da menstruação. Nas pílulas combinadas (estrogéneo + progestativo) a mulher deve ingerir todos os dias um comprimido durante 21 dias. A toma deve ser interrompida por 7 dias, período durante o qual pode aparecer uma hemorragia semelhante à menstruação, mas habitualmente de menor intensidade. Reinicia-se novo ciclo de pílulas ao 8º dia, independentemente de surgir perda de sangue.
Ao mudar de uma pílula para outra de dosagem superior ou semelhante, a mulher deve começar com a nova pílula depois da paragem habitual de 7 dias. No entanto, se a mudança for para uma pílula de dosagem inferior, a mulher não deve fazer a habitual interrupção de 7 dias, reiniciando a nova pílula logo no dia seguinte. Em ambas as situações o casal não necessita de qualquer precaução adicional. A «dosagem equivalente» de uma pílula corresponde à quantidade de estrogéneos que a compõem, devendo a dose de 30 e 35 microgramas ser considerada semelhante.
A passagem de uma pílula só com progestagéneo (mini-pílula) para uma combinada (estrogéneo + progesterona), deve ser feita sem interrupção, isto é, logo no dia seguinte, coincidindo com o 1º dia da menstruação.
Quando há o esquecimento de uma pílula, esta deve ser tomada logo que se lembre da falta. Se tiver um atraso até 12 horas, só precisa de tomar imediatamente a pílula que foi esquecida e continuar como habitualmente, ingerindo a seguinte na altura prevista. Se passarem mais de 12 horas, deve igualmente tomar de imediato a pílula esquecida e tomar a próxima na altura normal. No entanto, nesta situação são necessárias outras precauções durante os 7 dias seguintes, usando um método contraceptivo associado (por exemplo, o preservativo). Deite fora qualquer outra pílula esquecida há mais de um dia.
Se restarem menos de 7 comprimidos, quando acabar o blister, inicie logo no dia seguinte novo ciclo de 21 pílulas , sem qualquer intervalo. Poderá nesta situação não haver hemorragia, o que não tem importância. Caso contrário, se houver 7 ou mais pílulas no blister, deixe o intervalo normal de 7 dias antes de começar novo ciclo.
Existem alguns medicamentos que devido ao seu mecanismo de acção interferem com as hormonas da pílula, perdendo a sua eficácia. Se tiver dúvidas em relação ao medicamento que anda a tomar, deve contactar o seu médico assistente. Segue-se uma lista de substâncias activas que podem interferir com a pílula, e que poderá encontrar na bula ou escrita na embalagem por baixo do nome comercial.
Medicamentos para o tratamento da epilepsia:
- barbitúricos, fenitoína, primidona, carbamazepina.
Medicamento para o tratamento de fungos:
Medicamento para o tratamento da tuberculose:
Existem também outros medicamentos designados por antibióticos de largo espectro (penicilina, neomicina e as tetraciclinas) que têm como possível efeito secundário a diminuição das hormonas da pílula, condicionando com a sua eficácia. Por isso, as mulheres a quem são prescritos esses fármacos devem ter cuidados contraceptivos adicionais desde o início do tratamento até 7 dias depois do seu fim.
Nas situações de vómito isolado (até 3 horas depois da ingestão da pílula) deve ser tomada outra pílula se pensa que não vai manter a indisposição. Em caso de diarreia continua ou manutenção dos vómitos, a mulher deve tomar precauções suplementares durante os sintomas, até 7 dias seguintes.
Esta é uma ideia errada. De facto, não existe qualquer vantagem em interromper a pílula, uma vez que as sucessivas paragens apenas contribuem para o desequilíbrio hormonal.
Se a contracepção oral continuar a ser o método apropriado e não surgir qualquer contra-indicação, a pílula deve apenas ser suspensa 4 semanas antes de uma cirurgia programada ou em outra condição em que se verifique uma imobilização prolongada.
Se a mulher desejar engravidar é aconselhado que aguarde pelo menos por uma menstruação espontânea (sem o efeito da pílula), de forma a permitir que o cálculo do tempo da gestação seja o mais correcto.
A elevada eficácia e segurança, a comodidade e a não interferência com a relação sexual são os principais benefícios da contracepção hormonal. O seu uso prolongado não diminui a fertilidade e proporciona à mulher um efeito protector em relação ao cancro do ovário e do endométrio. Estudos demonstraram que as mulheres que tomam a pílula combinada (composta por estrogéneos e progestativos) durante 4 anos têm menor probabilidade de desenvolver cancro do ovário e do endometrio.
Foi também provado o seu efeito preventivo em relação à doença benigna da mama e do ovário, e a sua acção terapêutica possível nas seguintes situações: menos dores menstruais (dismenorreia); diminuição das perdas de sangue, contribuindo assim para evitar a anemia; alívio dos sintomas da endometriose; melhoria da pele (acne) e diminuição do crescimento excessivo de pêlos no corpo (hirsutismo).
O contraceptivo progestativo (mini-pílula) tem a vantagem de poder ser utilizado nas mães que amamentam, e com segurança nas mulheres mais velhas com hábitos tabágicos. Os contraceptivos injectáveis também podem ser administrados durante a amamentação e têm o benefício de não interferir com a coagulação, tensão arterial ou com o fígado. Diminuem ainda o risco de doença inflamatória pélvica, cancro do útero e têm uma acção terapêutica na endometriose (presença de tecido uterino fora do útero e que pode provocar dores abdominais).
Alguns estudos sugerem algum risco de doenças do aparelho circulatório (enfartes e coágulos sanguíneos nas pernas) a longo prazo, nas mulheres que tomam a pílula combinada de alta dosagem. Estes potenciais riscos devem, por isso, ser ponderados antes da prescrição, tendo em conta as contra-indicações e as situações de risco. A pílula também não previne o contágio de doenças de transmissão sexual.
Para além da pílula ter que ser tomada diariamente, há ainda outras desvantagens, nomeadamente os possíveis efeitos secundários: náuseas (habitualmente nos primeiros dias), ganho de peso, aumento de volume dos seios, corrimento vaginal, diminuição da libido (apetite sexual) e dores de cabeça (cefaleias). Os contraceptivos injectáveis e implantes podem provocar irregularidades menstruais. É mais comum o aumento de peso com estes contraceptivos.
A pílula mais adequada deve ser prescrita após um exame médico que garanta a ausência de contra-indicações absolutas (indiscutíveis) para a sua administração.
Contra-indicações absolutas:
Gravidez;
Hipertensão arterial grave;
Dislipidémias graves;
Antecedentes de trombose venosa ou arterial;
Situações de risco de trombose: cardiopatias descompensadas, hemoglobinopatias (doença dos glóbulos vermelhos) e imobilização prolongada;
Hemorragia vaginal não esclarecida;
Enxaqueca (migraine focal);
Doença de fígado evolutiva (neoplasia ou hepatite crónica).
Contra-indicações relativas (que terão de ser ponderadas):
- Hábitos tabágicos;
- Hipertensão moderada;
- Diabetes Mellitus;
- Tratamentos que podem interferir com a eficácia da pílula como os medicamentos para tratamento da epilepsia e alguns antibióticos (rifampicina);
- Cefaleias intensas;
- Anemia de células falciformes ou drepanocitose.
A escolha da contracepção hormonal como método anticonceptivo, habitualmente administrado por um período longo, pressupõe uma vigilância médica regular e cuidada.
A avaliação médica deve incluir:
- História clínica para averiguação de contra-indicações relativas e absolutas;
- Exame mamário e ginecológico, com colpocitologia;
- Medição do peso e da tensão arterial (controlo anual);
Exame laboratorial – glicémia em jejum, colesterol (controlo 3 meses depois) e triglicerídeos.
Após 3 meses do início da pílula, deve ocorrer nova consulta, e posteriormente de 6 em 6 meses ou anualmente, dependendo da avaliação médica.
É uma pequena vareta de plástico, normalmente em forma de «T», que se acomoda internamente ao útero quando tolerado e introduzido correctamente por um profissional de saúde. O dispositivo está enrolado por um linha de cobre e fixa numa extremidade, um fio que se prolonga através do colo do útero até à vagina, onde pode ser controlado pela mulher e médico. Os últimos modelos de DIU são também constituídos por um reservatório de hormona (progesterona) que se liberta lentamente.
O funcionamento do DIU tem gerado controvérsia entre as comunidades científica e religiosa, devido ao mecanismo de acção deste método. Hoje em dia, pensa-se que o dispositivo age de diversas formas em conjunto, como resposta do organismo a um objecto estranho. Sabe-se que o DIU actua através da destruição dos espermatozóides pelos glóbulos brancos, que alteram também a estrutura do endométrio (revestimento interno do útero), de forma a impedir a implantação no útero de um eventual óvulo fecundado, evitando o começo de uma gravidez.
É a eventual acção sobre a fixação do ovo (óvulo fecundado pelo espermatozóide) que tem gerado polémica na sociedade, devido às diferentes concepções de gravidez. Enquanto a comunidade religiosa acredita que uma gestação se inicia na altura em que o espermatozóide e o óvulo se unem, a comunidade científica entende que uma gravidez só começa quando ocorre a implantação do ovo, no ambiente onde se irá desenvolver – o útero.
Este método está particularmente indicado para a mulher que já tenha tido filhos, que se esquece habitualmente de tomar a pílula e que não apresente risco aumentado de contrair uma infecção vaginal. A jovem sem filhos ou que ainda pretende engravidar não deve usar este método. As menstruações das mulheres que pretendem colocar o DIU não devem ser dolorosas e abundantes, porque este método tende a agravar estas manifestações.
As
contra-indicações indiscutíveis para a sua inserção são:
- Gravidez;
- Doença inflamatória pélvica activa ou recorrente;
- Suspeita de cancro uterino;
- Hemorragia vaginal não esclarecida;
- Anomalia da cavidade uterina;
- Doentes imunodeprimidos;
- Alergia ao cobre;
- Doença de Wilson (doença do fígado relacionada com o cobre).
As contra-indicações relativas (que terão de ser ponderadas) são:
- Gravidez ectópica anterior;
- Períodos muito intensos;
- Anemia;
- Um episódio de doença inflamatória pélvica;
- Corrimentos vaginais;
- Fibromas uterinos;
- Nulíparas (mulheres que nunca tiveram filhos);
- Doença das válvulas cardíacas;
- Medicação com corticosteróides.
O DIU é um dos métodos contraceptivos mais eficazes, com uma taxa de falência inferior a 1%, quando colocado correctamente e permanece no lugar. Esta eficácia aumenta com a idade. Mulheres com mais de 30 anos têm menos probabilidade de insucesso.
Para além da sua grande eficácia, o DIU é um método que não interfere com a relação sexual, nem requer da parte da mulher qualquer tipo de acção reguladora (como acontece com a pílula), para além da avaliação médica anual e verificação espaçada dos fios do DIU no fundo da vagina.
O DIU pode trazer alguns problemas na sua colocação, como seja a perfuração do útero (raro). Tal como a pílula, este método não protege o casal do contágio de doenças sexualmente transmissíveis, e pode ser um meio de contaminação para a infecção das trompas (salpingite ou doença inflamatória pélvica) que pode levar à infertilidade.
Outros problemas que podem surgir com o dispositivo:
- Períodos mais intensos e/ou prolongados e/ou dolorosos;
- Pequeno aumento do risco de gravidez ectópica;
- O DIU pode deslocar-se ou mesmo ser expulso por contracções uterinas (isto é mais frequente na altura da inserção)
A esterilização feminina é um método anticoncepcional habitualmente irreversível, e por isso, está indicado para casais que não pretendem ter mais filhos. Através de uma cirurgia designada por laqueação de trompas, estas podem ser queimadas, cortadas ou bloqueadas com anéis ou clips, impedindo que o óvulo saído do ovário entre em contacto com o espermatozóide.
Esta cirurgia pode ser feita por laparoscopia (um pequeno tubo é introduzido no abdomen) ou através de uma cirurgia «mais clássica», em que é feito um pequeno corte na «linha de biquini» denominado minilaparotomia (está mais indicado para mulheres obesas). Estes procedimentos são realizados sob anestesia local ou geral.
A taxa de falência deste método é de 1 a 3 por 1000 mulheres que utilizam o método.
Tem uma alta eficácia imediatamente após a cirurgia, e muito raramente há uma nova permeabilização espontânea das trompas. Por isso, a mulher deve estar convicta que não pretende voltar a ter mais filhos.
Para além de não interferir com a relação sexual, este método tem a importante vantagem de ser permanente e de grande eficácia.
Não protege o casal contra as doenças sexualmente transmissíveis. Habitualmente, não apresenta efeitos adversos, mas pode ocorrer uma gravidez ectópica (gravidez na trompa), como resultado da fecundação do óvulo na extremidade bloqueada da trompa. Estudos recentes revelaram que este método não é tão eficaz como se julgava. Isto acontece por dois motivos: a esterilização não foi realizada correctamente ou as extremidades cortadas uniram-se de novo, abrindo caminho à fertilização. Este método é uma desvantagem para aquelas mulheres que após esterilização desejam engravidar.
A contracepção de emergência é um método que permite prevenir uma gravidez quando se teve uma relação sexual sem utilizar contraceptivo ou se esse contraceptivo não funcionou bem (ruptura do preservativo, por exemplo).
O método utilizado com maior frequência é a pílula contraceptiva de emergência. Em certos casos, pode também ser utilizado um dispositivo intra-uterino de cobre. Todos os métodos de contracepção devem ser utilizados dentro de um período de tempo limitado após uma relação sexual não-protegida. Estes métodos são eficazes e não apresentam perigos para a maior parte das mulheres. O profissional de saúde poderá ajudar a escolher o método mais conveniente para cada caso.
As pílulas contraceptivas de emergência contêm as mesmas hormonas que certas pílulas contraceptivas normais mas são utilizadas de maneira diferente.
Dependendo do momento do ciclo menstrual em que se utilizam, estas pílulas contraceptivas de emergência ou interrompem a libertação do óvulo, ou impedem a fecundação do óvulo, ou impedem que o óvulo fecundado se fixe no útero. A gravidez apenas tem início quando o óvulo se fixa no útero. A partir desse momento, as pílulas contraceptivas de emergência já não tem qualquer efeito.
A primeira dose de pílulas contraceptivas de emergência deve ser tomada dentro das 72 horas (3 dias) que se seguem a uma relação sexual não protegida. Uma segunda dose deve ser tomada 12 horas após a primeira.
O tratamento não resulta em cerca de 2% das mulheres que o utilizam correctamente, sendo eficaz em 98%.
Se uma mulher utilizar frequentes vezes pílulas contraceptivas de emergência, o risco de ficar grávida é muito maior do que se utilizar contraceptivos vulgares.
As pílulas contraceptivas de emergência não são, pois, um substituto dos contraceptivos vulgares.
A maior parte das mulheres pode utilizar as pílulas contraceptivas de emergência sem risco. Os médicos receitam sem perigo pílulas contraceptivas de emergência desde meados da década de 70. É conveniente falar com um profissional de saúde para saber se existe alguma razão para não recorrer a este método.
As pílulas contraceptivas de emergência provocam muitas vezes efeitos secundários temporários, tais como náuseas e vómitos. Por vezes podem dar origem a cefaleias, vertigens, cãibras ou dores ao toque ou à palpação nos seios. Estes efeitos secundários, duma maneira geral, não têm uma duração superior a 24 horas.
Não há nada que indique imediatamente se as pílulas contraceptivas de emergência foram ou não eficazes.
A menstruação deverá aparecer na altura normal (ou alguns dias mais cedo ou mais tarde). Se se atrasar mais de uma semana é conveniente consultar o médico.
De acordo com os estudos disponíveis, não há qualquer razão para pensar que a gravidez será anormal ou que o feto será afectado de alguma maneira.
Nota importante
Se teve relações sexuais não protegidas depois de ter utilizado as pílulas contraceptivas de emergência, estas não lhe darão qualquer protecção. De seguida, deverá utilizar um método contraceptivo vulgar se quiser prevenir uma gravidez.
Utilizar apenas em caso de emergência
Os contraceptivos de emergência não devem ser utilizados de forma sistemática para prevenir uma gravidez. Os contraceptivos vulgares (preservativos, pílulas, contraceptivos injectáveis, dispositivos intra-uterinos, esterilização, etc.) são mais eficazes e provocam menos efeitos secundários. Se pretender mais informações sobre os contraceptivos vulgares ou se teve dificuldades com um determinado método, solicite a um profissional de saúde que a ajude a escolher um método que lhe convenha.
As pílulas contraceptivas de emergência não protegem contra a SIDA nem contra outras doenças sexualmente transmissíveis(DST), tais como sífilis, blenorragia, infecções por clamídia e herpes. Se tiver alguma dúvida, fale sobre o assunto com o seu médico e pergunte como se deve proteger futuramente.
O seu médico ou enfermeira poderá propor-lhe outros tipos de contracepção de emergência. Poderá também aconselhá-la sobre o método que mais lhe convém.
Tome 2 comprimidos com leite ou água, logo que possível, após uma relação sexual não protegida.
Escolha o momento da primeira toma, não esquecendo que deverá tomar a segunda dose de 2 comprimidos 12 horas mais tarde. Deverá tomar os comprimidos após uma refeição, mesmo que ligeira, para reduzir os riscos de náusea.
Importante:
Se decorrerem mais de 72 horas (3 dias) sobre a relação sexual não protegida, não deverá tomar pílulas contraceptivas de emergência. Consulte um profissional de saúde o mais rapidamente possível para estudar outras soluções.
- Se vomitar dentro de um período de 2 horas após a ingestão de uma das doses, deverá tomar 2 outros comprimidos o mais rapidamente possível. Se os vómitos se produzirem após a ingestão da primeira dose, deve tomar, apesar disso, a segunda dose 12 horas mais tarde (um profissional de saúde poderá fornecer-lhe pílulas suplementares).
- Para diminuir os riscos de náusea, deve tomar os comprimidos após uma refeição.
- Se vomitar mais de 2 horas após a ingestão de uma das doses, não se preocupe. O medicamento já está a actuar.
Os métodos anticonceptivos ou de controlo da natalidade permitem regular as gravidezes, tendo em conta os desejos do casal, e preparar uma maternidade e paternidade conscientes, contribuindo para o bem-estar individual e da família.
Existem diversos anticoncepcionais para o controlo da natalidade. A adopção de um método deve ser personalizada e ocorrer somente após o aconselhamento do médico assistente.
A escolha do método para planeamento familiar depende de:
- estilo de vida;
- idade;
- estado de saúde;
- factores culturais;
- nível socio-económico;
- número de filhos;
- grau de colaboração do companheiro ou marido;
- experiência contraceptiva anterior;
- preferências pessoais.
- Métodos naturais;
- Preservativo masculino;
- Esterilização masculina: vasectomia.
Também chamado planeamento familiar natural, estes métodos referem-se à abstinência do acto sexual no período fértil da mulher, ou seja, os dias em que pode engravidar. Para isso, é necessário compreender o ciclo menstrual, observar e registar os diversos sinais e sintomas relacionados com as alterações hormonais, que ocorrem regularmente todos os meses. Este conhecimento do funcionamento do corpo da mulher permite ao casal identificar e evitar o período fértil.
Para não ocorrer a gravidez é necessário que o óvulo e o espermatozóide não se encontrem. A mulher habitualmente liberta um óvulo dos ovários todos os meses, cerca de 12 a 16 dias antes do início da próxima menstruação. O óvulo pode sobreviver 2 dias e o espermatozóide até 5 dias dentro da mulher, o que condiciona na prática a um período fértil de 7 dias. Reconhecendo este tempo pode-se ter relações nos dias não férteis.
O planeamento familiar natural refere-se aos seguintes métodos: calendário, registo da temperatura corporal e as alterações do muco cervical. Podem ser usados individualmente ou em combinação, aumentando a sua eficácia.
A eficácia dos métodos naturais depende do cuidado e da motivação como são praticados. Quando utilizados em combinação e de forma correcta, respeitando a abstinência nos períodos férteis, atingem taxas de falência semelhantes aos métodos de barreira, cerca de 3%. No entanto, o insucesso aumenta com a inexperiência, demonstrada nos 13 a 20% de mulheres que engravidam no 1º ano de adopção de métodos naturais.
O planeamento familiar natural é o método óbvio de escolha dos casais que, por razões religiosas ou culturais, pretendem ter um controlo natural da sua fertilidade, sem qualquer interferência exógena. Este aspecto proporciona uma maior consciência do funcionamento do corpo da mulher, sem efeitos secundários nem riscos para a sua saúde. O custo é insignificante (o preço de um termómetro adequado!).
Os métodos naturais não conferem protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, e requerem abstinência do acto sexual em determinados dias do ciclo menstrual. Necessitam também de paciência e rigor na medição, observação e registo diário dos sinais que aparecem durante o ciclo. O planeamento familiar natural não está indicado em mulheres com períodos irregulares.
O preservativo masculino ou «Camisa de Vénus» é uma borracha fina, feita de látex, poliuretano ou de uma membrana natural, que quando reveste o pénis durante o acto sexual, impede o esperma de entrar na vagina. Deve ser colocado após apertar a ponta do preservativo (para tirar o ar) e só depois desenrolá-lo com o pénis em erecção, antes de ocorrer qualquer contacto com a vagina. Após a relação sexual, o homem deve retirar o pénis da vagina ainda em erecção e só depois remover o preservativo.
Qualquer contacto genital não protegido entre o casal, antes e depois da ejaculação do homem, pode levar uma imperceptível quantidade de esperma a entrar na vagina, que possui um meio facilitador para conduzir os espermatozóides a fertilizarem um óvulo. Cada preservativo está preparado para ser usado apenas uma vez.
As taxas de insucesso variam conforme o grupo etário e o tempo de utilização deste método. Estudos apontam para uma variação de cerca de 3% em indivíduos experientes (mais de um ano de utilização) e 14% em casais mais jovens sem prática no seu uso.
Os erros mais comuns que levam à falência deste método contraceptivo são:
- aplicação de produtos para ajudar a lubrificação - qualquer tipo de óleo, loções, manteiga, margarina.
- rompimento do preservativo – com a unha ou após fricção numa vagina pouco lubrificada.
- colocação incorrecta do preservativo – esquecimento em tirar o ar da ponta (reservatório) ou não desenrolar até à base do pénis em erecção.
Nos dias de hoje, a principal vantagem da sua utilização é a protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a Sindrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA). Não apresenta efeitos adversos, com a excepção rara nos indivíduos que são alérgicos ao látex. O acesso a este método contraceptivo é normalmente fácil e não necessita de receita médica.
A interferência com a relação sexual e a diminuição da sensibilidade sexual são os dois inconvenientes mais frequentemente referidos, que levam muitos casais a prescindirem deste seguro e eficaz método contraceptivo, quando usado correctamente
A esterilização masculina é também considerada um método irreversível, e por isso, apenas indicado para homens e casais convictos que não querem ter mais filhos. Este anticoncepcional é conseguido através de uma cirurgia designada por vasectomia, na qual são seccionados 2 pequenos tubos (canais deferentes) que transportam o esperma dos testículos para o pénis. Deste modo, não há espermatozóides no esperma quando o homem ejacula. Habitualmente esta cirurgia é feita sob anestesia local e dura cerca de 15 minutos.
Como acontece com a esterilização feminina, também a vasectomia não tem total eficácia. A muito baixa taxa de insucesso (cerca de 1%), deve-se essencialmente à reunião espontânea das extremidades cortadas do canal deferente.
Não interfere com a relação, nem com o desempenho sexual. É um método anticoncepcional permanente, que se consegue após uma cirurgia simples, sob anestesia local, e habitualmente sem efeitos adversos ou riscos para a saúde do homem.
Ao contrário da esterilização feminina, a vasectomia não é imediatamente eficaz após a cirurgia. São necessários por vezes 3 ou mais meses até que todos os espermatozóides desapareçam do canal deferente que ficou a juzante do corte. Enquanto isso não acontece o casal deverá utilizar outro método anticonceptivo até que existam 2 contagens de espermatozóides negativas. Este método é uma desvantagem para aqueles homens e casais que após esterilização desejam ter mais filhos.
Também chamado planeamento familiar natural, estes métodos referem-se à abstinência do acto sexual no período fértil da mulher, ou seja, os dias em que pode engravidar. Para isso, é necessário compreender o ciclo menstrual, observar e registar os diversos sinais e sintomas relacionados com as alterações hormonais, que ocorrem regularmente todos os meses. Este conhecimento do funcionamento do corpo da mulher permite ao casal identificar e evitar o período fértil.
Para não ocorrer a gravidez é necessário que o óvulo e o espermatozóide não se encontrem. A mulher habitualmente liberta um óvulo dos ovários todos os meses, cerca de 12 a 16 dias antes do início da próxima menstruação. O óvulo pode sobreviver 2 dias e o espermatozóide até 5 dias dentro da mulher, o que condiciona na prática a um período fértil de 7 dias. Reconhecendo este tempo pode-se ter relações nos dias não férteis.
O planeamento familiar natural refere-se aos seguintes métodos: calendário, registo da temperatura corporal e as alterações do muco cervical. Podem ser usados individualmente ou em combinação, aumentando a sua eficácia.
A mulher deve registar pelo menos durante 6 meses as características do seu ciclo menstrual. O ciclo começa com o primeiro dia de menstruação e termina no dia antes da menstruação seguinte.
Para calcular o período fértil, subtrai-se 11 dias ao ciclo mais longo e 18 dias ao ciclo mais curto. O período de abstinência do acto sexual deverá ocorrer durante o período fértil.
Exemplo 1: ciclo regular de 28 dias
28-11 = 17
28-18 = 10
período fértil entre o 10º dia e o 17º dia, inclusive.
Exemplo 2: ciclos entre 25 e 30 dias
25 - 18 = 7
30 - 11 = 19
período fértil entre o 7º dia e o 19º dia, inclusive.
A temperatura basal do corpo da mulher (temperatura em repouso) sobe após a libertação do óvulo do ovário. Quando a ovulação ocorre, a mulher começa a segregar menos estrogeneos e mais progesterona, hormona responsável pela subida da temperatura. Considera-se que houve ovulação, quando durante 3 dias seguidos a temperatura se mantém mais alta (0,2-0,6º C) em relação aos dias anteriores. Admite-se, então, que o período fértil terminou.
A eficácia deste método depende do cuidado da medição e registo dos valores da temperatura. A mulher deve avaliar a temperatura do corpo no mesmo local (debaixo da língua, vagina ou recto), todos os dias à mesma hora, logo que acorda, antes de se levantar e ingerir qualquer alimento. Para esta finalidade, recomenda-se um termómetro de mercúrio com escala de alta definição (diferente dos termómetros comuns) ou electrónico, que permita verificar pequenas variações da temperatura.
É também preciso não esquecer que a temperatura do corpo pode ser alterada por outras razões para além da ovulação. Qualquer situação que possa mudar a temperatura do corpo, como uma infecção que se manifeste com febre, ou a toma de analgésicos muda a temperatura basal. Nestes casos, aconselha-se a ajuda do médico ou enfermeira de planeamento familiar para interpretar o gráfico das temperaturas.
Este método baseia-se no facto do fluido vaginal produzido à entrada do colo do útero mudar a sua consistência e quantidade durante o ciclo menstrual, em resposta às alterações das hormonas produzidas. No início do ciclo, o muco é escasso, espesso e turvo, tornando-se sucessivamente mais transparente, aquoso e elástico, à medida que se aproxima a ovulação. Nesta altura, o muco assemelha-se à consistência da clara de ovo crua, podendo ser mesmo distendido entre dois dedos, em cerca de 12 a 15 cm.
Após a ovulação, o fluido vaginal volta a ter o aspecto anterior (pouca quantidade e viscoso). Considera-se que a ovulação ocorreu no dia prévio à variação brusca das características do muco, correspondendo ao período fértil em que deve ser feita abstinência do acto sexual. Esta prática deve manter-se até 4 dias depois da mudança de muco, como margem de segurança, para evitar a gravidez. Admite-se que os dias em que não existe muco cervical são dias inférteis.
A combinação de métodos do calendário, temperatura basal do corpo e as alterações das características do muco, devem ser utilizadas, em conjunto, de forma a aumentar a eficácia do planeamento familiar natural. Pode demorar algum tempo até a mulher aprender a reconhecer os sinais ligados à ovulação, pelo que deve receber o conselho do seu médico assistente e da enfermeira de planeamento familiar, até identificar o seu padrão normal do ciclo menstrual.
A eficácia dos métodos naturais depende do cuidado e da motivação como são praticados. Quando utilizados em combinação e de forma correcta, respeitando a abstinência nos períodos férteis, atingem taxas de falência semelhantes aos métodos de barreira, cerca de 3%. No entanto, o insucesso aumenta com a inexperiência, demonstrada nos 13 a 20% de mulheres que engravidam no 1º ano de adopção dos métodos naturais.
O planeamento familiar natural é o método óbvio de escolha dos casais que por razões religiosas ou culturais, pretendem ter um controlo natural da sua fertilidade, sem qualquer interferência exógena. Este aspecto proporciona uma maior consciência do funcionamento do corpo da mulher, sem efeitos secundários nem riscos para a sua saúde. O custo é insignificante (o preço de um termómetro adequado!).
Os métodos naturais não conferem protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, e requerem abstinência do acto sexual em determinados dias do ciclo menstrual. Necessitam também de paciência e rigor na medição, observação e registo diário dos sinais que aparecem durante o ciclo. O planeamento familiar natural não está indicado em mulheres com períodos irregulares.
Também chamado planeamento familiar natural, estes métodos referem-se à abstinência do acto sexual no período fértil da mulher, ou seja, os dias em que pode engravidar. Para isso, é necessário compreender o ciclo menstrual, observar e registar os diversos sinais e sintomas relacionados com as alterações hormonais, que ocorrem regularmente todos os meses. Este conhecimento do funcionamento do corpo da mulher permite ao casal identificar e evitar o período fértil.
Para não ocorrer a gravidez é necessário que o óvulo e o espermatozóide não se encontrem. A mulher habitualmente liberta um óvulo dos ovários todos os meses, cerca de 12 a 16 dias antes do início da próxima menstruação. O óvulo pode sobreviver 2 dias e o espermatozóide até 5 dias dentro da mulher, o que condiciona na prática a um período fértil de 7 dias. Reconhecendo este tempo pode-se ter relações nos dias não férteis.
O planeamento familiar natural refere-se aos seguintes métodos: calendário, registo da temperatura corporal e as alterações do muco cervical. Podem ser usados individualmente ou em combinação, aumentando a sua eficácia.
A eficácia dos métodos naturais depende do cuidado e da motivação como são praticados. Quando utilizados em combinação e de forma correcta, respeitando a abstinência nos períodos férteis, atingem taxas de falência semelhantes aos métodos de barreira, cerca de 3%. No entanto, o insucesso aumenta com a inexperiência, demonstrada nos 13 a 20% de mulheres que engravidam no 1º ano de adopção de métodos naturais.
O planeamento familiar natural é o método óbvio de escolha dos casais que, por razões religiosas ou culturais, pretendem ter um controlo natural da sua fertilidade, sem qualquer interferência exógena. Este aspecto proporciona uma maior consciência do funcionamento do corpo da mulher, sem efeitos secundários nem riscos para a sua saúde. O custo é insignificante (o preço de um termómetro adequado!).
Os métodos naturais não conferem protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, e requerem abstinência do acto sexual em determinados dias do ciclo menstrual. Necessitam também de paciência e rigor na medição, observação e registo diário dos sinais que aparecem durante o ciclo. O planeamento familiar natural não está indicado em mulheres com períodos irregulares.
É a forma de contracepção que impede o contacto do esperma com a vagina e colo do útero, e deste modo, evita a possível fertilização de um óvulo após penetrar na cavidade uterina.
Os métodos de barreira são os preservativos masculino e feminino, o diafragma e espermicidas.
O preservativo masculino ou «Camisa de Vénus» é uma borracha fina, feita de látex, poliuretano ou de uma membrana natural, que quando reveste o pénis durante o acto sexual, impede o esperma de entrar na vagina. Deve ser colocado após apertar a ponta do preservativo (para tirar o ar) e só depois desenrolá-lo com o pénis em erecção, antes de ocorrer qualquer contacto com a vagina. Após a relação sexual, o homem deve retirar o pénis da vagina ainda em erecção e só depois remover o preservativo.
Qualquer contacto genital não protegido entre o casal, antes e depois da ejaculação do homem, pode levar uma imperceptível quantidade de esperma a entrar na vagina, que possui um meio facilitador para conduzir os espermatozóides a fertilizarem um óvulo. Cada preservativo está preparado para ser usado apenas uma vez
As taxas de insucesso variam conforme o grupo etário e o tempo de utilização deste método. Estudos apontam para uma variação de cerca de 3% em indivíduos experientes (mais de um ano de utilização) e 14% em casais mais jovens sem prática no seu uso.
Os erros mais comuns que levam à falência deste método contraceptivo são:
- aplicação de produtos para ajudar a lubrificação – qualquer tipo de óleo, loções, manteiga, margarina.
- rompimento do preservativo – com a unha, ou após fricção numa vagina pouco lubrificada.
- colocação incorrecta do preservativo – esquecimento em tirar o ar da ponta (reservatório) ou não desenrolar até à base do pénis em erecção.
Nos dias de hoje, a principal vantagem da sua utilização é a protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a Sindrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA). Não apresenta efeitos adversos, com a excepção rara nos indivíduos que são alérgicos ao látex. O acesso a este método contraceptivo é normalmente fácil e não necessita de receita médica.
A interferência com a relação sexual e a diminuição da sensibilidade sexual são os dois inconvenientes mais frequentemente referidos, que levam muitos casais a prescindirem deste seguro e eficaz método contraceptivo, quando usado correctamente.
O preservativo feminino tem a forma de uma manga, feita de poliuretano lubrificado, com um anel semi-rígido na extremidade fechada para se moldar ao fundo da vagina (colo do útero), e outro anel maior, de plástico flexível, na outra extremidade, para se fixar por fora dos lábios da vagina. Revestindo totalmente as paredes da vagina, o preservativo feminino actua como uma barreira, que impede o esperma de entrar em contacto com a vagina.
Existem poucos dados sobre a taxa de insucesso deste novo e ainda desconhecido preservativo. No entanto, alguns estudos apontam para uma eficácia semelhante aos outros métodos de barreira. Se utilizado correctamente a taxa de insucesso é de cerca de 5%, mas estima-se que a falência possa ser maior (cerca de 15%), porque a inserção adequada do preservativo feminino requer mais agilidade em relação aos outros métodos.
Para além da contracepção, este método de barreira oferece também a protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Em relação ao preservativo masculino de látex, o preservativo feminino feito de poliuretano, tem a vantagem de ser mais resistente a substâncias químicas utilizadas para aumentar a lubrificação, e à ruptura durante o acto sexual ou inserção do preservativo na vagina. Pode ser comprado sem receita médica e coloca a mulher no controlo da sua contracepção, sem efeitos adversos e riscos para a saúde.
A interferência com a relação sexual e a sua aparência pouco atractiva quando colocado na vagina são os dois inconvenientes mais frequentemente referidos pelos casais, que já utilizaram este método. O facto de ser um contraceptivo novo, que poucas mulheres conhecem e sabem como utilizá-lo correctamente, é também um inconveniente. É necessário assegurar que o pénis entra dentro do preservativo e não penetra no espaço entre este e a vagina. O preservativo feminino é mais caro que o masculino e também só podem ser utilizado uma vez.
O diafragma vaginal é uma borracha de látex, fina, circular em forma de cúpula que se adapta no fundo da vagina ao colo do útero com a ajuda de um aro. Actua como um dispositivo de barreira, que impede a subida dos espermatozóides para o interior do útero. Este método deve permanecer colocado pelo menos 6 horas após a relação sexual, para prevenir que algum espermatozóide mais persistente possa alcançar o colo do útero; e não se deve manter por mais de 24 horas.
Os diafragmas têm vários tamanhos e formas para se adaptar melhor ao colo do útero de cada mulher. Para isso, é necessário a avaliação de um médico, que avaliará a posição e dimensão do colo do útero, e aconselhará a medida adequada do diafragma. Se a mulher alterar em mais de três quilos o seu peso deve ser reavaliada porque pode precisar de mudar de diafragma.
O diafragma parece ser mais eficaz quando utilizado simultaneamente com outro método – espermicida – pelo que deve ser aplicado até 3 horas antes do acto sexual e sempre que a relação seja repetida.
Como acontece com os outros métodos de barreira, a eficácia deste método depende essencialmente da experiência e idade das utilizadoras. Mulheres novas e sem prática têm taxas de insucesso de cerca de 20%, enquanto as mais velhas e com traquejo no seu uso, as taxas descem para cerca de 5%. A associação de espermicidas aos preservativos e diafragmas resulta num aumento de eficácia destes métodos.
Ao contrário dos outros métodos de barreira, o diafragma não diminui a sensibilidade nem interfere com o acto sexual, porque pode ser colocado em qualquer altura, antes do início da actividade sexual. Sob o controlo da mulher, este método parece proporcionar protecção contra a doença inflamatória pélvica (infecção das trompas de Falópio), cancro do colo do útero e está praticamente isento de efeitos secundários e de riscos para a saúde.
Um diafragma está preparado para durar dois anos. No entanto, este deve ser regularmente controlado, procurando orifícios que ponham em causa a sua eficácia.
O maior inconveniente do diafragma é o difícil controlo quando colocado. Mesmo inserido correctamente, o diafragma pode deslocar-se durante o acto sexual sem a percepção do casal, comprometendo a sua eficácia. As mulheres que escolhem este método parecem ter um risco aumentado para adquirirem infecções urinárias, devido à acumulação de secreções e bactérias na vagina, que o diafragma condiciona.
Embora confira alguma protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, o diafragma é menos seguro que os outros métodos de barreira, pelo que não deve ser utilizado com esse objectivo.
Os espermicidas, constituídos por uma substância activa (nonoxynol) que também se encontra em preservativos lubrificados, actuam através da destruição da membrana dos espermatozóides na vagina. Podem apresentar-se sob a forma de óvulos, cremes, geles, espumas ou tampões. O intervalo entre a sua aplicação e a relação sexual não deve ultrapassar os 20 a 30 minutos, e um novo acto sexual requer uma aplicação adicional de espermicida.
Quando utilizado isoladamente, o espermicida tem uma eficácia baixa, cerca de 20%, o que leva a que este método deva ser associado a outros (preservativo e diafragma) para aumentar a eficácia da contracepção.
Análises sugerem que a substância activa (nonoxinol) actua também contra alguns agentes responsáveis pelas doenças sexualmente transmissíveis, nomeadamente a gonorreia e as doenças causadas pela clamydia. Também não existem efeitos secundários nem riscos para a saúde conhecidos pela utilização deste método.
Para além da baixa eficácia deste método, um dos inconvenientes mais comuns apontados pelos casais, é a interferência na relação sexual, uma vez que os espermicidas devem idealmente ser colocados 10 a 15 minutos antes do coito. Outro incómodo referido é o corrimento desagradável que aparece nas mulheres, quando os espermicidas se dissolvem.
Este método também não garante a protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis, nomeadamente a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA).
Trata-se de um método muito eficaz e reversível para impedir a gravidez. As hormonas que são administradas actuam a diversos níveis (hipotálamo, hipófise, ovário, muco cervical e endométrio) contrariando o encontro natural entre um óvulo e um espermatozóide, e impedindo a fixação de um eventual ovo no útero.
A contracepção hormonal pode-se fazer por diversos meios, que dependem da forma de administração, da composição e doses de cada produto. Resumem-se às seguintes:
- Contraceptivos orais combinados e progestativos);
- Contraceptivos orais progestativos;
- Contraceptivos injectáveis;
- Implantes subcutâneos;
- Dispositivos intra-uterinos com progestativo.
As pílulas combinadas, como também são designadas, são constituídas por dois tipos de hormonas: estrogéneos e progestagéneos. A fracção estrogénica impede o desenvolvimento dos folículos (pequena vesícula do ovário que contém um óvulo), enquanto os prostagéneos bloqueiam a ovulação. O seu mecanismo de acção actua também a nível do endométrio (camada mais interna do útero), trompas e muco cervical, dificultando as condições locais para que haja uma gravidez, mesmo nos casos em que ocorre uma ovulação.
Em regra, deve-se iniciar a toma da pílula no 1º dia da menstruação. Nas pílulas combinadas (estrogéneo + progestativo) a mulher deve ingerir todos os dias um comprimido durante 21 dias. A toma deve ser interrompida por 7 dias, período durante o qual pode aparecer uma hemorragia semelhante à menstruação, mas habitualmente de menor intensidade. Reinicia-se novo ciclo de pílulas ao 8º dia, independentemente de surgir perda de sangue.
Ao mudar de uma pílula para outra de dosagem superior ou semelhante, a mulher deve começar com a nova pílula depois da paragem habitual de 7 dias. No entanto, se a mudança for para uma pílula de dosagem inferior, a mulher não deve fazer a habitual interrupção de 7 dias, reiniciando a nova pílula logo no dia seguinte. Em ambas as situações o casal não necessita de qualquer precaução adicional. A «dosagem equivalente» de uma pílula corresponde à quantidade de estrogéneos que a compõem, devendo a dose de 30 e 35 microgramas ser considerada semelhante.
A passagem de uma pílula só com progestagéneo (mini-pílula) para uma combinada (estrogéneo + progesterona), deve ser feita sem interrupção, isto é, logo no dia seguinte, coincidindo com o 1º dia da menstruação.
Quando há o esquecimento de uma pílula, esta deve ser tomada logo que se lembre da falta. Se tiver um atraso até 12 horas, só precisa de tomar imediatamente a pílula que foi esquecida e continuar como habitualmente, ingerindo a seguinte na altura prevista. Se passarem mais de 12 horas, deve igualmente tomar de imediato a pílula esquecida e tomar a próxima na altura normal. No entanto, nesta situação são necessárias outras precauções durante os 7 dias seguintes, usando um método contraceptivo associado (por exemplo, o preservativo). Deite fora qualquer outra pílula esquecida há mais de um dia.
Se restarem menos de 7 comprimidos, quando acabar o blister, inicie logo no dia seguinte novo ciclo de 21 pílulas , sem qualquer intervalo. Poderá nesta situação não haver hemorragia, o que não tem importância. Caso contrário, se houver 7 ou mais pílulas no blister, deixe o intervalo normal de 7 dias antes de começar novo ciclo.
Existem alguns medicamentos que devido ao seu mecanismo de acção interferem com as hormonas da pílula, perdendo a sua eficácia. Se tiver dúvidas em relação ao medicamento que anda a tomar, deve contactar o seu médico assistente. Segue-se uma lista de substâncias activas que podem interferir com a pílula, e que poderá encontrar na bula ou escrita na embalagem por baixo do nome comercial.
Medicamentos para o tratamento da epilepsia:
- barbitúricos, fenitoína, primidona, carbamazepina.
Medicamento para o tratamento de fungos:
Medicamento para o tratamento da tuberculose:
Existem também outros medicamentos designados por antibióticos de largo espectro (penicilina, neomicina e as tetraciclinas) que têm como possível efeito secundário a diminuição das hormonas da pílula, condicionando com a sua eficácia. Por isso, as mulheres a quem são prescritos esses fármacos devem ter cuidados contraceptivos adicionais desde o início do tratamento até 7 dias depois do seu fim.
Nas situações de vómito isolado (até 3 horas depois da ingestão da pílula) deve ser tomada outra pílula se pensa que não vai manter a indisposição. Em caso de diarreia continua ou manutenção dos vómitos, a mulher deve tomar precauções suplementares durante os sintomas, até 7 dias seguintes.
Esta é uma ideia errada. De facto, não existe qualquer vantagem em interromper a pílula, uma vez que as sucessivas paragens apenas contribuem para o desequilíbrio hormonal.
Se a contracepção oral continuar a ser o método apropriado e não surgir qualquer contra-indicação, a pílula deve apenas ser suspensa 4 semanas antes de uma cirurgia programada ou em outra condição em que se verifique uma imobilização prolongada.
Se a mulher desejar engravidar é aconselhado que aguarde pelo menos por uma menstruação espontânea (sem o efeito da pílula), de forma a permitir que o cálculo do tempo da gestação seja o mais correcto.
A elevada eficácia e segurança, a comodidade e a não interferência com a relação sexual são os principais benefícios da contracepção hormonal. O seu uso prolongado não diminui a fertilidade e proporciona à mulher um efeito protector em relação ao cancro do ovário e do endométrio. Estudos demonstraram que as mulheres que tomam a pílula combinada (composta por estrogéneos e progestativos) durante 4 anos têm menor probabilidade de desenvolver cancro do ovário e do endometrio.
Foi também provado o seu efeito preventivo em relação à doença benigna da mama e do ovário, e a sua acção terapêutica possível nas seguintes situações: menos dores menstruais (dismenorreia); diminuição das perdas de sangue, contribuindo assim para evitar a anemia; alívio dos sintomas da endometriose; melhoria da pele (acne) e diminuição do crescimento excessivo de pêlos no corpo (hirsutismo).
O contraceptivo progestativo (mini-pílula) tem a vantagem de poder ser utilizado nas mães que amamentam, e com segurança nas mulheres mais velhas com hábitos tabágicos. Os contraceptivos injectáveis também podem ser administrados durante a amamentação e têm o benefício de não interferir com a coagulação, tensão arterial ou com o fígado. Diminuem ainda o risco de doença inflamatória pélvica, cancro do útero e têm uma acção terapêutica na endometriose (presença de tecido uterino fora do útero e que pode provocar dores abdominais).
Alguns estudos sugerem algum risco de doenças do aparelho circulatório (enfartes e coágulos sanguíneos nas pernas) a longo prazo, nas mulheres que tomam a pílula combinada de alta dosagem. Estes potenciais riscos devem, por isso, ser ponderados antes da prescrição, tendo em conta as contra-indicações e as situações de risco. A pílula também não previne o contágio de doenças de transmissão sexual.
Para além da pílula ter que ser tomada diariamente, há ainda outras desvantagens, nomeadamente os possíveis efeitos secundários: náuseas (habitualmente nos primeiros dias), ganho de peso, aumento de volume dos seios, corrimento vaginal, diminuição da libido (apetite sexual) e dores de cabeça (cefaleias). Os contraceptivos injectáveis e implantes podem provocar irregularidades menstruais. É mais comum o aumento de peso com estes contraceptivos.
A pílula mais adequada deve ser prescrita após um exame médico que garanta a ausência de contra-indicações absolutas (indiscutíveis) para a sua administração.
Contra-indicações absolutas:
Gravidez;
Hipertensão arterial grave;
Dislipidémias graves;
Antecedentes de trombose venosa ou arterial;
Situações de risco de trombose: cardiopatias descompensadas, hemoglobinopatias (doença dos glóbulos vermelhos) e imobilização prolongada;
Hemorragia vaginal não esclarecida;
Enxaqueca (migraine focal);
Doença de fígado evolutiva (neoplasia ou hepatite crónica).
Contra-indicações relativas (que terão de ser ponderadas):
- Hábitos tabágicos;
- Hipertensão moderada;
- Diabetes Mellitus;
- Tratamentos que podem interferir com a eficácia da pílula como os medicamentos para tratamento da epilepsia e alguns antibióticos (rifampicina);
- Cefaleias intensas;
- Anemia de células falciformes ou drepanocitose.
A escolha da contracepção hormonal como método anticonceptivo, habitualmente administrado por um período longo, pressupõe uma vigilância médica regular e cuidada.
A avaliação médica deve incluir:
- História clínica para averiguação de contra-indicações relativas e absolutas;
- Exame mamário e ginecológico, com colpocitologia;
- Medição do peso e da tensão arterial (controlo anual);
Exame laboratorial – glicémia em jejum, colesterol (controlo 3 meses depois) e triglicerídeos.
Após 3 meses do início da pílula, deve ocorrer nova consulta, e posteriormente de 6 em 6 meses ou anualmente, dependendo da avaliação médica.
É uma pequena vareta de plástico, normalmente em forma de «T», que se acomoda internamente ao útero quando tolerado e introduzido correctamente por um profissional de saúde. O dispositivo está enrolado por um linha de cobre e fixa numa extremidade, um fio que se prolonga através do colo do útero até à vagina, onde pode ser controlado pela mulher e médico. Os últimos modelos de DIU são também constituídos por um reservatório de hormona (progesterona) que se liberta lentamente.
O funcionamento do DIU tem gerado controvérsia entre as comunidades científica e religiosa, devido ao mecanismo de acção deste método. Hoje em dia, pensa-se que o dispositivo age de diversas formas em conjunto, como resposta do organismo a um objecto estranho. Sabe-se que o DIU actua através da destruição dos espermatozóides pelos glóbulos brancos, que alteram também a estrutura do endométrio (revestimento interno do útero), de forma a impedir a implantação no útero de um eventual óvulo fecundado, evitando o começo de uma gravidez.
É a eventual acção sobre a fixação do ovo (óvulo fecundado pelo espermatozóide) que tem gerado polémica na sociedade, devido às diferentes concepções de gravidez. Enquanto a comunidade religiosa acredita que uma gestação se inicia na altura em que o espermatozóide e o óvulo se unem, a comunidade científica entende que uma gravidez só começa quando ocorre a implantação do ovo, no ambiente onde se irá desenvolver – o útero.
Este método está particularmente indicado para a mulher que já tenha tido filhos, que se esquece habitualmente de tomar a pílula e que não apresente risco aumentado de contrair uma infecção vaginal. A jovem sem filhos ou que ainda pretende engravidar não deve usar este método. As menstruações das mulheres que pretendem colocar o DIU não devem ser dolorosas e abundantes, porque este método tende a agravar estas manifestações.
As
contra-indicações indiscutíveis para a sua inserção são:
- Gravidez;
- Doença inflamatória pélvica activa ou recorrente;
- Suspeita de cancro uterino;
- Hemorragia vaginal não esclarecida;
- Anomalia da cavidade uterina;
- Doentes imunodeprimidos;
- Alergia ao cobre;
- Doença de Wilson (doença do fígado relacionada com o cobre).
As contra-indicações relativas (que terão de ser ponderadas) são:
- Gravidez ectópica anterior;
- Períodos muito intensos;
- Anemia;
- Um episódio de doença inflamatória pélvica;
- Corrimentos vaginais;
- Fibromas uterinos;
- Nulíparas (mulheres que nunca tiveram filhos);
- Doença das válvulas cardíacas;
- Medicação com corticosteróides.
O DIU é um dos métodos contraceptivos mais eficazes, com uma taxa de falência inferior a 1%, quando colocado correctamente e permanece no lugar. Esta eficácia aumenta com a idade. Mulheres com mais de 30 anos têm menos probabilidade de insucesso.
Para além da sua grande eficácia, o DIU é um método que não interfere com a relação sexual, nem requer da parte da mulher qualquer tipo de acção reguladora (como acontece com a pílula), para além da avaliação médica anual e verificação espaçada dos fios do DIU no fundo da vagina.
O DIU pode trazer alguns problemas na sua colocação, como seja a perfuração do útero (raro). Tal como a pílula, este método não protege o casal do contágio de doenças sexualmente transmissíveis, e pode ser um meio de contaminação para a infecção das trompas (salpingite ou doença inflamatória pélvica) que pode levar à infertilidade.
Outros problemas que podem surgir com o dispositivo:
- Períodos mais intensos e/ou prolongados e/ou dolorosos;
- Pequeno aumento do risco de gravidez ectópica;
- O DIU pode deslocar-se ou mesmo ser expulso por contracções uterinas (isto é mais frequente na altura da inserção)
A esterilização feminina é um método anticoncepcional habitualmente irreversível, e por isso, está indicado para casais que não pretendem ter mais filhos. Através de uma cirurgia designada por laqueação de trompas, estas podem ser queimadas, cortadas ou bloqueadas com anéis ou clips, impedindo que o óvulo saído do ovário entre em contacto com o espermatozóide.
Esta cirurgia pode ser feita por laparoscopia (um pequeno tubo é introduzido no abdomen) ou através de uma cirurgia «mais clássica», em que é feito um pequeno corte na «linha de biquini» denominado minilaparotomia (está mais indicado para mulheres obesas). Estes procedimentos são realizados sob anestesia local ou geral.
A taxa de falência deste método é de 1 a 3 por 1000 mulheres que utilizam o método.
Tem uma alta eficácia imediatamente após a cirurgia, e muito raramente há uma nova permeabilização espontânea das trompas. Por isso, a mulher deve estar convicta que não pretende voltar a ter mais filhos.
Para além de não interferir com a relação sexual, este método tem a importante vantagem de ser permanente e de grande eficácia.
Não protege o casal contra as doenças sexualmente transmissíveis. Habitualmente, não apresenta efeitos adversos, mas pode ocorrer uma gravidez ectópica (gravidez na trompa), como resultado da fecundação do óvulo na extremidade bloqueada da trompa. Estudos recentes revelaram que este método não é tão eficaz como se julgava. Isto acontece por dois motivos: a esterilização não foi realizada correctamente ou as extremidades cortadas uniram-se de novo, abrindo caminho à fertilização. Este método é uma desvantagem para aquelas mulheres que após esterilização desejam engravidar.
A contracepção de emergência é um método que permite prevenir uma gravidez quando se teve uma relação sexual sem utilizar contraceptivo ou se esse contraceptivo não funcionou bem (ruptura do preservativo, por exemplo).
O método utilizado com maior frequência é a pílula contraceptiva de emergência. Em certos casos, pode também ser utilizado um dispositivo intra-uterino de cobre. Todos os métodos de contracepção devem ser utilizados dentro de um período de tempo limitado após uma relação sexual não-protegida. Estes métodos são eficazes e não apresentam perigos para a maior parte das mulheres. O profissional de saúde poderá ajudar a escolher o método mais conveniente para cada caso.
As pílulas contraceptivas de emergência contêm as mesmas hormonas que certas pílulas contraceptivas normais mas são utilizadas de maneira diferente.
Dependendo do momento do ciclo menstrual em que se utilizam, estas pílulas contraceptivas de emergência ou interrompem a libertação do óvulo, ou impedem a fecundação do óvulo, ou impedem que o óvulo fecundado se fixe no útero. A gravidez apenas tem início quando o óvulo se fixa no útero. A partir desse momento, as pílulas contraceptivas de emergência já não tem qualquer efeito.
A primeira dose de pílulas contraceptivas de emergência deve ser tomada dentro das 72 horas (3 dias) que se seguem a uma relação sexual não protegida. Uma segunda dose deve ser tomada 12 horas após a primeira.
O tratamento não resulta em cerca de 2% das mulheres que o utilizam correctamente, sendo eficaz em 98%.
Se uma mulher utilizar frequentes vezes pílulas contraceptivas de emergência, o risco de ficar grávida é muito maior do que se utilizar contraceptivos vulgares.
As pílulas contraceptivas de emergência não são, pois, um substituto dos contraceptivos vulgares.
A maior parte das mulheres pode utilizar as pílulas contraceptivas de emergência sem risco. Os médicos receitam sem perigo pílulas contraceptivas de emergência desde meados da década de 70. É conveniente falar com um profissional de saúde para saber se existe alguma razão para não recorrer a este método.
As pílulas contraceptivas de emergência provocam muitas vezes efeitos secundários temporários, tais como náuseas e vómitos. Por vezes podem dar origem a cefaleias, vertigens, cãibras ou dores ao toque ou à palpação nos seios. Estes efeitos secundários, duma maneira geral, não têm uma duração superior a 24 horas.
Não há nada que indique imediatamente se as pílulas contraceptivas de emergência foram ou não eficazes.
A menstruação deverá aparecer na altura normal (ou alguns dias mais cedo ou mais tarde). Se se atrasar mais de uma semana é conveniente consultar o médico.
De acordo com os estudos disponíveis, não há qualquer razão para pensar que a gravidez será anormal ou que o feto será afectado de alguma maneira.
Nota importante
Se teve relações sexuais não protegidas depois de ter utilizado as pílulas contraceptivas de emergência, estas não lhe darão qualquer protecção. De seguida, deverá utilizar um método contraceptivo vulgar se quiser prevenir uma gravidez.
Utilizar apenas em caso de emergência
Os contraceptivos de emergência não devem ser utilizados de forma sistemática para prevenir uma gravidez. Os contraceptivos vulgares (preservativos, pílulas, contraceptivos injectáveis, dispositivos intra-uterinos, esterilização, etc.) são mais eficazes e provocam menos efeitos secundários. Se pretender mais informações sobre os contraceptivos vulgares ou se teve dificuldades com um determinado método, solicite a um profissional de saúde que a ajude a escolher um método que lhe convenha.
As pílulas contraceptivas de emergência não protegem contra a SIDA nem contra outras doenças sexualmente transmissíveis(DST), tais como sífilis, blenorragia, infecções por clamídia e herpes. Se tiver alguma dúvida, fale sobre o assunto com o seu médico e pergunte como se deve proteger futuramente.
O seu médico ou enfermeira poderá propor-lhe outros tipos de contracepção de emergência. Poderá também aconselhá-la sobre o método que mais lhe convém.
Tome 2 comprimidos com leite ou água, logo que possível, após uma relação sexual não protegida.
Escolha o momento da primeira toma, não esquecendo que deverá tomar a segunda dose de 2 comprimidos 12 horas mais tarde. Deverá tomar os comprimidos após uma refeição, mesmo que ligeira, para reduzir os riscos de náusea.
Importante:
Se decorrerem mais de 72 horas (3 dias) sobre a relação sexual não protegida, não deverá tomar pílulas contraceptivas de emergência. Consulte um profissional de saúde o mais rapidamente possível para estudar outras soluções.
- Se vomitar dentro de um período de 2 horas após a ingestão de uma das doses, deverá tomar 2 outros comprimidos o mais rapidamente possível. Se os vómitos se produzirem após a ingestão da primeira dose, deve tomar, apesar disso, a segunda dose 12 horas mais tarde (um profissional de saúde poderá fornecer-lhe pílulas suplementares).
- Para diminuir os riscos de náusea, deve tomar os comprimidos após uma refeição.
- Se vomitar mais de 2 horas após a ingestão de uma das doses, não se preocupe. O medicamento já está a actuar.
A menopausa é o período da vida da mulher em que os ovários param de funcionar e deixam de produzir estrogéneos , o que faz com que a mulher deixe definitivamente de ter menstruação e de poder engravidar.
A idade de aparecimento da menopausa não é igual para todas as mulheres, podendo variar desde os trinta e cinco aos cinquenta e oito anos. Embora não seja uma regra há alguma relação entre a idade de aparecimento da menopausa numa mulher e a idade em que a sua mãe teve a menopausa.
Apesar desta grande variabilidade, podemos considerar que a idade média de aparecimento da menopausa é aos cinquenta anos.
As mulheres a quem , por motivos de saúde , são retirados cirúrgicamente os ovários antes da menopausa, têm uma “menopausa cirúrgica“ mais precoce que a menopausa natural, mas que tem os mesmos efeitos sobre o organismo.
Não. Os ovários deixam de produzir estrogéneos de modo progressivo, ao longo de vários anos, durante um período a que se chama “Perimenopausa”. Nesta fase, que se inicia geralmente por volta dos quarenta anos de idade, a mulher começa a apresentar irregularidade menstrual devido à escassez de óvulos nos ovários, que acompanha a diminuição da produção de estrogéneos.
Durante este período mais ou menos longo que antecede a menopausa, além da irregularidade menstrual podem surgir já alguns sintomas, como alterações do fluxo menstrual (que se torna escasso ou muito abundante), alterações do humor alguns dias antes da menstruação (síndrome pré menstrual), dores de cabeça, insónia, secura vaginal, etc.
Não. A menopausa é um processo normal do organismo da mulher em que surgem sintomas relacionados com a falência de produção de estrogéneos pelos ovários que esgotam a sua capacidade ao fim de trinta a quarenta anos de funcionamento .
Alguns destes sintomas são incómodos, como sucede com os afrontamentos, as alterações do humor e a secura da vagina.
Embora seja um processo natural a menopausa provoca alterações que aumentam o risco de aparecimento de alguns problemas de saúde.
Os sintomas que a menopausa pode causar são:
- afrontamentos e suores nocturnos;
- dores durante as relações sexuais por atrofia e secura da mucosa da vagina
- incontinência urinária (dificuldade em segurar a urina) e infecções urinárias repetidas
- alterações do humor com instabilidade emocional, irritabilidade e depressão
- dificuldade de concentração e perturbações da memória
- insónia ou sono pouco reparador
- dores de cabeça
A intensidade e frequência destes sintomas varia de mulher para mulher, podendo alguns dos sintomas estar ausentes ou serem muito frequentes e incómodos.
A diminuição dos estrogéneos no organismo provoca alterações a nível do aparelho cardiovascular (coração, artérias e veias) e do esqueleto . Assim, as mulheres na menopausa têm maior risco de sofrer um acidente cardiovascular (enfarte do miocárdio) e de ter osteoporose (ossos mais frágeis por falta de cálcio) com possibilidade de fazer fracturas, por exemplo, do colo do fémur.
O diagnóstico da menopausa é fundamentalmente clínico, baseando-se na história da mulher e evolução dos seus ciclos menstruais. Considera-se que uma mulher está na menopausa quando na idade esperada não tem menstruação por um período superior a doze meses, sem que haja evidência de outras causas associadas.
O doseamento das hormonas no sangue pode contribuir para confirmar o diagnóstico de menopausa ou para avaliar outras causas de amenorreia (ausência de menstruação), mas não serve por si só para diagnosticar a menopausa dada a grande variabilidade desses resultados.
Quando uma mulher de meia idade deixa de ter menstruação deve esperar doze meses para se considerar efectivamente na menopausa, o que pode então ser confirmado por análises de sangue, devendo até esse momento utilizar métodos eficazes para evitar a gravidez .
Considerando que a menopausa não é uma doença mas um processo de evolução natural na vida da mulher, não há formas de a prevenir nem nenhum tratamento específico para ela. No entanto, é possível tratar os sintomas que lhe estão associados se são incómodos para a mulher, e prevenir o aumento dos factores de risco neste período da vida(doenças cardíacas e osteoporose).
A prevenção dos factores de risco na menopausa e o tratamento dos seus sintomas pode fazer-se de várias formas:
Tratamento farmacológico (uso de medicamentos)
- Terapêutica hormonal de substituição (THS)
A THS baseia-se na ingestão de hormonas de forma a compensar a diminuição de produção dessas mesmas hormonas pelo organismo, para reduzir os sintomas e prevenir os riscos que a sua falta provoca. As hormonas utilizadas na THS são os estrogéneos e a progesterona. Estas duas hormonas devem sempre utilizar-se associadas nas mulheres que ainda têm útero, porque o uso de estrogéneos isolados aumenta o risco de cancro do colo do útero (a progesterona protege desse risco). As mulheres que foram submetidas a uma histerectomia (cirurgia em que se retira o útero), podem fazer THS apenas com estrogéneos.
A THS pode fazer-se por via oral (pela boca) sob a forma de comprimidos, ou por via transdérmica (colocação periódica de um pequeno adesivo que contém as hormonas que são absorvidas através da pele). A THS tem benefícios e riscos que devem ser ponderados caso a caso, devendo esta avaliação ser feita em conjunto pela mulher (devidamente informada) e pelo seu médico assistente.
- Fitoestrogéneos
Os fitoestrogéneos são estrogéneos de origem natural , retirados de algumas plantas e utilizados na preparação de medicamentos naturais. Quando a mulher opta por medicamentos deste tipo deve ter presente que o facto de não serem produtos sintéticos não os torna isentos de riscos, devendo informar-se com o seu médico da eventual existência de contra indicações para o seu uso.
- Estrogéneos para uso local
Existem cremes de estrogéneos para aplicação na vagina, que têm como objectivo reduzir a secura vaginal evitando os problemas de dor vaginal, infecções repetidas e dor durante as reações sexuais (dispareunia).
Medidas dietéticas
Os hábitos alimentares a partir da perimenopausa e após a menopausa podem ajudar a prevenir a osteoporose , as doenças do coração e certos tipos de cancro. A alimentação deve ser pobre em gordura e rica em cálcio e em fibras.
A mulher deve ingerir diáriamente leite meio gordo ou magro e seus derivados (yogurt e queijo), comer mais peixe do que carne evitando as carnes vermelhas (carne de vaca e porco) e dar preferência aos vegetais , fruta e cereais integrais. Aguns alimentos como a soja fornecem estrogéneos de origem vegetal, sendo útil a inclusão de alimentos derivados da soja na dieta (tofu, leite de soja, granulado de soja, etc.).
Estilos de vida
Os hábitos de vida saudável tornam-se ainda mais importantes neste período da vida da mulher. A prática de exercício físico (por exemplo, caminhar ou correr) no mínimo duas a três vezes por semana ajuda a prevenir a osteoporose, a manter a flexibilidade muscular e a contribuir para o equilíbrio do humor.
A prática de actividades ao ar livre (contacto com a natureza), a manutenção de uma vida sexual activa, de contactos sociais regulares e de uma actividade profissional ou de hobbyes que interessem a mulher contribuem para o seu bem estar neste período em que , além das transformações físicas que o seu corpo atravessa, há modificações do seu ciclo de vida geradoras de stress, como a perda dos pais, a saída dos filhos de casa, a reforma ,etc.
Quando a mulher não tem problemas de saúde deve ser observada anualmente pelo seu médico para fazer um exame ginecológico, realizar uma colpocitologia (análise de células do colo do útero), uma mamografia , vigiar a tensão arterial e realizar algumas análises quando o médico considerar necessário. Se a mulher faz THS deve ser vigiada semestralmente (exame mamário e ginecológico).
Talvez. Esta questão tem sido muitas vezes levantada no que respeita à nossa indústria de entretenimento – dada a quantidade desproporcionada de conteúdos sexuais nos filmes e na televisão. Vemos o sexo ser usado para vender quase tudo, desde cosméticos a carros, e o sexo é muitas vezes a chave do enredo.
Estamos também obcecados com a juventude, e a procura do sexo pelos jovens adultos nas suas manifestações mais físicas é sempre retratada de forma exuberante e desproporcionada. Um estudo mostrou que, no horário nobre de televisão, um telespectador encontra em média e por hora 22 referências sexuais por cada alusão ao planeamento familiar ou à prevenção de doenças. Outro mostrou que, em média, existiam mais de oito interacções sexuais na «hora familiar» em televisão.
Tudo isto dá a impressão que todos se estão a divertir imenso com o sexo e têm poucos problemas – principalmente poucos problemas de saúde. No entanto, resultados publicados em 1994, apontam no sentido contrário: as relações sexuais na vida real não se assemelham muito ao sexo na televisão. Por exemplo, os americanos têm em média menos de cinco parceiros ao longo da vida, e têm de lidar com questões como doenças sexualmente transmissíveis (DSTS), gravidez indesejada ou não programada, bem como com problemas da função sexual, que podem impedir a pessoa de ter prazer na relação sexual ou de conceber um filho. Longe de estarmos demasiado preocupados com estes problemas, não lhes temos dado a devida atenção.
Sim, afectam um número substancial de pessoas. Tomemos como exemplo o caso das DSTs. Se considerarmos todos os indivíduos afectados pelas 10 doenças mais frequentes nos Estados Unidos, 87 por cento dos casos tratam-se de DSTs. Estima-se que a probabilidade de contrair uma DSTs durante a vida é de 1 em 4, e a taxa de incidência de muitas destas infecções é muito maior que em qualquer outra nação industrializada.
O problema da gravidez não programada tem um perfil semelhante. Ainda nos Estados Unidos, um milhão de adolescentes engravida anualmente e aproximadamente 40 por cento destas fazem um aborto. Cerca de metade destas gravidezes não são planeadas.
Nem sempre. Uma das DSTs mais comuns é, por exemplo, o herpes genital. Mais pessoas são infectadas entre os 25 e 35 anos do que entre os 15 e 25 anos. Outro exemplo: quarenta e dois por cento das mulheres que engravidam, com idades entre os 30 e os 34 anos, não o planearam.
Com isto não queremos negar o ponto principal, ou seja, que a saúde sexual é frequentemente esquecida pelos jovens e que os problemas de saúde sexual podem ser trágicos. Dos estimados doze milhões de novos casos de DSTs registados por ano nos Estados Unidos, três milhões encontram-se entre os adolescentes, e os jovens estão a aumentar cada vez mais as fileiras dos indivíduos infectados com doenças virais, como o herpes genital e as verrugas genitais.
A educação e o acesso aos cuidados de saúde são ambos factores críticos para que se consiga diminuir a taxa de gravidez nas adolescentes e, em geral, da gravidez não planeada. A educação sexual é insuficiente e, quando a fazemos, é muitas vezes no contexto da abstinência.
Olhemos os factos: quando questionados sobre a sua actividade sexual nos últimos 12 meses, um número significativo de homens e mulheres relataram um problema relacionado com o seu desempenho sexual; 24 por cento das mulheres, por exemplo, eram incapazes de alcançar um orgasmo com os seus parceiros; 17 por cento dos homens mostravam ansiedade quanto ao seu desempenho sexual; 15 por cento das mulheres tinham dor durante a relação sexual. E a lista continua...
Não queremos com isto sugerir que a sexualidade é apenas uma fonte de problemas. Na verdade, a maioria das pessoas, no geral, está perfeitamente satisfeita com as suas relações sexuais e não têm problemas médicos ou psicológicos importantes, relacionados com a sua saúde reprodutora ou sexual. De qualquer modo, a maioria de nós encontra provavelmente, ao longo da vida, alguns desafios à sua saúde sexual, muitos dos quais relacionados com as várias fases da vida – gravidez, paternidade, menopausa, entre outras.
No que diz respeito à função sexual, existem numerosos problemas que afectam o desempenho sexual da população, incluindo a depressão e doenças crónicas, como a diabetes. O recente lançamento de uma droga que ajuda os homens a ter erecções provocou o maior «boom» de vendas da história farmacêutica prova indiscutível de que esta é uma área em que muitos indivíduos e casais precisam de ajuda.
Essa é a tendência, apesar de ser mais gradual do que a maioria das pessoas pensa. Para os homens e mulheres nascidos entre 1933 e 1942, a idade média da primeira relação sexual era 18 anos. Para aqueles que nasceram 20 anos mais tarde, essa média era aproximadamente 6 meses mais cedo. No entanto, por outro lado, a actividade sexual dos adolescentes está a aumentar. O número de jovens a frequentar os últimos anos do liceu entre 1971 e 1988 e que tinham tido mais de um parceiro sexual aumentou aproximadamente 60 por cento.
Na verdade, existem factores quer biológicos quer culturais que entram em jogo nesta tendência. Devido a uma melhoria dos cuidados de saúde e da nutrição, as crianças atingem a puberdade mais cedo do que acontecia anteriormente. No início do século, as raparigas atingiam a puberdade com a idade média de 17 anos; actualmente atingem aos 11 anos. Do mesmo modo, a idade média do casamento também mudou.
Aproximadamente 80 por cento das pessoas nascidas entre 1933 e 1942 casaram quando tinham cerca de 27 anos, comparativamente com 50 por cento dos indivíduos nascidos 20 anos mais tarde. Isto faz com que, actualmente, a probabilidade de terem tido vários parceiros sexuais antes de «se instalarem» num casamento ou noutro relacionamento a longo prazo seja maior.
Com tudo o que vemos e pensamos acerca da promiscuidade existente na sociedade, é notável que 16 por cento dos homens e 20 por cento das mulheres ainda permaneçam virgens até ao casamento. Saber se a opção pela a abstinência sexual até à assunção de uma relação mais duradoura revela a melhor escolha é muito discutível, uma vez que, normalmente, a decisão prende-se mais com valores religiosos e culturais do que propriamente com uma questão de saúde.
É inquestionável que a abstinência sexual até ao casamento é a melhor forma de o casal evitar doenças sexualmente transmissíveis. Em todo o caso, é importante reconhecer que a saúde sexual não se resume a evitar doenças; a capacidade de gostar do próprio corpo e exprimir amor e intimidade de formas mutuamente satisfatórias é igualmente importante.
Não necessariamente, mas esta tendência apresenta, obviamente, alguns problemas. Para além das taxas de DSTs e de gravidez na adolescência já mencionadas, existem também problemas psicológicos. A motivação para iniciar uma vida sexual activa nem sempre é clara. Em alguns estudos efectuados, mais de metade das raparigas adolescentes disseram não querer ter relações sexuais na primeira vez, mas, no entanto, acabaram por as ter. Estamos agora a descobrir que o mesmo acontece com um número crescente de rapazes.
O clássico modelo duplo coloca as nossas crianças numa posição estranha. O heroísmo sexual – mesmo promiscuidade – é considerado desejável num homem jovem, mas a virgindade ou «pureza» é ainda uma qualidade desejada nas mulheres jovens. No entanto, as mesmas mulheres jovens têm de competir pela atenção dos rapazes como uma medida de auto-estima, muitas vezes tendo que recorrer ao sexo, não por desejo, mas por pressão dos seus colegas.
Este contexto social não ajuda os nossos jovens a desenvolver um conceito saudável de sexualidade, que assenta no respeito mútuo e na capacidade de expressar intimidade sem violar os seus próprios valores. Para alcançar este objectivo necessitamos de criar um diálogo mais informado e mais inteligente sobre vários temas de saúde sexual.
Uma conceito saudável de sexualidade começa cedo. Segundo vários especialistas comportamentais, os pais devem começar a abordar a questão do sexo quando a criança pergunta ou quando o assunto surge numa conversa. Na abordagem muitas vezes recomendada hoje em dia, a informação sobre sexo não é transmitida sob a forma de uma sessão formal pai-filho, que costumávamos considerar «a conversa», mas sim sob a forma de uma longa série de conversas quotidianas.
Quando os pais evitam o tema, as crianças tendem a ficar com a ideia de que a sexualidade é realmente uma coisa da qual devem ter vergonha – ou, pelo menos, algo de que não devem falar com a mãe ou com o pai. Uma abordagem aberta, pelo contrário, cria supostamente um sentimento de que o desenvolvimento sexual é uma parte normal do crescimento – e que os pais podem ser uma boa fonte de informação e orientação em relação a tudo, desde os sentimentos iniciais de atracção e amor até às decisões sobre a saúde reprodutora.
Muitas das provas existentes apontam no sentido contrário. Está demonstrado que os jovens que discutem assuntos relacionados com a sexualidade com os pais têm maior probabilidade de adiar o início das relações sexuais e de usar contraceptivos, quando se tornam sexualmente activos.
Na verdade, os pais são os primeiros professores de educação sexual dos seus filhos, quer mencionem ou não a palavra. As impressões que os pais transmitem aos filhos através da imagem corporal, do afecto físico, da orientação sexual e da privacidade são o início da consciência sexual.
As oportunidades que os pais têm não são, no entanto, ilimitadas. Como um estudo demonstrou em 1997, a maioria das crianças entre os 10 e os 12 anos consideram os seus pais como uma fonte de informação importante em vários temas, incluindo o sexo e a SIDA. No entanto, os adolescentes mencionam mais os amigos que os pais. Isto demonstra a importância do início precoce da educação sexual em casa.
Este é um tema bastante controverso sobre o qual tem havido grande debate.
Acreditamos que os programas escolares podem ter um papel positivo. E, apesar do que possam dizer, nesta altura parece esmagadoramente claro que a tendência para o aumento da actividade sexual na adolescência ocorreu apesar da formação sexual, relativamente insuficiente, dada na sala de aula.
Estima-se, por exemplo, que, na altura em que termina o 12º ano, o jovem já esteve exposto a cerca de 1000 horas curriculares na escola. Desde tempo, só uma fracção é dedicada à educação para a saúde em geral, e a sexualidade é muitas vezes abordada em menos de uma semana. De facto, menos de 10% das crianças em idade escolar têm educação sexual.
Em comparação, os finalistas do ensino secundário já viram 15 000 a 20 000 horas de televisão. Muitos estudos demonstraram que o conteúdo sexual da televisão representa uma parte importante do que passa por educação sexual e algumas pesquisas indicam que a TV é a fonte principal de informação sobre a sexualidade dos adolescentes.
Já mencionámos a grande ênfase colocada no conteúdo sexual na televisão, e tem sido também documentado, por cientistas comportamentais, o impacto que os media, como a música popular, filmes e revistas, têm no desenvolvimento sexual dos adolescentes. O consenso entre muitos investigadores é que todos estes meios de comunicação social glorificam o sexo de forma excessiva e, em particular, sexualizam as raparigas induzindo-as a julgarem-se pela sua aparência em vez de pela forma como pensam, sentem ou resolvem os problemas.
Num estudo realizado há algum tempo, as raparigas adolescentes queixaram-se que existia demasiado sexo na televisão. Mesmo as raparigas pré-adolescentes sentiam demasiada pressão para parecerem sexy.
A fixação na imagem corporal, incentivada pela exposição dos adolescentes a uma média de 20 000 anúncios televisivos por ano, cria pressões especiais nas raparigas que se manifestam de várias formas. Num estudo em que foram analisados a TV, os filmes e as revistas, verificou-se que era dada uma ênfase dramática à aparência física, e as mulheres apresentavam uma probabilidade duas a três vezes superior de fazerem ou receberem comentários acerca da sua aparência quando comparadas com os homens.
Para além disto, o padrão de atracção para as mulheres centra-se num modelo de corpo que, na melhor das hipóteses, se pode considerar invulgar. Mais de metade dos rapazes e cerca de dois terços das raparigas dizem que as mulheres que vêem na televisão são mais elegantes do que as mulheres que observam no dia-a-dia, enquanto os homens são retratados de um modo mais realista.
Talvez este não devesse ser um facto surpreendente, quando em média as modelos têm um metro e oitenta de altura e pesam 50 Kg – 13 cm mais altas e 14,5 Kg mais magras que a média das mulheres. As consequências nas raparigas podem envolver não apenas problemas emocionais, mas também problemas de saúde: cerca de 31 por cento das raparigas de nove anos de idade acham-se muito gordas, e 11 por cento das estudantes do liceu têm perturbações de ordem alimentar.
Nem por isso. A mesma influência poderosa pode e às vezes é aplicada numa direcção mais positiva. Um número cada vez maior de programas – tanto para audiência geral como dirigidos para a juventude – retratam as mulheres pela sua capacidade e eficácia no trabalho e pelo seu talento, tanto como pelo seu aspecto.
Várias organizações preocupadas com a saúde sexual trabalham actualmente com produtores, argumentistas, directores e outros profissionais, no sentido de desenvolverem representações mais realistas e mais positivas dos relacionamentos sexuais.
Os meios de comunicação social são certamente capazes de abrir os nossos olhos para assuntos prementes da sexualidade, como é evidenciado pelas bem sucedidas campanhas de consciencialização da SIDA realizadas nos anos 80.
A orientação ou identidade sexual refere-se à maneira como as mulheres e os homens identificam as suas mais profundas atracções sexuais. Em sentido lato, a atracção por uma pessoa do mesmo sexo é denominada de homossexualidade, e a atracção por uma pessoa do sexo oposto de heterossexualidade. Embora estas sejam categorias predominantes na nossa sociedade, é largamente reconhecido que alguns indivíduos se sentem atraídos sexualmente por ambos os sexos, uma orientação que é referida como bissexualidade.
0 investigador Alfred Kinsey, nos seus estudos pioneiros, introduziu como modelo teórico um contínuo da orientação sexual que permitiu explicar o facto de alguns de nós se sentirem atraídos apenas pelo sexo oposto, outros apenas pelo mesmo sexo e ainda alguns, em graus variáveis, por ambos os sexos. O contínuo de Kinsey ajudou a abrir caminho para uma visão menos monolítica da orientação sexual, em que tanto a homossexualidade como a heterossexualidade são encaradas como parte da esfera da sexualidade humana.
A Escala de Kinsey
= Exclusivamente heterossexual
1 = Predominantemente heterossexual, homossexual apenas incidentalmente
2 = Predominantemente heterossexual, mas homossexual mais que incidentalmente
3 = Igualmente heterossexual e homossexual
4 = Predominantemente homossexual, mas heterossexual mais que incidentalmente
5 = Predominantemente homossexual, heterossexual apenas incidentalmente
6 = Exclusivamente homossexual
Foi recentemente sugerido que estas tendências podem alterar-se com o tempo, com pessoas exprimindo tendências bissexuais numa dada altura das suas vidas e heterossexualidade ou homossexualidade noutra.
Os estudos sugerem que a orientação sexual é largamente uma função biológica. Existe por exemplo um estudo realizado com gémeos separados à nascença em que ambos revelaram ser homossexuais apesar de terem crescido em ambientes totalmente diferentes. Para além disso, os geneticistas localizaram um gene que está alegadamente ligado à homossexualidade masculina, e alguns neurocientistas acreditam que existem diferenças no cérebro que podem explicar a base psicológica da orientação sexual.
Este campo de investigação continua em exploração, e é possível que também existam provas de influências culturais. No entanto, em estudos comportamentais, muitos homens e mulheres homossexuais referiram ter um sentido claro da atracção pelo mesmo sexo numa idade muito precoce. Adicionalmente, as crianças educadas por pais do mesmo sexo têm a mesma probabilidade de ter orientação homossexual que as crianças educadas por um homem e uma mulher.
As atitudes perante a bissexualidade são um caso interessante. Alguns indivíduos preferem pensar que uma pessoa tem de ser ou homossexual ou heterossexual e que qualquer pessoa que se considere bissexual está a fazer uma escolha para satisfazer algo que não tem base fisiológica. Mas, como a Escala de Kinsey sugere, algumas pessoas encontram-se fortemente atraídas por ambos os sexos e relatam sentimentos de frustração pelas normas sociais que caracterizam este comportamento como uma opção auto-indulgente ou deliberadamente rebelde.
Segundo os especialistas em comportamento sexual, até ao momento, nenhum estudo conseguiu dar uma resposta totalmente credível. Um estudo revelou que menos de 5 por cento dos homens e mulheres identificaram-se como sendo bissexuais ou homossexuais. Em percentagens ligeiramente superiores, os indivíduos disseram ter fantasias com pessoas do mesmo sexo.
No entanto, muitos dos profissionais que trabalham nesta área de investigação salientam que a exactidão dos resultados destes estudos é questionável, dado o forte estigma associado à homossexualidade.
Um transexual é alguém que vê o seu género como sendo o oposto daquele que a sua anatomia normalmente ditaria: alguém que nasceu com os órgãos genitais masculinos, por exemplo, mas que se sente como uma mulher. Os transexuais muitas vezes usam medicamentos ou cirurgias para alterarem os seus corpos e podem também escolher vestir roupa do género oposto que identificaram como consistente com a sua natureza essencial.
Muito mais comum é o travestismo, o que quer dizer simplesmente vestir as roupas do sexo oposto. E um comportamento que esta associado tanto a homens como a mulheres e com todas as orientações sexuais. Pode ser uma forma de caricaturar, uma espécie de ritual ou uma tentativa de atrair membros do mesmo sexo.
Apesar de ambos os sexos se tornarem biologicamente preparados para iniciar a actividade sexual durante a adolescência, os homens têm tendência a atingir mais facilmente o orgasmo durante a adolescência e nos seus 20 anos. Nas mulheres, a idade em que o mesmo acontece situa-se entre os 25 e os 45 anos.
As razões que explicam este facto são complexas. Comparando com os rapazes, é menos provável que as raparigas adolescentes sintam uma resposta sexual através da masturbação. Citando apenas alguns factores, as mulheres tendem a sentir-se mais confortáveis com a sua sexualidade à medida que atingem a maturidade, e pelos 40 anos têm, muitas vezes, uma maior auto confiança e um receio muito menor de engravidar.
As mulheres têm ovulação (a libertação mensal dos óvulos) com maior regularidade entre os 18 e os 28 anos, o que significa que a facilidade de engravidar é superior durante este período. Após a puberdade, os homens podem produzir esperma em qualquer altura da sua vida, mas pensa-se que esta capacidade seja maior entre os 21 e os 30 anos. Os estudos mostram que 40% dos problemas de fertilidade – a capacidade de conceber uma criança – estão relacionados com o parceiro masculino, 40% com o parceiro feminino e 20% têm origem desconhecida ou estão relacionados com ambos os parceiros.
As taxas variam de uma forma significativa. Num estudo realizado há algum tempo, constatou-se que aproximadamente 35 por cento dos indivíduos inquiridos tinham relações sexuais mais de duas vezes por semana, cerca de 35 por cento uma ou várias vezes por mês, e os restantes 30 por cento não tinham relações sexuais ou tinham apenas algumas vezes por ano.
Na globalidade, cerca de um terço dos indivíduos casados tinham relações sexuais duas ou três vezes por semana. Curiosamente este valor é superior ao verificado nos indivíduos solteiros que não coabitam com o parceiro, e menor que a taxa verificada entre solteiros que vivem em união de facto com o seu companheiro. De acordo com os investigadores, a frequência da actividade sexual nos casais que se identificam como homossexuais ou bissexuais é semelhante, apesar de os homossexuais e bissexuais terem um número relativamente mais elevado de parceiros.
A frequência é um problema para muitos casais. Uma das razões mais comuns para os casais procurarem um terapeuta sexual é um desencontro do desejo sexual – um parceiro sentir que o outro perdeu o interesse no sexo. Por outro lado, a frequência não é um indicador de satisfação tão significativo como se pode pensar.
A motivação e expressão sexual são provavelmente tão únicas como as proverbiais impressões digitais, e uma pessoa que tenha relações sexuais uma vez por semana pode ser tão feliz e saudável como alguém que tem relações cinco vezes e mais. O importante é garantir que ambos os parceiros concordam com a frequência com que têm relações sexuais e conversem sobre o que fazer se não concordarem.
Ao contrário da crença popular, as pessoas continuam a ter relacionamentos sexuais satisfatórios durante tanto tempo quanto o desejarem. Em estudos da actividade sexual entre indivíduos com idades superiores a 60 anos, os investigadores verificam que, não surpreendentemente, os indivíduos que apreciavam o sexo nos seus 30 e 40 anos tendem a continuar a partilhar de relações sexuais satisfatórias nos seus 70 e 80 anos.
Aqueles que consideravam o sexo desagradável na sua juventude ou que tinham problemas de saúde sexual vêem, muitas vezes, a terceira idade como uma forma de encerrar este capítulo das suas vidas ou relacionamentos. A motivação sexual, por outro lado, diminui de facto com a idade, e tanto os homens como as mulheres podem sentir uma perda da função sexual, incluindo problemas associados com alterações dos níveis hormonais.
A ciência médica, no entanto, desenvolveu um conjunto crescente de tratamentos dos problemas da função sexual. Na maioria dos casos, os indivíduos com idades superiores a 60 anos, quer sejam solteiros ou casados, continuam a ter interesse no sexo e muitas vezes sentem-se mais confortáveis e mais abertos um com o outro.
Sim. Em alguma altura, nas suas vidas, aproximadamente três quartos das mulheres e homens já praticaram sexo oral. No entanto, nem toda a gente o aprecia. Enquanto 45 por cento dos homens consideram que receber sexo oral é «muito excitante», apenas 17 por cento das mulheres dizem o mesmo no que diz respeito a dá-lo. Cerca de 29 por cento das mulheres dizem ser «muito excitante» receber sexo oral, enquanto 34 por cento dos homens têm a mesma opinião quanto a dá-lo.
De grosso modo, um quarto dos homens e um quinto das mulheres dizem ter experimentado sexo anal numa dada altura das suas vidas. O número de indivíduos que dizem ter tido relações anais no último ano é muito menor – inferior a 10 por cento.
Mais de 60 por cento dos homens e quase metade das mulheres masturbam-se. As mulheres tendem a começar a masturbar-se numa idade mais tardia que os homens e fazem-no menos vezes; 27 por cento dos homens masturbam-se uma vez por semana comparando com apenas 8 por cento de mulheres. É importante notar que a masturbação não é um fenómeno exclusivo dos indivíduos solteiros. Aproximadamente metade dos indivíduos inquiridos sentem-se culpabilizados em relação à prática da masturbação.
Esta é uma questão que muitas pessoas colocam, aparentemente devido à preocupação de que o «autoprazer» seja psicologicamente prejudicial à saúde ou um problema médico potencial. O facto é que a maioria de nós cresce com a ideia que a masturbação é pelo menos embaraçosa ou moralmente errada de alguma forma. Algumas tradições religiosas por exemplo desaprovam esta prática. No entanto, como é evidenciado pelo número de pessoas que se masturbam, esta prática faz parte da descoberta e exploração sexual normais.
A masturbação pode ser fisiologicamente benéfica: por exemplo, à medida que se envelhece pode ajudar a manter os músculos pélvicos tonificados. Pode ser, também, muito útil para ajudar os homens e as mulheres a aprenderem mais sobre os seus padrões de excitação de forma a conseguirem relaxar e a apreciar o sexo com um parceiro.
Ocasionalmente, a masturbação pode ser compulsiva e ter efeitos prejudiciais num relacionamento. A masturbação frequente pode interferir com a capacidade de uma pessoa se sentir excitada pelo parceiro, deixando ambos com a sensação de experiências sexuais não satisfatórias. Adicionalmente, um pequeno número de pessoas podem desenvolver formas habituais de se masturbarem e tornarem-se dependentes delas para atingirem o orgasmo. Isto pode conduzir a problemas em adaptar o seu estilo de relação sexual a um parceiro.
No maior estudo realizado até hoje, uma percentagem estimada em 2% de adultos americanos sexualmente activos usavam vibradores, quer na prática de sexo com o parceiro quer para a masturbação, e 1% dizia usar outros brinquedos sexuais. Embora muitos tipos de vibradores não sejam fabricados para a inserção na vagina ou ânus, alguns destes dispositivos podem causar lesões internas se usados incorrectamente.
O termo tornou-se popular em 1980 em grande parte devido .à grande campanha de consciencialização pública sobre a epidemia da SIDA e a necessidade de as pessoas se protegerem das doenças sexualmente transmissíveis. A expressão «sexo seguro» refere-se a qualquer medida tomada com o objectivo de limitar a transmissão de uma doença de uma pessoa para outra. Isto pode incluir alterações no comportamento íntimo e uso de métodos de barreira, como preservativos, que bloqueiam a troca de fluidos corporais.
Assumir a responsabilidade pela prevenção de DST é um conceito vital para as pessoas qualquer que seja a orientação sexual, a idade e a raça – uma parte fundamental da saúde sexual.
Para heterossexuais, no entanto, existe ainda outro assunto crítico que anda de mão dada com a prevenção de doenças – a prevenção da gravidez não desejada. Uma abordagem cuidadosa do sexo seguro começaria pela contracepção, as medidas que se tomam para prevenir uma gravidez não planeada.
Os métodos de barreira, como os preservativos, diafragmas e espermicidas, oferecem vários graus de protecção contra a transmissão de doenças infecciosas durante a relação sexual.
Infelizmente, muitas pessoas presumem que qualquer forma de controlo da natalidade torna o sexo «seguro», e isto não é de todo verdade. Alguém que esteja a tomar a pílula contraceptiva – na realidade, isto verifica-se com a maioria dos métodos contraceptivos – ainda se encontra em risco de contrair uma doença infecciosa. É por isso que as pessoas precisam de fazer escolhas cuidadosas, tomando precauções dirigidas tanto à necessidade potencial de contracepção como à prevenção de DST.
Apenas num sentido muito restrito. O conceito de prevenção é vital, mas saúde sexual é mais do que a ausência de doença, implica uma aceitação da sexualidade como uma fonte potencial de felicidade e realização pessoal. Muitas das nossas suposições culturais reflectem a atitude negativa para com a sexualidade – a preocupação com a perda de pureza, risco de gravidez, risco de doença, uma queda do estado de graça.
Infelizmente, como consequência, esquecemo-nos que a sexualidade é parte integrante da nossa maquilhagem e é vital para a nossa saúde física e emocional.
Na verdade existe. Investigadores encontraram várias correlações notáveis entre o estatuto dos relacionamentos sexuais e as percepções de saúde física e felicidade. Por exemplo, aqueles com um parceiro estável tinham maior probabilidade de se considerarem como «extremamente felizes» ou «muito felizes» do que os que não têm um parceiro estável, e o mesmo acontecia para aqueles que tinham relações sexuais várias vezes por semana comparativamente com os que não tinham. Além disso, os que referem ter um problema de função sexual, como seja a dificuldade em atingir o orgasmo ou o aparecimento de dor durante as relações sexuais, têm menor probabilidade de descrever o seu estado de saúde como «excelente» ou «bom».
É evidente que constatações como estas não estabelecem totalmente uma relação causa-efeito, mas sugerem que a expressão sexual está integralmente ligada com o nosso sentido geral de realização e bem-estar. E isto está de acordo com a experiência clínica em que os problemas de saúde sexual não são meros detalhes que possam ser varridos para baixo do tapete. Pelo contrário, estes são assuntos requerem atenção dado o seu impacto nos relacionamentos íntimos e na auto-estima.
O primeiro ponto é compreender que pode ter prazer e realizar-se com a sua sexualidade. Muitas vezes, os médicos vêem mulheres resignadas a uma vida sem prazer sexual, assumindo, erradamente, que a incapacidade de atingir o orgasmo está nas suas cabeças. Elas também vêem os homens viver com a impotência (e os seus casamentos acabarem) porque estão demasiado envergonhados para pedir ajuda.
Devido a estas experiências, torna-se claro para nós que a sexualidade é uma área em que precisamos de aplicar o termo «autorização». Demasiadas pessoas com problemas de saúde sexual legítimos não pedem ajuda por causa do estigma que envolve a discussão franca do sexo na vida real ou porque o sistema de saúde não reconhece a importância das queixas dos utentes. Um passo nesta autorização, que se está a tornar vital, é a informação através da auto-educação tendo como base este tipo de textos.
O processo de excitação sexual é uma resposta mente-corpo, que é desencadeada por qualquer sinal que interpretamos como erótico. Tentar catalogar todas as coisas que uma pessoa possa achar excitantes é uma tarefa inútil, dada a enorme variedade dos nossos desejos e apetites. Para generalizar, muitos destes sinais são funções dos sentidos – por exemplo, um toque, um cheiro particular ou um sinal visual. Outros estão inteiramente relacionados com estímulos internos – uma fantasia ou uma recordação, por exemplo.
Qualquer que seja o estímulo, os investigadores acreditam que o processo de excitação se centra em "mensageiros" químicos conhecidos como neurotransmissores, que estão envolvidos em quase todas as funções humanas. Estes químicos – movendo-se para trás e para a frente ao longo das vias nervosas entre o cérebro, medula espinal e genitais – desencadeiam as alterações físicas que nos dispõem para a relação sexual.
Em traços largos, existem dois mecanismos principais de resposta fisiológica. O primeiro é a congestão vascular, um fluxo de sangue aumentado em várias partes do corpo, particularmente no pénis e na porção exterior da vagina. O segundo é um processo em que os neurotransmissores originam níveis elevados de tensão neuromuscular – mais energia nos nervos e músculos. Como resultado destas duas respostas, podemos experimentar uma sensibilidade aumentada em todo o corpo, desde a ponta dos dedos até aos lábios e órgãos genitais.
O esquema geralmente mais utilizado para perceber o funcionamento do organismo durante o encontro sexual, dos conhecidos investigadores William H. Masters, um ginecologista, e Virginia E. Johnson, uma psicóloga, é conhecido como ciclo de resposta sexual. Descrevem este processo fisiológico dividindo-o em quatro fases: excitação, planalto, orgasmo e resolução.
A frequência cardíaca e a tensão muscular aumentam. Os mamilos podem tornar-se erectos, e outras partes do corpo podem ficar altamente sensíveis ao toque. Um dos sinais mais precoces de excitação em muitos homens é a erecção, o processo através do qual o pénis fica suficientemente rígido para a penetração.
O pénis é constituído por tecidos moles – e não por músculo, como algumas pessoas pensam – que são entrecruzados por nervos e vasos sanguíneos. Através do centro do pénis passa a uretra, o canal pelo qual a urina sai do corpo vinda da bexiga. À sua volta dispõem-se três estruturas esponjosas, em forma de tubo, que comprimem largamente o eixo do pénis. Duas são denominadas de corpos cavernosos; a outra é o corpo esponjoso. À medida que o fluxo sanguíneo aumenta durante a fase de excitação, o tecido esponjoso fica tenso e expande-se, fazendo com que o pénis fique firme e, em graus variáveis, erecto. Durante a relação sexual, a firmeza da erecção varia muito dependendo do tipo de estimulação que é trocada entre os parceiros.
Os testículos são órgãos que têm duas funções críticas no coito e na reprodução. Primeira, estabelecem as condições necessárias para toda a actividade sexual ao produzirem a hormona testosterona, que na puberdade desencadeia o início do desenvolvimento do corpo masculino até atingir a maturidade. Após a puberdade, a testosterona ajuda a manter a motivação sexual. A segunda função consiste na produção de esperma pelos testículos, a contribuição masculina para o processo reprodutivo. Uma célula do esperma é microscópica, medindo aproximadamente 0,05 mm, e aprent uma forma de girino, com uma cauda longa que literalmente o ajuda a nadar no ambiente vaginal, onde tenta alcançar e fertilizar o óvulo. Os espermatozóides são produzidos nos testículos a uma taxa de aproximadamente 100 milhões por dia, e permanecem mais ou menos 70 dias em maturação. A maturação dos espermatozóides decorre numa estrutura denominada epidídimo, que é cosntituída por um conjunto de tubos enrolados. Os espermatozóides viajam para a uretra através do canal deferente.
Durante a fase de excitação da resposta sexual, os testículos são deslocados para mais próximo do corpo, e o escroto, o saco de pele que suporta os testículos, torna-se mais espesso e firme.
Planalto pode ser, talvez, uma palavra estranha para a segunda fase da resposta sexual, dado que muitos dos nossos reflexos sexuais aumentam nesta fase. Se a estimulação continua pelo beijo, carícias, penetração ou qualquer outra forma de jogo sexual, a erecção geralmente torna-se mais rígida; os testículos aumentam de volume e são puxados ainda mais para perto do corpo; a frequência cardíaca e a tensão arterial continuam a subir; e a tensão muscular aumenta. Os investigadores notaram também que muitas pessoas – no meio desta festa sensorial, ironicamente – apresentam uma diminuição da audição e da visão. Por fim, aproximadamente um quarto dos homens experimentam o que é conhecido como rubor sexual, que consiste no aparecimento de manchas rosa ou vermelhas, tipicamente, à volta do peito ou noutro local do tronco.
Os padrões de excitação sexual são altamente variáveis, e um encontro sexual pode demorar desde alguns minutos até uma hora ou mais. O processo raramente se traduz numa trajectória linear da escalada da excitação. Distracções, posições estranhas, um toque desconfortável -qualquer destes factores pode causar uma diminuição momentânea de prazer ou perda de erecção. Por vezes os parceiros sexuais não atingem de todo o orgasmo. Muitas vezes, no entanto, recuperam rapidamente e continuam a estimulação até a tensão neuromuscular aumentar ao ponto em que um ou ambos alcançam o limiar do orgasmo. Nos homens este momento é marcado por um tipo de «ponto de não retorno» chamado de inevitabilidade ejaculatória, significando que neste momento o homem vai certamente ter um orgasmo e ejacular.
Ejacular – quando se aplica o termo em relação aos homens - é expelir esperma e outros fluidos dos órgãos reprodutores masculinos através da abertura da uretra na extremidade do pénis. Perceber a sequência dos acontecimentos que levam à ejaculação requer conhecer um pouco mais sobre o sistema reprodutor masculino. Os espermatozóides não fazem o percurso dos testículos através do pénis pelos seus próprios meios. Em vez disso são transportados num fluido chamado sémen, que por sua vez requer as secreções de três órgãos internos: a glândula prostática (próstata), as duas glândulas de Cowper e as vesículas seminais. Durante a fase de planalto, as glândulas de Cowper segregam um fluido claro, que entra e lubrifica a uretra. A próstata é uma glândula pequena em forma de castanha que envolve a uretra na sua junção à bexiga. A próstata também segrega um fluido e, no limiar do orgasmo, este fluido move-se através de uma série de contracções e junta-se com as secreções do terceiro órgão-chave, as vesículas seminais.
As vesículas seminais são de facto um reservatório. Neste reservatório juntam-se os espermatozóides que viajaram através do canal deferente e as secreções da próstata e das próprias vesículas seminais. Aqui misturam-se e depois passam para a uretra sob a forma de sémen.
Sim. O que um homem sente no ponto de inevitabilidade ejaculatória é a ascensão do sémen no orifício da uretra, trazido pelas contracções da próstata, vesículas seminais e canal deferente no limiar do orgasmo. A seguir vem o orgasmo; uma segunda série de contracções da uretra e do pénis com menos de um segundo de intervalo. As contracções expelem o sémen através do orifício da uretra, em jacto ou de forma gotejante, consoante a força das contracções.
Alguns homens podem sentir contracções orgásmicas e prazer em todo o corpo sem ejacular, mas isto não é comum. Podem ser necessários exercícios especiais para que um homem atinja este nível extraordinário de controlo muscular.
Neste processo estão envolvidos os mesmos mecanismos de congestão vascular e tensão neuromuscular, acarretando alterações que são de algum modo semelhantes às verificadas nos homens, como é o caso do rubor sexual (que é mais frequente nas mulheres do que nos homens) e da erecção dos mamilos. A frequência cardíaca aumenta, os músculos respondem e o sangue começa a afluir a várias partes do corpo, incluindo às mamas, à vulva e à vagina.
A vulva faz parte dos órgãos genitais externos, que incluem o clitóris, a uretra, os lábios genitais (grandes lábios ou lábios externos e pequenos lábios ou lábios internos) e a abertura vaginal propriamente dita. A vagina, de um modo estrito, é um órgão interno, que apresenta a forma de um pequeno tubo com aproximadamente sete a dez centímetros de comprimento envolvido por músculo e revestido por membranas mucosas como as que se encontram na boca ou no ânus. A vagina é limitada atrás pelo colo do útero, pela abertura deste para o útero, que é um órgão interno expansível onde o feto cresce e se desenvolve antes do nascimento. A abertura da vagina é por vezes denominada de introitus.
Uma das primeiras alterações que se verifica é a humidificação da vagina, também denominada de lubrificação. De certa forma, este facto pode ser comparado com a erecção em vários aspectos – é o resultado directo da congestão vascular nas paredes da vagina, fazendo com que o fluido que está armazenado no revestimento da vagina passe através dela. A lubrificação é também uma consequência do fluido produzido pelas glândulas de Bartholin, que são pequenas glândulas que se localizam na vulva próximo da abertura da vagina. A lubrificação é um processo gradual e pode não ser perceptível até que o fluido se comece a acumular e resvale em direcção à abertura vaginal. Entretanto, o interior expansível da vagina torna-se mais profundo e mais largo. Na vulva, os pequenos lábios tornam-se mais espessos e os grandes lábios abrem para trás, verificando-se uma maior exposição da abertura vaginal. Além disso, o clitóris fica mais firme e mais sensível e recua até ficar sobre a sua cobertura.
Algumas pessoas dizem ser esta a chave da excitação sexual na mulher.
Os padrões de resposta sexual são altamente individuais, como temos vindo a demonstrar neste texto. Mas o clitóris é, sem dúvida, o primeiro centro de estimulação na maioria das mulheres. É uma estrutura pequena, arredondada, situada na parte mais superior da vulva tendo como única função dar prazer sexual. A cobertura do clitóris, já mencionada anteriormente, está ligada aos lábios da vagina. Na relação sexual vaginal, o pénis entra e sai da vagina tocando nos lábios e causando uma estimulação indirecta do clitóris. O tamanho do clitóris e a sua distância da vagina varia de mulher para mulher. A sua estimulação directa pode vir a ser necessária, consoante o seu tamanho, posição e cobertura. No entanto, a estimulação directa deve ser feita cuidadosamente, pois, quando excitado, o clitóris torna-se hipersensível.
Um sinal chave da fase de planalto na mulher é a tumefacção das paredes do terço externo da vagina (perto da abertura da vagina), um fenómeno chamado de plataforma orgásmica. De acordo com Masters e Johnson, durante a relação sexual vaginal, esta plataforma, rica em nervos, pode efectivamente alcançar o eixo do pénis, independentemente do seu tamanho. À semelhança do que acontece com a erecção no homem, a lubrificação continua durante a fase de planalto, mas pode aumentar ou diminuir. Os dois terços internos da vagina expandem-se em profundidade e largura. O clitóris alarga-se e retrai-se em direcção ao osso púbico. Isto, em conjunto com a tumefacção dos lábios vaginais, dificulta a localização do clitóris por baixo da sua cobertura.
Devido ao contínuo armazenamento de sangue, os lábios vaginais podem ficar vermelhos, o rubor sexual intensifica-se, estende-se e a área à volta dos mamilos fica inchada
Não. Apesar de existirem muitos paralelismos entre as respostas sexuais masculina e feminina, não é provável que as mulheres tenham um mecanismo equivalente: uma mulher pode estar no limiar do orgasmo e ser detida no último segundo por qualquer distracção ou falha na estimulação.
A maioria das mulheres referem que as suas primeiras sensações do orgasmo são sentimentos de calor intenso e prazer centrado no clitóris e para a maioria é a estimulação do clitóris que as conduz a este momento. Tal como acontece no homem, o orgasmo envolve uma série de contracções involuntárias, que na mulher ocorrem ao nível da plataforma orgásmica, do útero e do ânus.
Surpreendentemente, a taxa de contracções orgásmicas é precisamente a mesma nos homens e nas mulheres – menos de um segundo de intervalo – e as sensações no momento do clímax também não diferem muito. As descrições do orgasmo feitas por homens e por mulheres são virtualmente idênticas quando não se faz referência à anatomia ou à ejaculação. Uma diferença potencial é a ejaculação. Como mencionámos anteriormente, os homens geralmente ejaculam quando atingem o clímax. A maioria das mulheres não o fazem, apesar de algumas dizerem ter ejaculação, o que pode ser nalguns casos devido a um acumular de secreções vaginais que lubrificam a vagina durante a relação sexual e noutras uma perda de urina.
Os orgasmos múltiplos são outra diferença potencial. Embora menos de metade das mulheres que têm orgasmos tenham tido alguma vez orgasmos múltiplos (geralmente definidos como dois ou mais clímaxes num único acto sexual), muitos sexologistas acreditam que todas as mulheres têm o potencial para experimentar estes orgasmos. Os homens, pelo contrário, diz-se serem menos capazes de orgasmos múltiplos apesar de haver essa possibilidade.
Isto leva-nos de novo ao modelo de Masters e Johnson e ao estado final da excitação sexual, denominado de resolução. Esta última fase sucede imediatamente ao orgasmo e consiste no período de tempo que o corpo demora a voltar ao estado de inexistência de excitação sexual. Apesar de ambos os sexos experimentarem a resolução após o clímax, existem algumas diferenças entre a resposta masculina e feminina. Para a maioria dos homens a fase de resolução é também um período refractário, que dura pelo menos alguns minutos, durante o qual são incapazes de ter um novo clímax mesmo que o pénis ainda esteja erecto e que a estimulação continue. As mulheres, no entanto, não têm período refractário, o que significa que têm potencial para reentrar no estádio de planalto logo após o orgasmo e ter outro clímax (ou vários) antes de alcançar a resolução.
Uma pequena percentagem de homens – aproximadamente 10 por cento –têm dificuldade em atingir o orgasmo, e 25 a 50 por cento das mulheres não atingem o clímax consistentemente durante as relações sexuais.
A incapacidade de atingir o orgasmo – chamada de anorgasmia – é um tema complexo que tem sido estudado mais nas mulheres que nos homens. Frequentemente, a causa desta incapacidade está relacionada com a anatomia e com a técnica utilizada para atingir o orgasmo. A maioria das mulheres (de acordo com algumas investigações, cerca de 75 por cento) necessita de estimulação directa do clitóris para atingir o clímax, e as relações vaginais não são o melhor meio para o conseguir. Existem, ainda, outros factores que podem interferir com o orgasmo, como sejam a dor durante as relações sexuais ou problemas psicológicos. A investigação demonstra que, na realidade, este problema está muitas vezes relacionado com a incapacidade de reconhecer o orgasmo quando este ocorre. Por outras palavras, quando monitorizadas, algumas mulheres apresentam sinais fisiológicos de orgasmo apesar de afirmarem que não tiveram. Este facto pode dever-se em parte a expectativas não correspondidas – a ideia que o orgasmo deve ser uma experiência dramática e avassaladora apesar de muitas vezes ser bastante subtil.
A estimulação directa do clitóris pode ser feita de várias formas. As mais comuns incluem a estimulação oral do clitóris com a língua ou lábios, denominada de cunnilingus , e a estimulação com os dedos em vez da – ou como complemento da – relação sexual vaginal penetrante. Além disso, frequentemente os casais têm de experimentar várias posições nas relações sexuais vaginais de forma a determinar qual proporcionará maior estimulação do clitóris. Por exemplo, a chamada posição do missionário (posição deitada, com o homem por cima) pode ser menos eficaz do que a posição em que a mulher fica em cima.
Sim. Não existe uma fórmula universal para o prazer sexual. Certas mulheres dizem ter atingido clímaxes através de muitas outras formas de fazer amor, incluindo ao ser acariciadas ou beijadas no peito. Algumas relatam que mesmo fantasias as levam ao clímax. Talvez a alternativa mais frequentemente referida para a estimulação do clitóris seja a estimulação no ponto de Grafenberg (ponto-G), uma almofada de tecido que se pode sentir três a cinco centímetros acima na parede da vagina em direcção ao estômago. O ponto-G é assim denominado devido ao ginecologista alemão Ernst Grafenberg, que foi o primeiro a colocar a hipótese de este poder desempenhar um papel-chave na resposta sexual feminina. Se uma mulher tentar localizar ela própria o ponto-G, pode ter de se agachar ou deitar-se e puxar os joelhos para cima, mudando a posição da bacia de modo a permitir um melhor acesso. Os investigadores discordam quanto à solidez das provas científicas do ponto-G, contudo, um número significativo de mulheres afirma que a estimulação contínua desta área pode conduzir ao orgasmo.
Sim. De acordo com o Kinsey Institute New Report on Sex, de 1990, as mulheres atingem mais facilmente o orgasmo nos seus 40 anos, enquanto os homens experimentam a maior frequência de orgasmos durante a adolescência até aos 20 e poucos anos. Alguns terapeutas acreditam que as mulheres, com o avançar da idade, têm maior facilidade em atingir o orgasmo porque, só então, se começam a sentir mais seguras quanto à sua sexualidade e relacionamentos, mostrando maior capacidade para explorar as suas respostas sexuais. Embora os homens geralmente comecem por experimentar a masturbação enquanto adolescentes, as mulheres apresentam uma menor probabilidade de o fazer, e os estudos sobre a adolescência mostram que as raparigas podem preocupar-se mais em dar prazer a um parceiro que em maximizar o seu próprio prazer.
Os terapeutas que trabalham com mulheres com este problema têm em conta vários aspectos, incluindo bloqueios psicológicos e emocionais. Algumas mulheres – e homens – sofrem de ansiedade antecipatória. Eles querem tanto atingir um orgasmo que não conseguem relaxar, respirar normalmente e deixar acontecer. Falar do assunto com o parceiro e um profissional especialmente treinado, como um sexologista sexo, provavelmente ajudará. Mas é importante realçar que a anorgasmia não é um problema «só da cabeça», como a sabedoria popular/convencional muitas vezes dita. Normalmente está mais relacionada com a resposta fisiológica individual da mulher à estimulação ou com a técnica sexual do casal.
Em muitos casos de anorgasmia é essencial aprender mais sobre o seu processo particular de excitação libertando-se dos padrões sexuais existentes. Se é incapaz de ter um orgasmo através de relações sexuais vaginais, por exemplo, tente outra forma. Muitos terapeutas recomendam que as mulheres experimentem a masturbação. De facto, a investigação mostra que as mulheres que se masturbam de forma regular têm mais orgasmos com os seus parceiros, quando comparadas com as que não o fazem. A hipótese explicativa deste facto é que, quando uma mulher se masturba, tem tempo para descobrir, exactamente, quais as formas de estimulação que a excitam, sem estar sujeita a qualquer espécie de pressão. Os terapeutas podem sugerir exercícios que incluem posições tipo ioga que ajudam a relaxar o corpo ou sensações de elevação em determinadas áreas e também a leitura de livros eróticos ou o envolvimento em várias formas de fantasia para aumentar o processo de excitação. Estas podem incluir o uso de brinquedos sexuais, como vibradores, que provocam intensa estimulação do clitóris e podem levar uma grande percentagem de mulheres ao clímax. No contexto de uma relação sexual com um parceiro, estas experiências podem incluir o mesmo tipo de exercício com o objectivo de descobrir que áreas são mais excitáveis sexualmente. Os vibradores também podem ser usados como parte destes exercícios. Os terapeutas sexuais realçam que a experimentação de várias posições, no decurso das relações sexuais, pode mostrar aos casais como maximizar a estimulação. A posição com a mulher em cima, por exemplo, pode ajudá-la a controlar o ângulo de penetração para estimular o clitóris ou o ponto-G.
Quando devidamente utilizados, os vibradores são bastante seguros. Os vibradores eléctricos existem desde o fim do século XIX e continuam a evoluir em sofisticação e diversidade. Os vibradores podem encontrar-se em vários tipos de lojas – como é o caso das «sex shops» – bem como em catálogos da especialidade. As mulheres que decidiram experimentar um vibrador pela primeira vez podem ter ficado espantadas com as suas opções. Uma vez a decisão tomada, a mulher tem ainda muito a aprender sobre a utilização deste aparelho. A aquisição de um livro ou um vídeo educativo sobre vibradores pode ser útil. Muitas pessoas pensam que os vibradores são concebidos para inserção, mas só uma parte destes aparelhos funciona assim. No entanto, os vibradores que podem ser inseridos já levantam questões de segurança. Estes vibradores devem ser limpos após cada utilização para evitar uma contaminação bacteriana. É igualmente importante ter em conta que os vibradores que são inseridos podem ficar alojados na vagina ou no ânus, quando incorrectamente utilizados.
Isso pode ser um problema. Os vibradores provocam uma forma de estimulação que pode produzir orgasmos muito depressa nalgumas mulheres. Por esta razão, os utilizadores regulares dos vibradores por vezes têm problemas em reajustar-se ao ritmo mais lento do prazer corpo a corpo. Ao fazer esta transição para a relação sexual com um parceiro, os terapeutas consideram útil que a mulher ajuste as suas expectativas e admita o facto de que a excitação demorará mais tempo. Ela pode readaptar-se gradualmente à estimulação sem o vibrador. Obviamente que outra abordagem possível é incluir o vibrador ao fazer amor com o parceiro.
Clarificar as expectativas pode ser o primeiro passo. Neste espírito, alguns terapeutas preferem usar o termo «orgasmos em série» em vez de «orgasmos múltiplos», porque algumas mulheres têm a expectativa que os orgasmos se seguem imediatamente uns aos outros. O que é mais realista é pensar que a mulher pode ter mais de um orgasmo com ela própria ou com o parceiro. O primeiro passo é a estimulação continuada após o primeiro orgasmo, algo que nem todos os parceiros farão. Mesmo que o façam, no entanto, algumas mulheres não respondem à estimulação adicional após um orgasmo porque o clitóris se encontra hipersensível. A solução pode ser esperar alguns segundos após o clímax, continuar a respirar ritmicamente e então continuar com estimulação gentil. Uma palavra de precaução: alguns peritos salientam que a obsessão por orgasmos múltiplos tende a ser contraproducente e pode interferir com o prazer sexual. Numa análise final, o nível de satisfação sexual de uma mulher não está ligado ao número de clímaxes que ela tem por acto sexual.
Não. Dispareunia, ou relação sexual dolorosa, está entre as queixas sexuais mais comuns que as mulheres fazem aos seus ginecologistas. Estudos mostram que mais de 15 por cento das mulheres sentem dor física durante as relações alguma vez na vida. Apesar de se presumir que as causas de dispareunia sejam por vezes psicológicas, é mais frequente deverem-se a problemas fisiológicos como infecções, falta de lubrificação, problemas de técnica e características anatómicas.
A maior proporção de dispareunia é causada por infecções disseminadas como a candidíase vulvovaginal, que pode inflamar as paredes da vagina, e como as infecções das vias urinárias. As doenças sexualmente transmissíveis (DST) como a gonorreia ou as originadas pela Chlamydia não causam elas próprias dor significativa durante a fase inicial, mas, se não forem tratadas, ambas podem progredir para uma condição conhecida como doença inflamatória pélvica (DIP), que pode conduzir a dor abdominal e dispareunia. As lesões genitais causadas pelas DST como herpes podem resultar em dor durante as relações sexuais.
A excitação sexual geralmente liberta lubrificação natural suficiente para que a vagina esteja preparada para a penetração, mas certos factores podem alterar este processo. Para além dos efeitos da menopausa, a secura vaginal pode surgir com a amamentação, com o uso de tampões super-absorventes e medicamentos como os contraceptivos orais, medicamentos para as alergias (anti-histamínicos) vendidos sem prescrição médica e antidepressivos. Os problemas de secura vaginal podem muitas vezes ser resolvidos com a utilização de um dos muitos lubrificantes actualmente disponíveis no mercado, comercializados como auxiliares do acto sexual. Igualmente importante é a possibilidade de a lubrificação insuficiente se reflectir numa falta de excitação. Se este é o caso, os terapeutas muitas vezes recomendam tanto os lubrificantes como um período maior de estimulação antes de tentar a penetração da vagina.
Uma longa lista de perturbações ginecológicas podem contribuir para as relações sexuais dolorosas nas mulheres, incluindo polipos, quistos, tumores fibróides e endometriose, sendo esta última uma situação em que tecido do útero se implanta noutros órgãos. Outra condição relevante é o vaginismo, que afecta 2 a 3 por cento de mulheres e causa espasmos intensos na vagina que tornam a penetração desconfortável ou impossível. A irritação pode também dever-se a cicatrizes pós-cirúrgicas ou a químicos que se encontram nos contraceptivos ou produtos de banho.
Em geral, se tiver um problema crónico com dor, será aconselhável procurar o médico para uma avaliação meticulosa. Como pode ver a partir da lista parcial de causas que aqui expusemos, as causas da dipareunia podem ser difíceis de diagnosticar e demasiadas mulheres são levadas a acreditar que as suas doenças estão apenas "na sua cabeça" quando na verdade se passa algo de mais complexo.
O estrogénio é uma hormona fundamental para o desenvolvimento do aparelho reprodutor feminino. Em resposta aos sinais enviados pela glândula pituitária – o centro de controlo hormonal do organismo - a rapariga começa a segregar estrogénio nos ovários alguns anos antes de se iniciar a menstruação. Desde essa altura, o estrogénio é produzido num ciclo mensal regular e é libertado pelos ovários. Tem um papel no desenvolvimento dos folículos ováricos e na libertação dos óvulos para as trompas de Falópio. Após a libertação dos óvulos, uma segunda hormona chamada progesterona, também produzida pelos ovários, sinaliza o início do ciclo menstrual. Alguns investigadores defendem que o período de maior excitabilidade sexual da mulher também corresponde à libertação de estrogénio, mas a maioria dos estudos contesta esta teoria. Este ciclo mensal de produção de estrogénio e de progesterona continua, caracteristicamente, até a mulher atingir os 40 anos ou início dos 50.
A dada altura da sua vida, a mulher vai experimentar alterações na produção de estrogénio, o que leva a menopausa – o fim permanente da menstruação. A menopausa geralmente ocorre entre os 45 e os 55 anos, embora algumas mulheres tenham o seu último período menstrual nos seus 60 anos, e outras por volta dos 30. A remoção dos ovários, quimioterapia e outras circunstâncias podem causar uma menopausa abrupta. A menopausa é precedida por um período de tempo conhecido como perimenopausa, durante o qual níveis flutuantes de estrogénio causam períodos menstruais irregulares e, em aproximadamente 10 a 20 por cento das mulheres, sintomas como afrontamentos. Um afrontamento é uma sensação física de intenso calor durando 3 a 6 minutos, com aumento da frequência cardíaca e muitas vezes também o aparecimento de um rubor cutâneo seguido de arrepios. Após alcançar a menopausa propriamente dita, a maioria das mulheres apresentam alguns sinais e sintomas, apesar de muitos deles se resolverem à medida que o organismo se adapta ao seu novo, e mais baixo, nível de estrogénios. Cerca de 90 por cento das mulheres sentem afrontamentos em dada altura das suas vidas, mas em metade delas estes afrontamentos param dentro de um ano. Além disso, só 20 por cento das mulheres têm afrontamentos durante mais de dois anos e meio. Outros sintomas potenciais incluem alterações de humor, insónia, irritabilidade, aumento de peso, alterações da forma do corpo e alterações no aparelho genital.
Primeiro deixe-nos dizer que é importante ultrapassar o estereótipo que as mulheres após a menopausa não têm prazer no sexo. A parte negativa, porque os estrogénios são parcialmente responsáveis pela manutenção interna dos órgãos genitais e aparelho urinário, é que a saúde pode ser afectada. À medida que a produção de estrogénios diminui, as pregas da vagina e a vulva tendem a enfraquecer e a vagina pode tornar-se mais apertada e perder muito da sua lubrificação natural. As infecções vaginais também se tornam mais frequentes. Aproximadamente 59 por cento de mulheres relatam problemas como secura vaginal, diminuição do desejo sexual e dor durante as relações sexuais. Para aquelas que têm estes sintomas existe uma variedade de tratamentos eficazes.
Contudo, um estudo relata que, surpreendentemente, cerca de 90 por cento de mulheres após a menopausa dizem estar mais felizes com a sua vida sexual – a mesma proporção que referiu satisfação sexual antes da menopausa. Mais de 80% diz continuar a sentir-se desejável e muito mais confortável com o seu corpo do que quando eram mais novas. A libertação da contracepção ou da gravidez indesejada são dois factores que desempenham um papel neste sentimentos positivos sobre o sexo na meia idade.
Deve ser dito que a menopausa é um processo natural e não uma doença. Os investigadores discordam quanto ao grau de agressividade que deve ser utilizado no tratamento das perturbações relacionadas com a menopausa, mas tanto as queixas sexuais como os sintomas mais gerais podem ser abordados. Em muitos casos, a terapêutica durante aproximadamente dois anos irá ajudar a mulher a atravessar este período de perturbações derivadas da menopausa. Historicamente, o problema médico mais grave que envolve a menopausa tem sido a ligação entre os níveis decrescentes de estrogénio e o aumento do risco de osteoporose (ossos fragilizados) e de doença cardíaca. É a preocupação com o aumento de risco destas duas doenças que tem levado à crescente tendência para submeter um grande número de mulheres à terapêutica hormonal de substituição.
Sim. Os especialistas pensam que a substituição de estrogénio deve ser suplementada com doses de progesterona para manter o sistema em equilíbrio. De facto, os especialistas concordam que o estrogénio sem suplementação – isto é, os estrogénios tomados sem progesterona – não é recomendado numa mulher que ainda tenha útero. Nesta terapêutica utilizam-se várias tipos de abordagem e doses medicamentosas diversas; na maioria tratam-se de medicamentos orais. Alguns médicos prescrevem substituição de progesterona durante 10 a 14 dias do mês, imitando o ciclo natural antes da menopausa. Outros advogam o uso de uma pequena dose diária. Algumas formulações de estrogénio são um misto de estrogénio e progesterona.
O estrogénio diminui o risco de osteoporose e também de doença cardíaca, a doença líder de mortalidade nas mulheres idosas. Estudos recentes sugerem que esta hormona pode também reduzir o risco de doença de Alzheimer, melhorar a memória e prevenir o cancro do cólon, apesar de ser necessária mais investigação para confirmar estes achados. Apesar do uso benéfico da substituição do estrogénio, alguns estudos mostraram que pode aumentar o risco de cancro da mama. Os especialistas discordam sobre o risco e portanto estão em curso estudos mais específicos. Os efeitos secundários principais da terapêutica de substituição são temporários. Estes incluem retenção de fluidos, tensão mamária, aumento de peso e náuseas.
Pode ser, mas outras medidas devem ser tentadas antes. Os especialistas em menopausa salientam que as alterações como secura vaginal ocorrem gradualmente, e pode levar anos a que se tornem agudas. Se os sintomas se centram na lubrificação, a mulher pode simplesmente usar um lubrificante. Os lubrificantes hidratantes podem ser ainda mais úteis na recuperação da elasticidade pré-menopáusica da vagina. Estas abordagens são insuficientes quando o problema vai além da lubrificação. A diminuição da espessura do revestimento vaginal e outras alterações vaginais que se observam na menopausa podem causar desconforto ou irritação, requerendo terapêutica hormonal de substituição. Geralmente, a terapêutica de primeira linha é o creme vaginal, que em poucas semanas alivia os sintomas como a secura vaginal e muitas vezes dá um maior alívio que os comprimidos ou que os pensos transdérmicos, porque o efeito da medicação é local. Os cremes de estrogénio oferecem uma dose menor com menos efeitos secundários quando comparados com os comprimidos de estrogénio ou com os pensos transdérmicos, uma consideração importante para as mulheres que se preocupam com o cancro da mama. Mas aquelas que apresentam um risco maior de osteoporose ou de doença cardíaca podem precisar de doses mais elevadas e, portanto, devem escolher um método sistémico (como pílulas ou pensos transdérmicos) desde que não tenham factores de risco que as impeçam de tomar hormonas.
Apesar de ainda ser um assunto controverso, a ideia de que a falta de testosterona pode ser uma causa de menor motivação sexual nas mulheres após a menopausa tem tido um apoio crescente. De acordo com esta ideia, alguns médicos começaram a recomendar que uma muito pequena quantidade de testosterona seja adicionada às terapêuticas com estrogénio e progesterona. Foi demonstrado que esta abordagem aumenta o desejo sexual nas mulheres que foram submetidas a histerectomia (e portanto com menopausa cirúrgica), mas o mesmo ainda não está estabelecido para mulheres a passar por uma menopausa natural. Mais, os efeitos a longo prazo são desconhecidos. Possíveis efeitos secundários incluem o aumento do crescimento dos pêlos corporais, pele oleosa e aumento da tensão arterial.
Com certeza. Aconselhamos qualquer mulher que tenha um destes sintomas a consultar um médico sobre as formas de lidar com o problema. Infelizmente, os resultados de alguns estudos mostram que a função sexual não é frequentemente discutida com os técnicos de saúde da mesma forma que outros aspectos da menopausa – parcialmente devido ao embaraço que as mulheres podem sentir em abordar o assunto.
No princípio da gravidez, as manifestações são muito pouco específicas e devem ser validadas de acordo com o grau de suspeição de cada mulher. O leque de sintomas iniciais é relativamente reduzido, mas a ordem pela qual surgem é extremamente variável. Eis algumas das manifestações precoces de gravidez:
- Pequenas manchas de sangue na roupa interior (spotting)
Durante a implantação do ovo (óvulo fecundado pelo espermatozóide) nas paredes do útero, pode ocorrer uma pequena hemorragia. Uma vez que este acontecimento se dá perto da data esperada para a menstruação, é possível confundir os dois acontecimentos.
Nos primeiros meses de gestação, algumas mulheres registam pequenas hemorragias coincidentes com as datas prováveis de menstruação. Esta situação não deve constituir motivo de preocupação.
- Amenorreia (Ausência de menstruação)
Existem outras causas de amenorreia ou de irregularidade menstrual não relacionadas com a gravidez, como, por exemplo, a ansiedade excessiva.
- Alterações mamárias
As alterações são semelhantes às que se registam em fase pré-mentrual, só que mais exuberantes. Existe tensão mamária acentuada, os mamilos ficam mais sensíveis, a aréola torna-se mais pigmentada e as pequenas glândulas tornam-se mais proeminentes.
- Fadiga
A sensação de fadiga é comum na gravidez. As actividades habituais custam um pouco mais a realizar. Após o jantar, a mulher pode ter alguma dificuldade em manter-se acordada.
- Desconforto pélvico
Nesta fase, a mulher pose sentir desconforto pélvico e ou abdominal inferior generalizado. No entanto, a dor unilateral aguda não é normal e deve ser referida ao médico assistente.
- Distensão abdominal
No início da gravidez, a mulher pode apresentar distensão abdominal marcada. A aerocolia (gases) e a dor tipo cólica também são frequentes.
- Urinar frequentemente
No início, a mulher urina mais vezes em consequência das alterações hormonais próprias da gravidez. Mais tarde, a razão prende-se com o aumento de pressão que o útero em crescimento exerce sobre a bexiga
- Náuseas e vómitos
Os enjoos matinais podem ser confundidos com uma ligeira indisposição, com uma gastrenterite ou intoxicação alimentar. O quadro oscila entre uma ligeira sensação de mal-estar passageiro até aos vómitos de repetição ao longo de todo o dia.
- Aversão a certos odores, álcool e tabaco
Estas manifestações podem ser encaradas como mecanismos de protecção do bebé. A mulher começa a evitar o café, o álcool e o tabaco, uma vez que estas substâncias podem desencadear sensação de mal-estar.
- Desejos alimentares súbitos
A mulher grávida pode desejar subitamente alimentos que raramente consumia, ou até mesmo alguns que nunca achou agradáveis. Pode ter tendência a salgar os alimentos ou a achar agradáveis sabores recusados pelos outros.
Existem vários tipos de testes de gravidez. Alguns são apropriados para utilização doméstica, outros só podem ser realizados no laboratório. Alguns são efectuados a partir de uma amostra de urina, enquanto que outros necessitam de uma colheita sanguínea. Todos os testes comercializados são baseados na detecção da hCG (Gonadotrofina Coriónica humana), uma hormona que é produzida depois da implantação do ovo nas paredes do útero. Os testes mais sensíveis, sejam eles urinários ou sanguíneos, conseguem detectar esta substância por volta do oitavo ou nono dia após a ovulação. Ou seja, cerca de cinco a seis dias antes da data esperada para a menstruação seguinte. Ao longo da gravidez, a concentração sanguínea da hCG duplica a cada dois dias, alcança um pico entre os dias 60 e 70 para depois decair até ao momento do parto.
Os testes de gravidez baseiam-se no processo de reacção antigénio-anticorpo. Ou seja, fabricam-se anticorpos que reconhecem especificamente a hCG (que neste caso funciona como antigénio) e adiciona-se a amostra de urina ou de sangue que se quer testar. Se houver hCG na referida amostra, a ligação entre ambas as proteínas é inevitável. A ocorrência de reacção antigénio-anticorpo é confirmado por uma alteração da coloração ou pela existência de floculação. Os testes de uso domiciliário, quando executados rigorosamente de acordo com as instruções, permitem obter resultados correctos em cerca de 97 por cento dos casos.
Nem todas as mulheres produzem a mesma quantidade de hCG, apesar da idade gestacional poder ser idêntica. A implantação não ocorre exactamente 14 dias pós a data da última menstruação. O ovo vagueia alguns dias no interior útero antes da nidação ocorrer nas suas paredes. Este facto pode ser responsável pelas oscilações dos níveis de hCG e, consequentemente, do momento em que o teste dá positivo.
Por outro lado, a sensibilidade dos diferentes testes de gravidez também é variável. Alguns detectam níveis de hCG tão baixos como 25 mmU/ml, embora a sensibilidade média recomendada para o diagnóstico de gravidez 35 dias após a data da última menstruação seja a identificação de concentrações próximas dos 300 mlU/ml. De acordo com os fabricantes, todos os testes disponíveis conseguem identificar correctamente a gravidez 42 dias após a data da última menstruação.
Outro dos motivos que altera a sensibilidade dos testes prende-se com o rigor da sua execução. Por exemplo, quando as amostras de urina são colhidas em meio laboratorial, a fiabilidade destes exames ronda os 91 por cento. Se a colheita for efectuada no domicílio pela própria mulher, esta cifra baixa para os 75 por cento.
O diagnóstico precoce da gravidez é muito importante, por que evita desde logo eventuais comportamentos de risco, como o consumo de álcool e a exposição ao fumo do tabaco. Por outro lado, facilita a instituição imediata das medidas dietéticas próprias da gestação.
Com os testes mais recentes, os falsos positivos são muito raros. Os falsos negativos são um pouco mais comuns e são indesejáveis, porque podem atrasar o início dos cuidados próprios da gravidez. Por outro lado, a mulher falsamente tranquilizada pode continuar a utilizar fármacos perigosos para o embrião. As principais causas de falsos negativos residem na precocidade do teste e na execução pouco rigorosa. Se a amenorreia (ausência de menstruação) persistir, aconselha-se a mulher a repetir cuidadosamente o exame uma semana mais tarde.
Apesar de tudo, convém referir que os testes de gravidez de utilização domiciliária são úteis, eficazes e continuam a melhorar significativamente.
Seja planeada ou não, a confirmação da gravidez abre um leque variado de emoções, muitas vezes contraditórias. A mulher pode ter dificuldade em acreditar que de facto está grávida, sobretudo porque as primeiras manifestações podem ser idênticas às que acompanham uma menstruação normal.
Entretanto, o embrião completa a sua jornada de 10 dias até à nidação completa nas paredes do útero. Nesta fase, encontra-se subdividido em duas porções, uma mais externa, que irá dar origem à placenta, e outra mais interna, o embrião propriamente dito. Por motivos técnicos, considera-se que o início da gravidez coincide com a data de aparecimento da última menstruação, embora a fecundação ocorra cerca de duas semanas mais tarde.
Nesta fase inicial, a actividade no interior do útero é muito intensa. Às cinco semanas, o embrião mede apenas dois milímetros, mas todos os órgãos estão já em desenvolvimento, incluindo as estruturas faciais, como os olhos e as orelhas. Os braços e as pernas começam a notar-se também por volta da quinta semana.
Às seis semanas, a mulher já sabe que está grávida. Os «enjoos matinais», que podem ocorrer em qualquer altura do dia, afectam cerca de 50 por cento das grávidas. Os níveis elevados de estrogénios e a expansão rápida do útero parecem constituir os factores responsáveis. Os suplementos vitamínicos são fundamentais nesta fase, mas os vómitos associados aos enjoos podem dificultar a sua administração.
A adaptação à gravidez origina alguns efeitos desagradáveis, como irritabilidade, tonturas e cefaleias. Contudo, estas manifestações resolvem espontaneamente à entrada do segundo trimestre e o embrião não é afectado pelo eventual desconforto da mulher. Pelo contrário, a indigestão materna comporta um efeito positivo para o futuro bebé. Os alimentos lentificam a sua passagem através do intestino, permitindo que a absorção dos nutrientes se faça de uma forma mais eficaz. As refeições pequenas e frequentes, associadas à utilização de roupas confortáveis, podem ajudar a controlar estes efeitos gastrintestinais desagradáveis.
Da sexta para a sétima semana, o embrião duplica o seu tamanho, alcançando dimensões equivalentes às de um feijão. Os traços humanos estão bastante marcados e apresenta já encéfalo, coração e membros. Nesta altura, a cabeça tem as mesmas dimensões que o resto do corpo. O seu médico assistente pode aconselhar a realização de uma ecografia, exame que é absolutamente seguro para o embrião em desenvolvimento. Com esta técnica, é possível observar os movimentos cardíacos do futuro bebé.
Às nove semanas, o embrião tem cerca de uma polegada (2,5 cm) e é já bastante activo. No entanto, a mulher só o consegue sentir inequivocamente no início do segundo trimestre. Apesar das gónadas – ovários ou testículos – estarem já formadas, os genitais externos – vulva ou pénis – são ainda indiferenciados, pelo que a ecografia realizada nesta fase não permite diferenciar o sexo do bebé.
No final do primeiro trimestre, o embrião passa a chamar-se feto, tem cerca de três polegadas (7,5 cm) e pesa cerca de 15 gramas. Todos os órgão estão já desenhados, embora possam não estar completamente desenvolvidos. Nesta fase, o futuro bebé engole, absorve e elimina fluidos; as mãos estão formadas e as unhas estão em desenvolvimento. A 12ª semana é importante, porque marca a passagem do controlo hormonal para a placenta recém formada.
- Amenorreia - ausência de menstruação
- Aerocolia - aumento do conteúdo gasoso do cólon
Um bom regime suplementar para as mulheres que tencionam engravidar, para as grávidas e para as mulheres que amamentam é composto por:
- Um complexo multivitamínico e mineral completo (certifique-se de que contém quantidades adequadas de betacarotenos, vitamina B6, C e ácido fólico) tomado diariamente.
- Um suplemento múltiplo de minerais, rico em cálcio (dois comprimidos devem equivaler a 1000 mg de cálcio e 500 mg de magnésio) tomados diariamente.
Ácido fólico, 400 mcg, duas vezes ao dia.
Lembre-se: Muitos médicos prescrevem complexos multivitamínicos para o período pré-natal; consulte o seu médico para não tomar doses excessivas.
As vitaminas não são substitutos das proteínas nem de qualquer outro nutriente, nem se substituem umas às outras.
Não pode parar de comer e esperar que as vitaminas que toma a mantenham saudável.
O ácido fólico é uma vitamina solúvel em água, pertencente ao complexo vitamínico B, que é importante para prevenir um tipo particular de anemia (anemia megaloblástica) da gravidez. Esta molécula é particularmente importante para as mulheres que tentam engravidar. A administração de ácido fólico, antes e durante a fase inicial da gravidez, permite reduzir significativamente a incidência de defeitos do tubo neural (estrutura que dá origem ao sistema nervoso). Alguns estudos sugerem que esta vitamina também poderá reduzir a incidência de abortos e de partos pré-termo, bem como o número de crianças com baixo peso à nascença.
Os folatos encontram-se em muitos alimentos, como fígado, cereais integrais, feijões, vegetais de folha verde, frutas e leveduras. Recomenda-se a administração de um suplemento de 400 microgramas por dia a todas as mulheres que pretendem engravidar e a todas as grávidas, particularmente durante o primeiro trimestre de gestação.
O ácido fólico confere protecção contra a espinha bífida (desenvolvimento anormal da espinal medula) e contra a anencefalia (ausência de grande parte do encéfalo). Os bebés com anencefalia morrem pouco depois do parto. As crianças com espinha bífida, dependendo da gravidade do defeito, podem apresentar sinais de paralisia ou ser completamente assintomáticos. O ácido fólico facilita o processo de encerramento do tubo neural, possibilitando o desenvolvimento correcto do encéfalo e da espinal medula.
O ácido fólico é solúvel em água, pelo que se pode perder na água de cozedura. Se possível, opte pelas sopas ou cozinhe os vegetais em vapor.
O encerramento o tubo neural ocorre entre o 25º e o 30º dia de gestação. Muitas vezes, a confirmação da gravidez é posterior a esta data, perdendo-se a oportunidade de iniciar atempadamente a administração dos suplementos de ácido fólico. Estes factos justificam a indicação para prescrever 400 microgramas diários desta vitamina a todas as mulheres que pretendem engravidar.
Uma mulher saudável, com uma dieta variada e equilibrada necessita de poucos suplementos dietéticos durante a gravidez. Para estes casos, as indicações terapêuticas resumem-se, praticamente, ao ácido fólico, ao ferro e ao cálcio.
O ácido fólico está particularmente indicado no primeiro trimestre de gestação (400 mcg/dia). O nosso organismo utiliza de forma mais eficaz o ácido fólico dos suplementos do que a folacina, que é a forma contida nos alimentos. No entanto, os efeitos de ambas as formas sobre o metabolismo são idênticos. Se a mulher não conseguir tolerar os suplementos de ácido fólico, deverá enriquecer a sua dieta em cereais integrais, em vegetais de folha verde, particularmente espinafre. Igualmente importantes são as frutas e os sumos.
O ferro é outro dos nutrientes fundamentais. Uma vez que a quantidade de sangue da mulher aumenta durante a gravidez, é necessário ferro suplementar para que o transporte de oxigénio ao feto não seja afectado. Este nutriente é fundamental no terceiro trimestre de gestação, altura em que o feto constrói as reservas que irá utilizar após o nascimento. O ferro é difícil de conseguir em quantidade suficiente através da dieta, mesmo que a ingestão de carne vermelha seja reforçada. Durante os segundo e terceiro trimestres, a grávida deve fazer um suplemento diário de 30 mg de ferro. As fontes alimentares mais indicadas são a carne vermelha, o fígado, os cereais enriquecidos, o feijão, o espinafre e as ameixas.
As necessidades de cálcio aumentam durante o último trimestre de gestação, coincidindo com o período mais intenso da formação óssea fetal. Se a grávida puder ingerir leite ou derivados em quantidades suficientes, ou outros alimentos ricos em cálcio, poderá nem sequer ter necessidade de fazer reforços deste nutriente.
Existe, por vezes, informação contraditória acerca da percepção dos primeiros movimentos fetais. Tal acontece, porque o início desses movimentos pode ocorrer num vasto período de tempo (entre a semana 16 e a 20). A maioria das mulheres começa a percepcioná-los por volta da décima oitava semana de gravidez (isto é, 18 semanas desde a última menstruação), caso seja o primeiro filho. No entanto, algumas multíparas (aquelas que já tiveram pelo menos uma gravidez de termo) conhecem já essa sensação e sentem, por isso, esses movimentos mais precocemente.
Se o médico assistente tiver um doppler, poderá informar a grávida acerca da data correcta de surgimento dos movimentos fetais. Deste modo, a mulher conseguirá comparar com aquilo que ela própria sente.
Nem todas as mulheres têm ciclos menstruais de 28 dias. No entanto, os cálculos relativos à gravidez (nomeadamente a data prevista do parto) são feitos com base nesse número. Esta é, portanto, uma das razões para a existência de tão grande discrepância relativa à percepção dos movimentos fetais.
Uma gravidez uterina normal pode ser detectada, ecograficamente, por volta da quarta ou quinta semana de gravidez - altura em que a maioria dos testes urinários também se tornam positivos. Na sexta semana, o saco gestacional é muito característico. Se nesta altura não for identificado, então a gravidez deverá ser posta em causa. O coração do bebé deve ser visível por volta da oitava semana.
Caso o saco gestacional seja inexistente, indefinido, demasiado pequeno ou se não existirem ecos fetais na oitava semana de gravidez, poderemos estar perante uma gravidez anembriónica.
A gravidez em fase inicial é mais facilmente detectada através de uma ecografia vaginal. Para sua execução, coloca-se uma sonda ao nível da vagina sem que, no entanto, seja ultrapassado o colo uterino.
Existe pouca literatura médica acerca deste assunto. Sabe-se que é um reflexo fetal semelhante ao do adulto, e que surge apenas em fetos que apresentam um certo grau de desenvolvimento do sistema nervoso central. Alguns médicos defendem ser uma consequência da respiração ou da alimentação fetal; estas seriam as responsáveis pela entrada e saída do líquido amniótico dos pulmões. A subsequente contracção diafragmática provocaria, então, o aparecimento de soluços.
No início do segundo trimestre, a mulher apercebe-se da falta de algo - das náuseas. A partir de agora torna-se mais fácil ingerir uma refeição completa, e a energia perdida anteriormente, regressa.
O útero ainda não apresenta um tamanho suficientemente grande que justifique os sintomas desconfortáveis do terceiro trimestre. Por outro lado, a mulher sente-se mais gorda e as roupas deixam de lhe servir. Como a maioria das pessoas não notam ainda a gravidez, podem surgir sentimentos depressivos. No entanto, este estadio não deve ser fonte de preocupação, porque a sua duração é pequena.
A recuperação da energia deve-se, em grande parte, ao facto do desenvolvimento dos orgãos fetais estar praticamente completo. Perto da semana 14, o bebé mede 11 cm de comprimento e pesa cerca de 45 gramas. É muito activo, o que resulta em frequentes cambalhotas no interior do líquido amniótico. Estes movimentos poderão ser sentidos entre a semana 18 e 22.
Neste trimestre, algumas mulheres terão necessidade de efectuar exames complementares. Entre estas, encontram-se senhoras com idade superior a 35 anos e grávidas que apresentam alterações noutros exames já realizados. Nestes casos, o médico poderá aconselhar a realização de uma amniocentese. Este exame permite determinar a probabilidade de existência de algumas condições, como por exemplo, o Síndrome de Down. Apenas uma em cada 200 mulheres têm complicações consequentes à amniocentese (nomeadamente aborto). No entanto, o risco de ter um filho com síndrome de Down é muito superior. Se a técnica for executada por um profissional com experiência e bons resultados, os problemas serão certamente menores.
Algumas alterações fetais também podem ser detectadas, através da medição da alfa-fetoproteína sérica. Esta proteína é doseada no sangue materno, entre a décima sexta e a décima oitava semanas de gravidez. Contudo, surgem por vezes, interpretações erradas dos resultados. Esta situação é geradora de ansiedade desnecessária: 50 em cada 1000 mulheres apresentam resultados anormais, mas apenas uma ou duas tem na realidade problemas. No entanto, para muitas mulheres, estes testes serão uma fonte de alívio.
Por volta da vigésima semana, o útero atinge a altura do umbigo. A ecografia consegue já determinar o sexo do bebé. Se for uma rapariga, ela terá cerca de seis milhões de óvulos nos ovários. Pela altura do nascimento, a quantidade de óvulos decresce para um sexto da inicial.
Na semana 22 o feto pesa, aproximadamente, 450 gramas e mede cerca de 25 cm. O feto assemelha-se já a um bebé. As sobrancelhas e as pestanas iniciam a sua formação. As pequenas orelhas começam a escutar as conversas maternas.
Periodicamente podem existir contracções uterinas. Estas, denominadas de Braxton Hicks, são inofensivas. Provavelmente, a mulher irá senti-las ao longo da gravidez, à medida que o corpo se prepara para o nascimento. No entanto, se a frequência das contracções for superior a quatro por hora, é aconselhável consultar um médico. É importante que a grávida esteja familiarizada com os sinais indicadores do parto. Deste modo, o médico terá mais facilidade em atrasar o trabalho de parto, caso seja necessário.
Na vigésima quarta semana, o movimento rápido dos olhos inicia-se. O bebé pesa agora 600 gramas e mede 28 cm. Caso o parto se verifique nesta altura, as probabilidades de sobrevivência são de cinco a 20 por cento. Quando o feto pesar cerca de um quilo, este valor aumenta para 70 por cento.
A mulher grávida está mais susceptível a desenvolver problemas dentários. Estes resultam do aumento de estrogénios e de progesterona, verificado durante a gravidez. A higiene dentária é, por isso, muito importante. Alguns médicos defendem que as radiografias dentárias não são lesivas para o bebé. No entanto, a melhor opção será adiá-las, caso seja possível, para o período que sucede o parto.
A maior actividade do bebé verifica-se entre as semanas 24 e 28. A sensibilidade ao ambiente externo aumenta. A partir de agora, o bebé responde ao toque, e mexe-se quando submetido a níveis elevados de ruído. A falta de memória que pode afectar a grávida, também por esta altura, deve-se às alterações hormonais subjacentes.
Na vigésima oitava semana atinge-se o fim do segundo trimestre. O bebé mede cerca de 40 cm e pesa cerca de um quilo. As pálpebras, até aqui fundidas, começam a abrir-se.
Cerca de vinte semanas após a última menstruação, o bebé tem já uma estrutura anatómica que lhe permite receber impulsos sonoros.
O entendimento dos sons necessita, contudo, de uma correcta interpretação. O bebé só os conseguirá diferenciar quando os ouvir repetidamente. Algumas referências relatam ser possível distinguir a voz da mãe e do pai, por volta do quinto mês de gravidez. Contudo, esta afirmação não reúne consenso. Sabe-se, no entanto, que nesta altura o bebé reage já a sons intensos - ladrar de um cão, música alta.
Alterações dermatológicas
Algumas grávidas apresentam alterações da pele, no segundo trimestre de gravidez. Estas mudanças podem ou não preceder o aparecimento da barriga, já que existe uma grande variedade individual.
As lesões dermatológicas devem-se, sobretudo, às alterações hormonais. Surge também o estiramento da pele, que passa a cobrir uma superfície muito maior. O aumento do volume sanguíneo, que atinge o valor máximo no segundo trimestre, aumenta o aporte de sangue à pele. As áreas mais vascularizadas, adquirem então uma coloração rosa. Adicionalmente, as glândulas subcutâneas aumentam a sua produção. As alterações verificadas dependem, em grande parte, do tipo de pele que a mulher tinha antes da gravidez. Quanto mais escura, mais alterações podem decorrer; se for clara, essas mudanças são mais visíveis. As hormonas, particularmente os estrogénios e a progesterona, estimulam as células produtoras de pigmento. Deste modo, as zonas escuras tornam-se ainda mais escuras.
Estas alterações não são permanentes. A grande maioria das lesões desaparecem logo após o parto. A mulher grávida deve encarar estas mudanças como um sintoma de maternidade. São tão importantes como as náuseas ou a fadiga, e a sua duração é limitada.
Rubor da grávida
O rubor facial da grávida tem uma base biológica. O aumento do afluxo sanguíneo provoca um brilho e rubor faciais característicos. O incremento da produção das glândulas sebáceas acrescenta uma aparência oleosa. A face ruborizada da grávida assemelha-se à de uma mulher, não grávida, após uma momento de excitação, choro ou algo que aumente a frequência cardíaca (o que se verifica permanentemente na gravidez).
A máscara da grávida
Muitas vezes, a grávida enfrenta uma nova mulher quando se vê ao espelho. Aparecem manchas acastanhadas ou amareladas (cloasma) em várias zonas da face, mas mais vulgarmente, na testa, bochechas, nariz e queixo. As hormonas da gravidez (estrogénios e progesterona) estimulam as células cutâneas produtoras de melanina, a aumentarem a produção de pigmento. No entanto, como esta produção não é uniforme, surgem várias manchas. (As mulheres que fazem anti-concepção oral podem, também, vivenciar este efeito secundário). As mulheres de pele escura podem notar o aparecimento de círculos escuros, em torno dos olhos (semelhante a sombra de maquilhagem). A cloasma não pode ser evitada, mas pode ser minimizada. A exposição a ultra-violetas (sol) deve ser reduzida, porque é uma fonte estimulante da produção de melanina.
Acne
O acne que surge durante a gravidez não é, normalmente, tão grave quanto o da adolescência. As borbulhas desaparecem após o parto. A grávida terá de ter, no entanto, alguns cuidados especiais. Os abrasivos e esfoliantes devem ser evitados; a pele da grávida é demasiado frágil para a sua utilização. Os fármacos anti-acne estão contra-indicados na gravidez, porque aumentam o risco de desenvolvimento de defeitos congénitos.
Linea nigra
Muitas mulheres apresentam uma linha (linea alba) que se estende desde o umbigo até ao osso púbico. Esta linha é pouco visível antes da gravidez; a sua existência, por vezes, nem é notada. No segundo trimestre de gravidez, a linea alba escurece. Torna-se, deste modo, facilmente distinta (linea nigra) e nalgumas mulheres, estende-se mesmo para cima do umbigo. A linea nigra acaba por desaparecer, vários meses após o parto.
Zonas escuras
As pequenas manchas e marcas de nascença, tornam-se agora mais escuras e evidentes. Podem surgir verrugas (neste caso é importante que a grávida consulte o médico, especialmente se os bordos forem elevados ou irregulares, ou se a coloração for escura). A cor das auréolas mamárias e dos mamilos também se altera - escurecem. No entanto, não existe uma regressão no pós-parto; manter-se-ão mais escuros, do que era habitual.
Palmas das mãos e dos pés
No segundo trimestre de gravidez, as palmas das mãos e dos pés podem tornar-se avermelhadas (eritema palmar), e provocarem comichão. Esta situação desaparece alguns meses após o parto.
Aranhas vasculares
As hormonas da gravidez e o aumento do volume sanguíneo evidenciam os pequenos capilares subcutâneos. Tornam-se, assim, visíveis e aparecem como linhas muito finas, tortuosas e de cor avermelhada ou purpúrica. Durante o parto, podem também surgir aranhas vasculares (por serem semelhantes a uma pequena aranha), sobretudo na zona da face ou nas escleróticas (porção branca dos olhos). Esta alteração cutânea pode ser disfarçada com sucesso, através do uso de maquilhagem. O seu desaparecimento pode ser demorado. Por isso, a mulher pode recorrer à aplicação de injecções subcutâneas por um dermatologista especializado.
Fibroma mole
Algumas mulheres desenvolvem pequenas verrugas, denominadas de fibromas moles. Estes surgem, principalmente, em áreas cutâneas expostas ao atrito da roupa, ou na zona das pregas corporais. São, por isso, frequentes debaixo dos braços, nas pregas cutâneas do pescoço e nas pregas mamárias. São devidos a um crescimento hiperactivo das camadas superficiais da pele. Desaparecem alguns meses após o parto, mas podem ser excisados caso sejam demasiado incómodos.
Exantema
Na grávida, o calor pode provocar o aparecimento de um exantema. O seu surgimento deve-se a uma combinação de vários factores: existência de um corpo já sobreaquecido pela própria gravidez, transpiração excessiva e atrito entre a pele e o vestuário. O exantema é ligeiramente irritativo e assemelha-se a pequenas borbulhas. É mais comum por baixo do peito, na zona de transição entre a porção inferior do abdómen e a região púbica, e na região interna da coxa.
Comichão (prurido)
Algumas áreas cutâneas provocam comichão, sobretudo porque estão secas e descamativas. As zonas que apresentam um exantema devido ao calor, podem também causar prurido. As áreas mais incomodativas são, de um modo geral, o abdómen e as coxas.
Erupções papulares
Cerca de um por cento das mulheres grávidas apresenta pápulas (borbulhas) avermelhadas, causadoras de comichão. Surgem no abdómen, coxas, nádegas ou extremidades. Esta condição recebe o nome de placas da gravidez. As pápulas aparecem e desaparecem espontaneamente, na segunda metade da gravidez. No entanto, na maioria das vezes, o seu desaparecimento é definitivo logo após o parto.
As palpitações (sensação de batimentos cardíacos acelerados e irregulares) maternas são comuns durante a gravidez. O seu aparecimento é justificado pelo aumento do volume sanguíneo, que se verifica entre a semana 28 e 32. O coração passa a ejectar mais sangue, e sob a influência da progesterona, começa a bater irregularmente. No entanto, caso existam desmaio, falta de ar ou história prévia de doença cardíaca, a grávida deve ser de imediato avaliada por um especialista.
Alterações cutâneas, particularmente o acne, são frequentes na gravidez. Esta patologia é causada pelas rápidas mudanças hormonais que afectam as glândulas produtoras de sebo. De um modo geral, as borbulhas desaparecem à medida que a gravidez avança e, na altura do parto, são praticamente inexistentes.
Os fármacos habitualmente prescritos para o tratamento do acne (tetraciclinas, retinol e acutane) não são aconselhados na grávida, porque podem prejudicar o bebé.
De um modo geral, a mulher grávida deve ainda evitar o uso de abrasivos ou de esfoliantes. A sua pele é demasiado sensível para a aplicação destes produtos. Se as borbulhas infectarem, pode ser prescrito um creme (benzamicina), duas vezes ao dia. Devem ser evitados produtos de maquilhagem à base de óleos.
As hormonas da gravidez enfraquecem os ligamentos e as articulações. Deste modo, a zona pélvica torna-se mais flexível, facilitando o parto. As seguintes recomendações têm por objectivo evitar lesões aquando da realização das actividades diárias.
- A permanência em pé durante longos períodos, especialmente na mesma posição, deve ser evitada. Para facilitar a circulação sanguínea e diminuir os edemas (pernas inchadas), a mulher deverá exercitar periodicamente os músculos das pernas.
- Para levantar um objecto, a mulher deve utilizar os músculos dos braços, pernas e coxas; as costas não devem ser forçadas. A cabeça e as costas devem estar rectas.
- Para a circulação ser mantida, a grávida não pode estar sentada por períodos superiores a meia hora. São aconselhadas cadeiras com apoios rectos (não maleáveis), e a colocação de uma pequena almofada na zona lombar. Quando a mulher passa da posição sentada para a posição de pé, deve evitar deslocar-se para a frente; assim, estará a forçar as costas. Por isso, os pés devem estar correctamente apoiados no chão e a força deve advir dos músculos das pernas.
- No leito, e especialmente nos últimos quatro a cinco meses de gravidez, a mulher deve adoptar a posição lateral. Esta é mais confortável para ela própria, e mais saudável para o seu bebé.
- A saída da cama deve ser gradual, e não súbita. A mulher deve rolar ligeiramente, até atingir a berma da cama. Deve então elevar-se com auxílio dos braços até atingir a posição de sentada. Só depois é que deve colocar as pernas fora da cama (caso contrário fará um estiramento dos ligamentos dorsais).
As hormonas da gravidez relaxam o esfíncter que se situa na transição entre o esófago e o estômago .Este relaxamento pode originar refluxo gástrico, causador de indigestão. O tratamento passa pela simples ingestão de pequenas refeições, várias vezes ao dia. Do mesmo modo, a cessação ou redução de alguns alimentos (nomeadamente açúcar concentrado, chocolates, menta, pão , massas, arroz, cereais e citrinos), pode ser uma ajuda preciosa.
Para aliviar estes sintomas, a mulher pode ainda dormir com a cabeceira da cama elevada e recorrer à ingestão de antiácidos, quando prescritos pelo médico.
Caímbras nas pernas
No final do segundo trimestre, e durante o último, muitas mulheres acordam de noite com caímbras nas pernas e pés. Esta situação resulta de um desequilíbrio electrolítico, que envolve os iões cálcio, fósforo, magnésio e potássio. Adicionalmente, existe também um diminuição do aporte sanguíneo aos músculos. Este decréscimo é consequência da pressão que o útero exerce nos grandes vasos. Longos períodos de tempo nas posições de pé, sentada ou deitada, agravam estas alterações.
Prevenção das caímbras
As caímbras podem ser minimizadas se a circulação sanguínea for melhorada:
Alívio das caímbras As caímbras podem ser extremamente desconfortáveis. Muitas vezes, acordam a grávida porque existe um estímulo doloroso. Quando tal acontece, é importante que o músculo afectado seja massajado, de modo a melhorar a circulação local. Idealmente, a mulher deve colocar-se de pé e experimentar caminhar. Se não conseguir, poderá fazer exercícios de alongamento, contra uma parede. Quando a caímbra é intensa, a grávida deverá sentar-se na cama, conservando as pernas esticadas de encontro ao colchão. Deve, depois, agarrar (caso seja possível) os dedos do pé em causa, e puxá-los em direcção à cabeça. O alongamento tem de ser gradual, caso contrário, poderá agravar a lesão.
O exercício seguinte traz algum alívio quando surgem caímbras. Se for praticado com regularidade, pode preveni-las:
- Alongar os gémeos. Colocar a perna que sofreu a caímbra, atrás da outra. Conservar as costas rectas e dobrar o joelho da perna saudável. O corpo está ligeiramente inclinado para a frente. A perna que sofreu a caímbra deve estar esticada e com o calcanhar a tocar no chão. Apoiar as mãos numa parede pode facilitar a execução do exercício.
- Flexões. Colocar as mãos abertas de encontro a uma parede. As costas devem estar correctamente alinhadas, os braços estendidos e os pés totalmente apoiados no chão. A aproximação à parede, à custa da flexão dos cotovelos, promove o alongamento dos músculos das pernas. Se o alongamento for muito doloroso, os pés deverão estar mais próximos da parede.
- Alongamentos. Na posição de sentada, esticar uma perna para fora. A outra deverá estar dobrada, de modo a que o pé toque na região púbica. Conservando as costas rectas, dobrar o corpo em direcção à perna esticada e agarrar os dedos do pé. Esta posição deve ser mantida durante alguns segundos. Mudar a perna, e repetir o exercício.
O desiquilíbrio electrolítico, como causa de caímbras, é uma situação mais rara. No entanto, se os exercícios não trouxerem melhoria, pode ser necessário a administração de suplementos alimentares. Nestas situações, é importante consultar um médico. Se existir depleção, serão prescritos cálcio ou potássio. Estudos recentes, verificaram que os suplementos de magnésio diminuíam o aparecimento de caímbras.
Formigueiros nas mãos
As sensações de queimadura, ou de alfinetes a picarem as mãos (formigueiros ou parestesias), são também efeitos secundários da gravidez. Normalmente envolvem o polegar, o indicador, o dedo médio e metade do anelar. Os formigueiros podem ser acompanhados por dores no punho que, muitas vezes, ascendem ao ombro. Esta condição é conhecida por síndrome do canal cárpico. Deve-se à acumulação de fluido, característico da gravidez, ao nível do ligamento do punho. Este edema (inchaço), comprime o nervo que se dirige para a mão, causando os sintomas anteriormente descritos.
A síndrome do canal cárpico é uma doença comum em pessoas que utilizam muito as mãos, e o punho, no trabalho (dactilografas, empregadas de caixa, pianistas). No entanto, mesmo quem não tem uma profissão de “risco”, pode sofrer a doença. Cerca de 25% das grávidas, apresentam formigueiros, na primeira metade da gravidez. Para as futuras mães, esta situação é particularmente desconfortável. Os sintomas ocorrem com mais frequência à noite , após a acumulação de fluido ao longo do dia. O surgimento de queixas matinais é igualmente frequente, sobretudo se a mulher dorme com o braço debaixo da cabeça.
A mulher com síndrome do canal cárpico deve tentar repousar as mãos, durante o dia. Os movimentos repetitivos do punho têm de ser evitados. Quem trabalha com computadores, deve colocar a articulação numa posição neutra, ou flectida ligeiramente para baixo. Para a fixação, podem ser utilizados suportes adequados. Durante a noite, a mão afectada deve ser elevada através de uma almofada. A sua imobilização com ligaduras, fornece também algum alívio dos sintomas dolorosos. Se a dor for muito intensa e persistente, deverá ser consultado um médico. Este poderá prescrever injecções de cortisona, cuja utilização na gravidez é segura.
A síndrome do canal cárpico desaparece após o parto. Contudo, algumas mulheres necessitam de utilizar ligaduras por mais algum tempo. Quando o balanço hídrico voltar a ser normal, cerca de seis semanas após o parto, tal deixa de ser necessário. A utilização frequente das articulações do punho, nomeadamente para segurar ou posicionar o bebé, pode agravar a síndrome. Por isso, durante a amamentação aconselha-se o uso de almofadas para suportar o bebé, de modo a aliviar essas articulações.
Afastamento dos músculos abominais
Existem dois grandes músculos verticais (grandes rectos do abdómen) que ocupam a linha média do abdómen. Estendem-se desde as costelas até à região pélvica. Estes músculos ficam sob tensão, à medida que o útero cresce. Como consequência, afastam-se, criando uma área onde a pele se torna mais saliente (sobretudo quando se contrai a barriga). Esta separação é mais evidente no terceiro trimestre de gravidez. Alguns meses após o parto, os grandes rectos voltam a unir-se. No entanto, a maioria das mulheres vai perdendo o tónus muscular, particularmente se existirem várias gravidezes.
Perda de urina
A mulher pode notar perda de urina, sempre que tosse. Esta situação não é preocupante, porque desaparece após o nascimento do bebé. Quando espirra, tosse, ou ri, o diafragma contrai-se e empurra o conteúdo abdominal, e o útero, de encontro à bexiga. Tal, provoca um ligeiro esvaziamento da bexiga, especialmente quando esta está repleta, ou quando os músculos pélvicos são fracos. Para evitar este acontecimento, a bexiga deve ser esvaziada com regularidade. É também aconselhada a abertura da boca quando se tosse ou espirra; deste modo, a força exercida pelo diafragma é minimizada. O fecho da boca promove um aumento ainda maior da pressão torácica, agravando o problema. Após o nascimento do bebé, a bexiga volta a ter espaço para se expandir.
A prática de alguns exercícios pode ser uma ajuda no controlo da perdas urinárias. Entre as micções, a mulher deve fazer contracções e relaxamentos repetidos dos músculos da parede pélvica (exercícios de Kegel).
As alterações hormonais, associadas à gravidez, podem conduzir ao aparecimento de diarreia. Esta resulta essencialmente de níveis elevados de progesterona. No entanto, não se deve caracterizar este sintoma de “normal”, sem que primeiro se excluam outras alterações.
Se a grávida não saiu do país, a malária ou outras doenças parasitárias são causas remotas.
A salmonela typhi (que origina a febre tifóide), era um problema grave, até ao aparecimento dos antibióticos. As salmonelas não tifóides podem atravessar a placenta e infectar o feto. Os sintomas maternos incluem diarreia associada a cólicas, febre e dor abdominal - sintomas de gastrenterite. A salmonela pode ser identificada numa cultura de fezes.
A síndrome HELLP pode causar sintomas diversos. Os sintomas e sinais iniciais incluem:
- fraqueza e fadiga
- náuseas e vómitos
- dor na porção superior direita ou central do abdómen
- dor de cabeça
- alterações da visão
- tendência para o sangramento
- icterícia (pele e olhos amarelados)
- diarreia
- dores nos ombros ou no pescoço
Esta patologia surge no segundo ou terceiro trimestre de gravidez. Pode associar-se a hipertensão arterial, edemas (inchaço) e existência de proteínas na urina.
A giardia lamblia (parasita) é também uma causa frequente de diarreia. O principal meio de transmissão deste parasita é a água contaminada. Contudo, tem existido um aumento do número de transmissões por contacto interpessoal, e através dos alimentos. Actualmente existem métodos que permitem a detecção dos antigénios do parasita
Se a diarreia persistir, deve ser realizada uma sigmoidoscopia. Algumas condições podem ser identificadas através desta técnica: doença inflamatória intestinal, hemorróidas internas e outras lesões do cólon.
Quando existe diarreia com alguma duração deve ser realizada uma cultura de fezes.
A diarreia é uma situação preocupante porque provoca fraqueza, desidratação e uma absorção incompleta de nutrientes. Se o obstetra não conseguir lidar adequadamente com a situação, poderá ser necessário a opinião de um internista.
Dor e sangramento rectal
As hemorróidas (veias varicosas do recto) causam dor e sangramento rectal. O aumento do volume sanguíneo, que surge na gravidez, e a pressão resultante do útero em crescimento, promovem o ingurgitamento destas veias. Pode existir hemorragia, comichão (prurido) e desconforto, sobretudo durante a passagem das fezes. As hemorróidas que não sofrem exteriorização (hemorróidas internas), tendem a sangrar, mas normalmente não são dolorosas. A existência de sangue vivo no papel higiénico, após a defecação, é muitas vezes o primeiro sinal desta patologia. Embora geralmente benigna, esta situação deve, no entanto, ser reportada ao médico assistente. As hemorróidas podem manifestar-se em qualquer altura, mas são mais frequentes no segundo e terceiro trimestres da gravidez. O esforço desenvolvido durante o parto agrava a situação. Contudo, após algum tempo, esta situação normaliza.
Prevenção das hemorróidas
Existem alguns procedimentos que podem diminuir o risco de aparecimento de hemorróidas, durante a gravidez:
- A grávida não deve permanecer sentada por longos períodos de tempo, especialmente se a superfície for dura. Deve também evitar dormir de barriga para cima. Nesta posição, o útero pressiona as veias rectais, o que dificulta o retorno do sangue, e agrava o ingurgitamento venoso.
- É importante praticar os exercícios de Kegel, pelo menos 50 vezes por dia. A contracção dos músculos pélvicos, particularmente daqueles que rodeiam o recto, fortalece esta zona e evita a estagnação do sangue.
- É importante que os intestinos funcionem regularmente, e que as fezes sejam moles. Para isso, a mulher tem de ingerir alimentos ricos em fibras, e beber muita água.
- O papel higiénico deve ser maleável e não irritativo. Se for necessário, podem ser utilizados toalhetes para bebés.
- Durante o banho, a zona rectal deve ser cuidadosamente lavada.
Tratamento das hemorróidas
- Aplicar compressas frias: colocar gelo picado num pano limpo e aplicar na zona do ânus. Esta aplicação alivia as dores existentes.
- Um banho morno local, pode diminuir os sintomas de comichão. O banho deve apenas demorar alguns minutos, porque o calor dilata os vasos sanguíneos, podendo agravar a situação.
- O médico assistente poderá ainda recomendar a aplicação de alguns medicamento mais específicos
- Se a mulher tiver necessidade de se sentar em superfícies duras, deve primeiro colocar uma almofada.
Dores na coluna lombar e pernas
A grávida queixa-se, por vezes, de dores agudas e de formigueiros na região lombar, nádegas ou coxas. Estes sintomas devem-se à compressão (pela cabeça do bebé, ou pelo útero em crescimento) das raízes nervosas que se destacam da coluna. Algumas destas raízes são as responsáveis pela enervação das pernas. O nervo ciático é o principal atingido, e por isso, esta dor é vulgarmente denominada de “dor ciática”. Os sintomas sofrem agravamento, quando a mulher se dobra, ou quando caminha. A dor é aliviada com o repouso, ou com mudanças de posição, sobretudo se for retirada pressão ao nervo em causa. Um banho quente ou a aplicação de gelo podem também ser uma ajuda.
Veias dilatadas
As veias varicosas (varizes) são mais um dos efeitos secundários da gravidez. As hormonas da gravidez relaxam a parede muscular das veias, promovendo a sua dilatação. As pernas são o principal local de aparecimento, porque o útero em expansão pressiona os vasos sanguíneos locais. Contudo, esta dilatação venosa pode surgir em qualquer parte do corpo; podem ser notadas pequenas varizes no pescoço ou até mesmo na vulva. A existência ou não desta patologia depende, em grande parte, de factores hereditários.
As varizes não devem ser massajadas com intensidade, porque pode existir um agravamento da lesão valvular, ou serem libertados coágulos para a circulação. Quando há infecção de uma das veias (situação denominada de tromboflebite), aparecem sinais de dor, inchaço, rubor, e a zona afectada fica quente. Esta situação é preocupante, porque podem ser libertados coágulos de sangue. Neste caso, a mulher deve elevar a perna e contactar imediatamente o seu médico assistente.
A maioria destas alterações regride alguns meses após o parto. Para minimizar o aparecimento de varizes podem ser tomadas algumas medidas:
- Devem ser evitados períodos longos nas posições sentadas ou de pé. A mulher não deve cruzar a perna enquanto sentada. Deve dar um pequeno passeio, várias vezes ao dia, de modo a activar a circulação das pernas
- Se a mulher estiver sentada, as pernas devem permanecer elevadas. Durante a noite, deve repousar no lado esquerdo do corpo.
- Utilizar vestuário largo. As roupas que restringem a circulação sanguínea não devem ser usadas.
- Utilizar meias de descanso. Estas meias devem ser vestidas antes da grávida se erguer da cama; assim as veias ainda não estarão repletas de sangue. Evitar meias com elásticos apertados, porque pioram a circulação sanguínea.
Durante o parto, não deve existir excesso de pressão nas costas da grávida. O pesado útero pode comprimir a veia cava, comprometendo assim o fluxo sanguíneo utero-placentário. Contudo, durante a gravidez o bebé adapta-se facilmente a esta situação, excepto quando existe já um deficit sanguíneo importante. A grávida deve, por isso, dormir na posição que considerar mais confortável. Há, no entanto, algumas excepções: existência de pré-eclâmpsia, parto pré-termo e insuficiência placentária. Nestes casos é aconselhado um repouso parcial ou total no leito, sendo preferível o decúbito lateral. Como já foi referido, o mesmo se passa durante o parto. As contracções uterinas promovem flutuações do fluxo sanguíneo e, por isso, a mãe deve manter-se de lado no leito. O lado esquerdo deve ser preferido porque a perfusão dos rins é optimizada.
Durante a gravidez, a mulher pode deitar-se de costas. É pouco provável que a grávida se mantenha nessa posição durante toda a noite. A sua bexiga será, certamente, responsável por várias deslocações à casa de banho.
Durante a gravidez, a mulher pode dormir em qualquer posição, desde que se sinta confortável.
Embora as alterações do sono sejam uma patologia frequente da gravidez, existem ainda poucos estudos acerca disso.
Num estudo, verificou-se que 88 por cento dos participantes notaram alterações relativamente ao seu ciclo normal de sono. A duração e a qualidade do sono foram afectadas, e apareceram insónias. No terceiro trimestre da gravidez estas alterações foram mais evidentes.
Existem várias causas responsáveis por estes distúrbios - o aumento da frequência urinária, a sensação de queimadura retro-esternal (pirose), as dores nas costas ou nas ancas, e o aumento dos movimentos fetais são as mais frequentes.
Poucas pessoas acreditam ser suficientemente boas, suficientemente organizadas, suficientemente ricas ou suficientemente suportadas. Muitas mulheres não se sentem bem consigo próprias, ou não acreditam que serão boas mães.
No topo das crenças, existe uma noção errada de que a mulher falhou porque não conseguiu conciliar todas as situações (companheiro, filhos, restante família e comunidade em geral).
O trabalho de parto é receado por muitas mulheres, sobretudo porque é amplamente desconhecido. A melhor forma de ultrapassar o medo é falar abertamente sobre o assunto. A partilha de ideias com outras mulheres que sentem o mesmo pode ser uma ajuda preciosa.
A maioria das depressões reais não são curadas com a gravidez. Contudo, algumas mulheres apresentam uma melhoria da sintomatologia depressiva quando se encontram neste estadio fisiológico. A base destas alterações parece estar relacionada com um desequilíbrio hormonal.
A progesterona é a hormona dominante da gravidez. Assim sendo, poderá existir algum benefício se estas mulheres mantiverem a toma da progesterona, fora da gravidez.
Sabe-se que níveis elevados de estrogénios podem diminuir a secreção de progesterona. É aconselhável que estas mulheres pesquisem a existência de factores dietéticos ou ambientais, que promovam um excesso dessas hormonas.
Adicionalmente, é aconselhada a amamentação materna por o maior período de tempo possível. Esta funciona, também, como um limite da produção de estrogénios.
Os estudos até agora publicados não são conclusivos quanto à acção da progesterona, no síndrome pré-menstrual (PMS). No entanto, algumas mulheres sentem algum alívio sintomático, especialmente no período compreendido entre a ovulação e a menstruação. Actualmente, existe no mercado um novo tipo de progesterona micronizada; até há algum tempo atrás, apenas existia sob a forma de injecção ou de supositórios vaginais.
Muitas mulheres reconhecem que o período compreendido entre as semanas 17 e 20 da gravidez, é um dos mais gratificantes. Nesta altura já se reconhece que a mulher está grávida.
Sentimentos
Na fase inicial da gravidez, o sistema endócrino da mulher trabalha activamente para promover o crescimento uterino, e o do bebé. No entanto, passado algum tempo, a placenta torna-se a principal responsável pela produção hormonal. Este facto explica, em parte, a sensação de melhoria física: a produção placentária não tem tantos efeitos secundários quanto a produção endócrina. Mesmo assim, as reacções emotivas da grávida tornam-se mais intensas. Muitas mães ficam surpreendidas com a sua labilidade emocional - até um simples anúncio televisivo pode fazê-las chorar.
Sensação de ser especial
Quando a gravidez se torna óbvia, a mulher passa a ter um estatuto que lhe confere alguns privilégios. É disso exemplo, a existência de caixas de supermercado prioritárias para grávidas ou de lugares reservados nos transportes públicos.
Apreensiva
Normalmente, a mulher só se apercebe de que realmente existe um ser em crescimento no interior do seu corpo, quando ouve os primeiros batimentos cardíacos, ou quando vê a imagem ecográfica do corpo do pequeno bebé. A confirmação inquestionável da maternidade são os primeiros movimentos fetais.
Instinto maternal
Por volta do quinto mês de gravidez, assiste-se muitas vezes a um surto de energia materna. Associado a este pode existir o desejo de começar a preparar o local de crescimento do bebé. Aparece uma vontade súbita de limpar a casa, atingindo extremos nunca antes existentes.
A vida social também sofre alterações. A percepção de que uma criança cresce no próprio interior, realça o instinto materno. Assim, a mulher passa a refugiar-se mais no seu lar e apenas favorece a companhia de alguns amigos íntimos. Do mesmo modo, até as mulheres mais ocupadas, disponibilizam tempo para se dedicarem às pessoas e objectos mais familiares.
Introspecção
A mente da mulher passa a concentrar-se no novo ser que cresce no seu interior. A grávida pode sentir necessidade de estar sozinha, ou de ter alguns momentos de isolamento, apenas para pensar no novo filho. Muitas vezes, estes pensamentos surgem deslocados como, por exemplo, a meio de uma reunião de trabalho. Estas ausências são normais, e até necessárias, porque preparam a mulher para a realidade de vir a ser mãe.
Lentidão do pensamento
Durante a gravidez, podem existir algumas alterações mentais. A mulher pode sentir dificuldades na concentração ou na articulação de vocábulos simples. O esquecimento passa também a ser frequente. Estes fenómenos podem ser alarmantes, sobretudo para as mulheres que não estão prevenidas. No entanto, todas estas alterações regridem (embora ainda se mantenham no período pós-parto). Estes lapsos de memória raramente interferem com a actividade profissional da mulher. As futuras mães que ocupam cargos de responsabilidade compensam facilmente esta situação.
Oprimida pelos conselhos
A grávida passa a estar rodeada de conselhos; todos querem contribuir para o crescimento do filho Por vezes é agradável receber alguma atenção suplementar. No entanto, muitas vezes pode ser perturbador. A emotividade subjacente a este período, torna a mulher hipersensível a algumas sugestões, nomeadamente, no que se refere à sua própria saúde ou à do seu bebé. Esta é uma boa altura para ignorara conselhos inúteis e para aumentar o próprio discernimento quanto às opiniões de interesse.
Pânico
Durante a gravidez, e em particular a meio do terceiro trimestre, algumas mulheres sofrem ataques de pânico. Ficam com falta de ar, palpitações (sensação de batimentos cardíacos acelerados) e com um aperto no peito. Um ataque pode acordar a grávida a meio da noite. Caso surjam, a mulher deve colocar-se numa posição relaxante e convencer-se de que “tudo está bem”. Este episódios são de curta duração.
A altura em que a gravidez se torna evidente é muito variável. Está sobretudo dependente da altura e do peso da mulher, do tónus da sua musculatura abdominal, da paridade (número prévio de filhos), da via do nascimento (via vaginal vs cesariana), do tamanho do bebé, da estrutura pélvica da mulher e da curvatura da coluna (relativamente a esta, existem muitas variedades, o que torna os julgamentos aparentes pouco credíveis).
O cálculo da idade gestacional pode ser feita com base na data da última menstruação, na altura do colo uterino, na percepção dos primeiros movimentos fetais e na ecografia, caso seja realizada.
Os comentários usuais, muitas vezes, confundem e perturbam a mulher. O melhor guia deverá ser a certeza da grávida quanto a datas, especialmente se esta tiver ciclos menstruais regulares. Para esclarecer algumas dúvidas, o mais aconselhado é a realização de uma ecografia.
Durante a gravidez, as necessidades vitamínicas do organismo aumentam. Por exemplo, a gravidez é sempre acompanhada de algum stress, mesmo que a mãe esteja já adaptada ao facto. Além desta ansiedade natural, as preocupações acerca da saúde do bebé ou do dinheiro necessário para os novos gastos podem afectar a mãe e o filho. O stress pode provocar enjoos matinais, cansaço, dores de cabeça ou insónias.
O organismo responde ao stress produzindo mais hormonas a partir das supra-renais. Estas mobilizam a energia extra necessária para levar a cabo uma acção. Contudo, se não existir uma libertação física dessa energia, ela é canalizada para o aparelho digestivo, para o sistema nervoso ou para outros órgãos. Em muitos casos, isso é responsável pela fadiga da gravidez, dores de cabeça, insónias e enjoos matinais.
Mas o que é mais importante é o facto de este excesso de produção de hormonas da supra-renal acelerar o metabolismo a um nível tal que se esgotam as reservas de nutrientes essenciais, como o cálcio, as proteínas, fósforo e potássio, que são rapidamente eliminados numa altura em que o feto mais precisa deles.
A prevenção da pré-eclâmpsia ainda não está totalmente esclarecida. Algumas pesquisas estão a ser realizadas, tendo por base a aspirina (cerca de 80mg/dia). Os resultados são variados, mas alguns estudos demonstraram uma redução desta patologia. A adição de alimentos ricos em ácido linoleico, parece igualmente apresentar alguns benefícios. No entanto, é importante que seja consultado um médico antes da toma de qualquer medicamento.
O repouso e a dieta são pontos em que vale a pena insistir. O repouso deve ser efectuado várias vezes ao dia, durante cerca de 30 minutos, com apoio preferencial no lado esquerdo do corpo. Assim, será facilitado o fluxo sanguíneo renal. As roupas apertadas e as posições constritivas devem ser evitadas. É também necessário um programa diário de exercício físico, como por exemplo, 30 minutos a andar a pé.
Alguns peritos não aconselham um decréscimo do sal da dieta. Defendem, sim, um aumento da ingestão de fluidos, e do consumo de proteínas na dieta. Existem várias teorias, mas poucas evidências concretas.
A maioria das placentas prévias “migram” à medida que o útero cresce. Assim, na altura do nascimento já não está numa posição baixa. Sabe-se que quando esta condição está presente entre a semana 20 e 25, a sua persistência, e a ocorrência de hemorragia na altura do parto, apenas se verifica em três por cento das mulheres. Entre a semana 25 e 30, persiste em cinco por cento das mulheres, e entre a 30 e a 35, o risco de persistência ronda os 24 por cento.
A mulher sintomática - com hemorragia no segundo trimestre, relacionada com a placenta prévia - tem menor probabilidade de resolução, do que aquela que não tem sintomas (descoberta ecográfica).
A placenta prévia não está relacionada com a incompetência do colo uterino. Não existe necessariamente uma dilatação indolor do colo, tal como acontece na segunda patologia. Uma mulher com placenta prévia pode vir a ter uma gravidez de termo. No entanto, se esta condição persistir no último mês de gravidez será necessário planear uma cesariana. Esta cirurgia pode ser programada para a semana 38 ou 39. Deste modo, é possível prevenir hemorragias graves durante o parto, por exteriorização da placenta.
As alterações cervicais prematuras, quando deixadas sem tratamento, podem conduzir a um parto pré-termo. Existem vários factores de risco para que o parto surja antes da altura indicada. No entanto, em cerca de 50 por cento das mulheres esses factores são inexistentes. Os principais indicadores são: a má condição sócio-económica, má nutrição, raça negra e história de infecções genitais (vaginose bacteriana) recorrentes. A existência prévia de um parto pré-termo, aumenta substancialmente o risco.
Embora seja possível identificar factores de risco, não se sabe ao certo porque é que estas alterações cervicais ocorrem precocemente. Pensa-se que estejam implicados factores hereditários, nutricionais, infecciosos e/ou alérgicos.
A fibronectina é uma substância que aparece nas secreções cervicais e vaginais, antes da semana 20 / 22 de gravidez, e por volta da altura do parto. É uma proteína semelhante a uma cola que liga as membranas fetais ao útero subjacente.
A fibronectina é um marcador de disrupção entre a face uterina e as membranas fetais. A presença desta proteína nas secreções permite suspeitar de que o parto se realizará nos 14 dias seguintes.
A dilatação do colo uterino, e a sua adaptação à cabeça do bebé, pode ser avaliada através de ecografias transvaginais seriadas. Pensa-se que o útero não é uma entidade constante (competente ou incompetente), mas sim um orgão com uma evolução contínua.
As infecções do tracto urinário (bacteriúria assintomática, cistite e piolonefrite) são patologias frequentemente encontradas na gravidez. A maioria das infecções deste período, são assintomáticas. Contudo, se forem encontradas bactérias na urina ( mais de 100,000 colónias), existe um risco acrescido de vir a ocorrer um parto pré-termo, e de o bebé nascer com baixo peso. A pielonefrite (infecção que afecta os rins maternos) pode ser causa de morbilidade, ou mesmo de mortalidade materna.
Todas as grávidas devem ser rastreadas para bacteriúria assintomática. Os estreptococos do grupo B, uma bactéria perigosa para a mãe e bebé, podem ser identificados num simples exame cultural da urina. Este exame deve ser requisitado pelo médico logo na primeira consulta.
A nitrofurantoína e a ampicilina são fármacos de primeira escolha para o tratamento da bacteriúria assintomática. Não existem relatos de desenvolvimento de malformações fetais. Caso exista uma pielonefrite aguda, são necessárias duas semanas de antibioterapia, com doses inicias endovenosas. A escolha do antibiótico baseia-se no tipo de bactéria, no mês da gravidez e na eficácia e custo do fármaco.
Algumas classes de antibióticos podem ser administradas no terceiro trimestre de gravidez (beta-lactâmicos); contudo, outras estão contra-indicadas (tetraciclinas) ou devem ser evitadas (sulfamidas).
As bacteriúrias assintomáticas não tratadas representam um factor de risco considerável na progressão para pielonefrite. Esta situação ocorre em cerca de cinco por cento das mulheres grávidas, e pode ser causa de mortalidade fetal
São exames médicos feitos com uma periodicidade regular a indivíduos sãos para promover e manter a saúde.
Todas as pessoas devem submeter-se a exames periódicos para vigilância da saúde, apenas variando com a idade e o sexo a periodicidade e o conteúdo dos mesmos exames.
Uma mulher adulta saudável deve realizar um exame periódico de saúde anual, ou pelo menos de dois em dois anos. No entanto, se faz contracepção oral (se toma a pílula) ou tem um dispositivo intra uterino, deve ser submetida a um exame ginecológico anual.
O objectivo dos exames de vigilância , como já foi referido, é promover a saúde.
Para isso, o médico procura identificar factores de risco, para que a paciente possa modificá-los evitando o aparecimento de doenças, propondo a realização de testes de rastreio para diagnosticar as doenças numa fase precoce da sua história natural.
Durante a consulta, o médico deve fornecer informação sobre os factores de risco, reforçando comportamentos que melhorem a saúde e procurando modificar aqueles que podem originar doenças.
O médico terá ainda a preocupação de sensibilizar a paciente para que mantenha as suas vacinas actualizadas, já que esta é outra forma de prevenção.
Não. Os exames feitos para rastreio de doenças que ainda não apresentam sintomas só têm utilidade quando da sua aplicação resultam ganhos em saúde.
Para que um teste de rastreio seja eficaz tem de cumprir os seguintes critérios:
- a doença que se pretende diagnosticar deve ser potencialmente grave e relativamente frequente na população.
- deve existir um tratamento eficaz cuja aplicação nas fases iniciais da doença melhore a sua evolução.
- o teste tem de ser aceitável em termos de custos e não ser demasiado incómodo para o paciente, de forma a poder utilizar-se de forma rotineira.
As mulheres saudáveis, sem factores de risco específicos, beneficiam mais com o aconselhamento sobre comportamentos saudáveis e estilo de vida, do que com a realização indiscriminada de exames de rotina, pois o número de doenças cujo rastreio oferece ganhos em saúde comprovados é relativamente pequeno.
Os principais factores de risco que o médico deve avaliar e discutir com uma paciente adulta são os seguintes:
- tabagismo:
O tabaco é um factor de risco comprovado para muitas doenças, como as doenças cardiovasculares, o cancro do pulmão e a bronquite crónica.
Na mulher que toma a pílula é um factor de risco adicional aumentando a possibilidade de complicações circulatórias.
Deixar de fumar, mesmo quando já há doenças causadas pelo tabaco, traz sempre benefícios para a saúde.
- abuso de álcool e outras drogas:
São conhecidos os efeitos do abuso de drogas e as doenças que podem ser causadas pelo consumo excessivo de álcool. Na mulher, o consumo excessivo de álcool tem, para além das consequências sobre o seu organismo, um efeito prejudicial sobre o feto em desenvolvimento ao qual pode causar malformações (fetopatia alcoólica).
- hábitos alimentares:
A nutrição adequada é uma forma importante de prevenir doenças como certos tipos de cancro, hipertensão, diabetes, etc. No caso particular da mulher, que após a menopausa tem uma perda mais acelerada de massa óssea que conduz à osteoporose, uma alimentação adequada pode contribuir para um investimento em «osso de boa qualidade» durante a juventude, diminuindo o número de complicações na velhice.
- vida sedentária:
A vida sedentária dos nossos dias é uma das causas do aumento de doenças cardiovasculares nos países ocidentais.
A prática de exercício físico, além de ajudar a manter um corpo esteticamente agradável, contribui para o equilíbrio mental e prevenção de doenças como a hipertensão, a diabetes, a osteoporose e a doença coronária.
- comportamentos sexuais de risco:
A vivência da sexualidade de forma responsável e segura é um contributo importante para a saúde dos homens e das mulheres, evitando as gravidezes indesejadas e as doenças cuja transmissão está ligada ao sexo, como a sida, a sífilis, o herpes genital, etc.
- acidentes de viação e acidentes de trabalho:
Os acidentes, particularmente os acidentes de viação, são uma causa importante de mortalidade e de deficiência. Uma parte destas mortes pode ser evitada se forem cumpridas regras básicas de segurança, como o uso de cinto de segurança.
Também no trabalho há factores de risco que podem ser evitados se forem utilizados mecanismos protectores adequados.
Sim. Embora haja rastreios comuns aos dois sexos, como o rastreio da hipertensão, há outros que são específicos do sexo, como sucede com o rastreio do cancro da próstata para os homens e o rastreio do cancro da mama ou do colo do útero na mulher.
Além disso, nas consultas de vigilância da mulher, são abordadas questões específicas relacionadas com o ciclo menstrual, a preparação da gravidez, a perimenopausa e a menopausa.
Assim, as mulheres que planeiam engravidar devem ser aconselhadas a tomar um suplemento de ácido fólico, pelo menos desde um mês antes da concepção até ao fim do primeiro trimestre de gravidez, para prevenir malformações do feto (anomalias do tubo neural).
Em relação às mulheres na peri menopausa, devem ser informadas sobre os riscos e benefícios da terapêutica hormonal de substituição.
- Hipertensão arterial:
A hipertensão arterial é um factor de risco cardiovascular perfeitamente estabelecido e a sua frequência é elevada afectando cerca de 20% da população adulta nos países ocidentais.
A medição da tensão arterial deve ser feita periodicamente a partir dos 18 anos, bastando uma medição anual nos indivíduos normotensos (que apresentam valores normais da tensão arterial).
- Hipercolesterolémia:
A hipercolesterolémia, a hipertensão arterial e o tabagismo são os três principais factores de risco de doença cardiovascular.
Na ausência de história familiar, o rastreio da hipercolesterolémia deve ser feito a partir dos 35 anos, nas mulheres. Este rastreio é feito através de uma análise de sangue (doseamento do colesterol), a realizar de quatro em quatro anos se o resultado encontrado for normal.
- Cancro do colo do útero:
O rastreio do cancro do colo do útero deve ser feito a todas as mulheres com vida sexual activa e que tenham útero. O rastreio faz-se através da observação ginecológica com realização de colpocitologia anual durante três anos seguidos, podendo a colpocitologia passar a fazer-se de três em três anos se as anteriores forem normais e não existirem factores de risco.
As mulheres que tomam a pílula têm indicação para fazer a colpocitologia todos os anos.
- Cancro da mama:
O cancro da mama é a doença oncológica mais frequente na mulher, em particular na 5ª década de vida, embora possa aparecer tanto em mulheres jovens como nas idosas.
A detecção precoce do cancro da mama contribui para uma diminuição significativa da mortalidade por esta doença.
A observação da mama deve fazer parte dos exames de vigilância.
A realização de auto palpação da mama (observação e palpação da mama mensalmente, após o período menstrual) pode ajudar a detectar lesões já palpáveis, mas não há evidência de que este exame diminua a mortalidade por cancro da mama.
A realização de uma mamografia de base a partir dos 40 anos deve ser proposta às mulheres sem factores de risco, nomeadamente história familiar de cancro da mama.
Entre os 50 e os 65 anos, todas as mulheres devem ser submetidas a exame clínico e devem realizar uma mamografia anual.
Sim. O rastreio do cancro do cólon e recto, embora indicado por algumas organizações científicas, é ainda objecto de controvérsia quanto aos resultados atingidos em termos de redução da mortalidade e melhoria da qualidade de vida.
O rastreio do cancro do cólon e recto deve ser feito através da ealização anual de uma análise de fezes (pesquisa de sangue oculto nas fezes), e de um exame endoscópico da porção terminal do intestino (rectosigmoidoscopia) repetido a um intervalo de três a cinco anos.
Embora não haja consenso quanto à utilidade deste rastreio na população em geral, está comprovado que diminui a mortalidade quando é aplicado a indivíduos que apresentam uma história familiar de cancro do cólon e recto, ou outros factores de risco para esta doença.
Sim. Por exemplo, a tuberculose, as doenças sexualmente transmissíveis incluindo a sida e a sífilis, e outras doenças, não devem ser rastreadas em todos os indivíduos adultos, por não haver vantagem nisso, mas apenas quando o médico identifica factores de risco individuais.
A vacina que os indivíduos adultos devem manter actualizada é a vacina anti tetânica, que tem de ser efectuada de 10 em 10 anos para que haja imunidade contra o tétano.
Há outras vacinas que estão indicadas quando existem factores de risco, como por exemplo a vacina contra a gripe, cuja administração anual se aconselha aos indivíduos com mais de 65 anos e àqueles que sofrem de doenças crónicas.
Há uma série de exames que não trazem ganhos em saúde quando realizados «por rotina», na ausência de factores de risco ou de suspeita médica de doença . Entre estes exames estão as análises de sangue e urina realizadas de forma indiscriminada, o electrocardiograma na ausência de factores de risco ou suspeita de doença cardíaca, os exames radiológicos aos pulmões para despiste de cancro do pulmão ou tuberculose a pacientes que não têm sintomas e não são de risco, etc.
A paternidade é uma decisão irreversível e um dos maiores desafios da vida. Os pais deverão sentir-se preparados para o nascimento do filho. Este é certamente o melhor presente que lhe podem dar.
O receio demostrado por alguns maridos, pode ser o reflexo de uma resposta madura, relativa à responsabilidade da paternidade. No entanto, tal não exclui um desejo futuro de terem filhos. Esta preocupação pode servir de ponto de partida para uma discussão importante, entre o casal.
Se a mulher for jovem, poderá ainda esperar algum tempo para engravidar. Este período aumentará certamente a vivência pessoal. Por outro lado, ajudará a uma melhor compreensão intrínseca, facilitando a responsabilidade de ser mãe. Para que tal aconteça é, portanto, altamente benéfico que a mulher se conheça a si própria e que aprofunde o desenvolvimento pessoal.
A probabilidade de uma mulher engravidar é de 10 a 20%, independentemente do ciclo menstrual em causa; as variações dependem em grande parte da idade. No entanto, estas estatísticas tiveram por base um grupo de mulheres que não fez qualquer tipo de cálculo para engravidar.
A maioria das mulheres é aconselhada a consultar um médico após um ano de relações sexuais não protegidas. Há, contudo, quem não defenda esta posição, sobretudo nas mulheres mais velhas, pois hoje em dia as mulheres tendem a ter filhos cada vez mais tarde e um ano poderá ser um período valioso na vida reprodutiva da mulher; além disso, todo este tempo de espera gera grande ansiedade. Por fim, tornam-se desnecessárias tantas tentativas para engravidar porque actualmente é fácil predizer quais os dias mais férteis dos ciclos menstruais.
Um casal que quer ter um filho deverá aprender a conhecer o ciclo menstrual da mulher. Deste modo, se o objectivo não for alcançado nos quatro meses seguintes, o casal terá ainda um ano de avanço para poder detectar potenciais problemas do ciclo.
A probabilidade de engravidar pode ser maximizada quando se observam os dois sinais primários de fertilidade: elevação da temperatura corporal ao acordar e muco cervical. Sabe-se que a maioria das mulheres que engravidou com facilidade controlava os seus ciclos menstruais.
Há quem diga que os métodos contraceptivos alteram a fertilidade feminina. De facto, dois destes métodos são fontes potenciais de problemas futuros. São eles o Dispositivo Intra-Uterino (DIU) e a contracepção hormonal.
No caso do DIU, a mulher tem um risco acrescido de desenvolver Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Esta entidade deve-se à própria inserção do DIU ou à subsequente exposição a doenças sexualmente transmissíveis. No primeiro caso, a inserção conduz à entrada de bactérias no ambiente estéril uterino causando uma infecção grave, se existir uma infecção vaginal, nomeadamente uma Gonorreia ou uma infecção a Clamidia. O D.I.U não é o método de eleição, se existirem múltiplos parceiros sexuais, ou se estes forem de risco.
Muitas mulheres referem que a restituição dos ciclos menstruais, após a interrupção da pílula, é demorada. No entanto, uma vez restabelecidos, estes ciclos, regressam ao seu padrão inicial. Deste modo, uma mulher que tenha menstruações irregulares prévias à hormonoterapia, retomará esse padrão, caso cesse a toma da pílula e não é a pílula a responsável pela infertilidade.
A pílula pode ainda ser responsável por outros problemas mais insidiosos. É disso exemplo, o efeito que exerce ao nível das criptas cervicais. Estes canais são os responsáveis pela produção de muco que, por sua vez, é essencial para que a concepção ocorra. Frequentemente, a pílula destrói as células que revestem estes canais. Assim, na altura da ovulação, torna-se difícil produzir muco para que ocorra a ascensão dos espermatozóides através do colo uterino. A maior parte das vezes, a mulher terá capacidade para regenerar as células destruídas. No entanto, se tal não acontecer, existirá necessidade de recorrer a uma inseminação intra-uterina;
deste modo, será possível ultrapassar esta «barreira biológica» que impede a chegada dos espermatozóides ao destino final, o óvulo.
Sim e não. A irregularidade menstrual não é, por si só, um problema. É, contudo, importante que se aprenda a controlar os sinais de fertilidade (particularmente o muco cervical), para que desta forma seja possível determinar a proximidade da janela fértil. No caso de ciclos menstruais muito longos, a ovulação não é tão frequente quanto em ciclos típicos.
Existem vários factores que determinam a fertilidade da mulher. São exemplos: a idade, a frequência da ovulação, a filância do muco cervical, a permeabilidade das trompas de Falópio, etc. O mais importante é, no entanto, a própria libertação do óvulo. Quando essa libertação é pouco frequente, a probabilidade de engravidar é mais baixa.
As mulheres que apresentam períodos irregulares são muitas vezes medicadas com fármacos que permitem aumentar o número de ovulações.
A idade deverá ser um dos factores determinantes da agressividade terapêutica. A mulher jovem terá, obviamente, mais tempo para estudar os seus ciclos através de métodos naturais ,aprendendo a conhecer as modificações do muco cervical e das curvas de temperatura rectal, tendo assim um maior conhecimento da data provável da ovulação.
A gravidez deve constituir motivo de felicidade. É agradável observar mulheres mais velhas a terem filhos; os dados estatísticos das ciências sociais sugerem que estas crianças são melhor sucedidas a nível escolar e profissional. Tal não significa que as mulheres mais jovens não possam desempenhar um bom papel. As hipóteses de sucesso aumentam, contudo, com a idade.
Sabe-se que há maiores riscos , com a idade materna avançada. Os mais evidentes são os que se relacionam com alterações cromossómicas, como por exemplo, a Síndrome de Down. Nessa idade, este risco é de cerca de um para 42. Os valores são reduzidos para metade (um para 80), quando se recorre a uma ecografia de rastreio às 12 semanas de gravidez. Embora o risco seja pequeno (79 em 80 mulheres terão filhos sem cromossomopatias), é consideravelmente maior quando comparado com o das mulheres mais jovens. Assim sendo, existe um exame realizado sob controle ecográfico, a Amniocentese (colheita de líquido amniótico) que permite despistar estas alterações cromossómicas . Este exame acarreta algum risco (um em 200) pois pode desencadear o aborto ou uma infecção do líquido amniótico além de outras situações raras; é, por isso, importante que os riscos e benefícios sejam equacionados e as mulheres esclarecidas das vantagens e inconvenientes da técnica, antes de qualquer decisão.
Os restantes riscos dependem da própria saúde da mulher. Alguns estudos referem que a idade avançada pode ser causa de alterações do crescimento da criança, parto prematuro, preeclampsia, hipertensão arterial e diabetes. É difícil separar os efeitos isolados da idade, das doenças que surgem à medida que os anos avançam. Se tal fosse possível, seria mais fácil responsabilizar o aumento do risco com base nessas doenças. Assim sendo, quando uma mulher é saudável apenas apresenta um risco ligeiramente superior ao normal. De um modo geral, deverá existir uma maior sensibilização na procura de problemas; no entanto, a gravidez deverá ter os cuidados normais a não ser que surjam alterações aquando das consultas de rotina.
A gravidez pode trazer cansaço e dores intensas; certamente surgirão questões que porão em causa o porquê da própria gravidez. Não esqueça, contudo, que você poderá dar a estabilidade que o seu filho tanto necessita.
Muitas são as dúvidas enumeradas pelos casais, no que se refere à alimentação durante a gravidez. De facto, uma nutrição equilibrada é extremamente importante para o bem estar do seu bebé.
A preocupação com a alimentação deve, idealmente, iniciar-se três meses a um ano antes da concepção. Na altura da gestação, deverão já existir boas reservas nutricionais e um peso corporal adequado. A gravidez não é a época indicada para se fazerem dietas alimentares de emagrecimento.
Para maximizar as reservas nutricionais, antes do início da gravidez, a mulher deverá consumir diariamente:
- dois a três alimentos ricos em cálcio, tais como leite pouco gordo, queijo, iogurte ou sumos enriquecidos.
- frutas e vegetais (cerca de sete vezes). A ingestão de alguns destes alimentos, ricos em ácido fólico (lentilhas, sumo de laranja, espinafres e bróculos), é de extrema importância; vários estudos demostraram uma acção protectora contra malformações do tubo neural. Este grupo deverá ainda incluir fontes alimentares ricas em vitamina C (laranjas, meloa, kiwi e papaia).
- duas porções de carne magra e alimentos com alto teor proteico como, por exemplo, peixe ou aves.
- cerca de seis refeições contendo alimentos integrais, tais como açúcar amarelo, aveia e pão de trigo.
- muitos líquidos.
É igualmente sensato complementar a dieta com suplementos vitamínicos e minerais; estes fornecem cerca de 100 a 150 por cento das doses diárias recomendadas. A mulher deverá, contudo, certificar-se que faz uma ingestão diária de cerca de 400 microgramas de ácido fólico e de 18 miligramas de ferro. Cada vez mais, existem estudos que demonstram a estreita relação entre o consumo destes suplementos e o decréscimo da incidência de defeitos congénitos.
A ingestão de suplementos de ácido fólico, antes da concepção, pode diminuir em 70 por cento o risco de defeitos do tubo neural. Estas alterações ocorrem numa fase precoce da gravidez. Por isso, é recomendado que todas as mulheres em idade fértil consumam, por dia, 400 microgramas de ácido fólico.
A mulher poderá ter dificuldade em obter a dose recomendada de ferro, porque, por vezes, é necessário que aumente o consumo calórico.
Os suplementos de ferro são, no entanto, muito importantes. Fornecem reservas para as necessidades futuras do bebé e para o aumento do fluxo sanguíneo, que se verifica durante a gravidez. A carência de ferro pode provocar algumas complicações, entre as quais fadiga extrema, bebé de baixo peso e cansaço no pós-parto.
Por fim, é necessário mencionar que algumas vitaminas e minerais podem ser lesivas quando tomados em excesso. São disso exemplo, as vitaminas A e D que, quando ingeridas em grandes doses, causam defeitos à nascença. Deste modo, os suplementos escolhidos não devem exceder os 100 a 150 por cento das doses diárias recomendadas, e a ingestão de ácido fólico deve rondar as 400 microgramas. É aconselhável que procure o seu médico assistente e que lhe peça conselhos acerca das doses suplementares por ele recomendadas.
O objectivo destes suplementos é complementar uma dieta, por si só, equilibrada. Os alimentos ingeridos são tão importantes quanto a dose de vitaminas. Uma dieta saudável, combinada com suplementos dará um óptimo ambiente para a formação do ambiente uterino e para o desenvolvimento fetal.
A mulher que engravida após o primeiro ciclo de interrupção da pílula não parece sofrer complicações. Contudo, é correcto esperar um mês antes de engravidar, utilizando nesse mês métodos contraceptivos locais, como o preservativo ou cremes ou cones vaginais (espermicidas).
Os contraceptivos orais diminuem ligeiramente os níveis de algumas vitaminas B. É, por isso, aconselhável que as mulheres que tentam engravidar, façam a ingestão diária de 400 microgramas de ácido fólico.
A espera de alguns meses, com a consequente regularização dos ciclos mentruais, poderá também constituir uma ajuda para datar a gravidez. A maioria das mulheres que cessa a toma da pílula, ovula no ciclo menstrual seguinte; outras necessitam, no entanto, de um período de seis meses para que este fenómeno se volte a repetir. Além disso, um intervalo de três a seis meses irá permitir que o médico calcule a data da gestação com mais rigor.
A marcação de uma consulta médica, prévia à concepção, é um acto importante para os casais que querem ter filhos. Esta consulta tem por objectivo avaliar as tomas das vacinas requeridas. Permite, também, excluir infecções que possam ter um impacto negativo na fertilidade da mulher ou na sua gravidez. É, por isso, necessário que se façam testes para o despiste da rubéola, toxoplasmose, gonorreia, sífilis, clamidia, HIV, vaginoses bacterianas, tricomonas ou outras infecções vaginais. Nesta sessão deverão ainda ser discutidos outros temas, nomeadamente nutrição, tabaco, álcool, medicamentos, drogas e doenças familiares.
É pouco razoável que um médico ordene à sua doente que perca peso. O mesmo seria dizer: «vá para casa e regresse quando a asma estiver resolvida». A obesidade é, contudo, uma condição que embora acarrete problemas e riscos, pode ter tratamento.
O tratamento da obesidade pode ser realizado numa clínica com experiência nessa área. Normalmente, estes locais possuem consultores, médicos e nutricionistas especializados que ajudam facilmente o doente.
Não é necessário pesar 60 quilos para que se possa engravidar. No entanto, a manutenção de um peso adequado, trará benefícios para a própria saúde da mãe (especialmente no que se refere a problemas pulmonares) e do bebé. Assim, se possível, a mulher deverá ser ajudada a perder algum peso, antes que ocorra a concepção.
Uma obesidade marcada é maléfica para a grávida e para o seu filho. Existem várias definições para obesidade. Sabe-se, no entanto, que se a mulher tiver um peso superior ao percentil 95 para a sua altura, existirá um risco dez vezes maior de desenvolver hipertensão crónica. Do mesmo modo, o risco de diabetes gestacional aumenta significativamente. As mulheres obesas tendem a ter bebés grandes, o que favorece o trauma à nascença.
A gravidez pós-termo (que ocorre após a data prevista) é relativamente frequente em mulheres obesas. Nestes casos, podem existir dificuldades durante o trabalho de parto. Uma cirurgia «cesariana» deve, por isso, ser considerada. As complicações mais graves surgem quando a mãe tem um peso igual ou superior a 50 por cento do ideal.
Os dietistas e nutricionistas podem ser uma ajuda preciosa para os obstetras. Algumas complicações podem ser evitadas quando se planeia um regime dietético saudável.
A aprendizagem de alguns sinais relacionados com a ovulação, tais como as alterações do muco cervical e a temperatura corporal basal, podem ajudar o casal a ter um filho com mais facilidade.
A amamentação é um método natural que permite espaçar as gravidezes. A chave da ausência da fertilidade reside no facto dessa ser a fonte maioritária da alimentação do bebé (caso existam menos de 15% de refeições complementares). Do mesmo modo, a frequência e regularidade das amamentações (dia e noite e sem grandes intervalos entre as refeições) contribuem também para essa ausência. Existem, contudo, várias formas capazes de reverter o padrão de fertilidade:
- Aumentar o espaço de tempo entre as amamentações
- Reduzir ou eliminar as refeições nocturnas, deixando um período de cerca de seis horas sem amamentar
- Diminuir a duração da amamentação
- Incluir alimentos sólidos na alimentação do bebé- 25 por cento, aproximadamente
A diminuição do tempo total de amamentação resultará no reaparecimento do período menstrual. Este período assinala, assim, o regresso da fertilidade. Tal não significa, no entanto, que a concepção esteja assegurada. Algumas mulheres continuarão a ter dificuldade em engravidar enquanto amamentam, contudo devem usar métodos associados contraceptivos pois mesmo amamentando podem engravidar.
A amamentação materna é uma prioridade durante o primeiro ano de vida de um bebé. Nesta fase, todas as alterações pensadas pelo casal deverão ser executadas gradualmente. As crianças com menos de um ano, que não podem receber este tipo de alimentação, precisarão de fazer fórmulas suplementares.
Assim que a menstruação regressar é importante que o muco cervical e a temperatura corporal basal sejam avaliadas. A mulher que pretende engravidar deverá ter relações sexuais diárias na altura da ovulação «janela fértil»
Existem indicadores da ovulação que detectam os níveis máximos da Hormona Luteinizante (LH). A LH é a hormona responsável pela ovulação, permitindo a saída do óvulo de um dos ovários. Após este processo, os restos foliculares (corpo lúteo) iniciam a produção de progesterona. Esta hormona termogénica induz, então, uma subida térmica. O aumento da temperatura surge, portanto, um a dois dias após a ovulação e apenas indica que este processo já ocorreu. Por sua vez, o pico da LH precede essa mesma subida em dois a três dias. A ordem dos diferentes processos é o seguinte: LH, ovulação, subida térmica. O pico da LH pode, contudo, surgir, sem que haja uma posterior ovulação. Se tal acontecer, não existirá a subida térmica.
A mulher deve aprender a conhecer os sinais que indicam aumento da fertilidade. O correcto conhecimento do ciclo menstrual permite incrementar as probabilidades de concepção ou, pelo contrário, evitá-la. Do mesmo modo, será mais fácil predizer a data da próxima menstruação, suspeitar de uma provável gravidez ou detectar desvios dos padrões cíclicos típicos. Estes alertas podem constituir uma forma de cuidados de saúde preventivos.
Existem três sinais básicos de fertilidade- temperatura basal corporal, alterações das secreções cervicais " muco cervical " e dor ovulatória que se pode acompanhar de uma pequena hemorragia intermenstrual. Todos estes sinais sofrem mudanças ao longo do ciclo menstrual. A descoberta do próprio ritmo de fertilidade baseia-se na observação diária das alterações.
Para que os sinais de fertilidade sejam compreendidos, é necessário que haja um conhecimento exacto das alterações corporais que decorrem ao longo do ciclo menstrual. A menstruação corresponde à descamação do revestimento uterino interno. Tal só ocorre quando não existe gravidez. No primeiro dia da menstruação (dia um do ciclo menstrual), os níveis de estrógeneos e progesterona encontram-se muito baixos. Posteriormente, verifica-se um aumento gradual dos estrógeneos, com proliferação do revestimento interno do útero. Este crescimento reflecte uma preparação para a gravidez. As hormonas dominantes, nas duas primeiras semanas do ciclo, são os estrógeneos. O seu nível máximo é atingido por volta do décimo quarto dia, imediatamente antes da ovulação. Este pico hormonal permite, então, que um ovário liberte um óvulo; a sua fertilização poderá ocorrer nas 12 a 24 horas seguintes. Os casais que pretendem ter um filho deverão, por isso, ter relações sexuais nesta altura. Após a ovulação, os níveis de estrógeneos caem. A progesterona, pelo contrário, aumenta e torna-se dominante nas duas semanas seguintes. Esta hormona promove a maturação do revestimento uterino, tornando-o mais compacto. O suporte e nutrição de um possível óvulo fertilizado ficam, deste modo, assegurados. Se a implantação do ovo não ocorrer, os níveis de progesterona baixam. Após 48 horas inicia-se a menstruação (por volta do dia 28).
A temperatura corporal basal (TCB), ou temperatura do corpo em repouso, é mais baixa nas duas primeiras semanas do ciclo menstrual. Este facto deve-se à existência de altos níveis de estrógeneos. Nesta fase, a temperatura típica é cerca de 36.4ºC. Com a ovulação, a progesterona “aquece” o ambiente, verificando-se um aumento de 0.2 a 0.3 graus; estes valores mantêm-se até ao período menstrual seguinte. O incremento da temperatura assinala a ovulação. No entanto, se a TCB se mantiver elevada, mesmo após o período menstrual, poderá ser indicadora de gravidez.
Para medir a TCB, é importante que sejam respeitadas as seguintes linhas de orientação:
- Utilize um termómetro especial para o efeito;
- Caso utilize um termómetro de mercúrio, normalize a temperatura desse, antes se de deitar;
- Coloque o termómetro perto da cama;
- Guarde um caderno e uma caneta junto de si, de modo a anotar a sua temperatura diariamente;
- Meça a temperatura de manhã - mesmo antes de se dirigir à casa de banho;
- É importante que meça a temperatura sempre à mesma hora;
- Conserve o termómetro no seu corpo durante cinco minutos; só depois faça a leitura.
A febre, as alterações emocionais ou do sono, o consumo de álcool e a utilização de um cobertor eléctrico ou de um saco de água quente podem afectar a TBC.
A anotação da TCB deve ser iniciada no primeiro dia do ciclo menstrual (primeiro dia da menstruação). Posteriormente, o registo diário deve ter em conta: a TCB, possíveis causas para alterações da temperatura, existência ou não de relações sexuais e presença ou não de menstruação. Esta caracterização é de extrema importância, não só para a mulher, mas também para o médico. Deste modo, será mais fácil conhecer a janela fértil e atingir objectivos- alcançar ou evitar a gravidez.
O muco cervical funciona como uma «cancela», seleccionando o que pode ou não atingir o útero. As secreções variam de acordo com as mudanças hormonais que ocorrem ao longo do ciclo. Uma vez terminada a menstruação, a vagina fica seca e o muco torna-se mais espesso. No entanto, à medida que a ovulação se aproxima, as secreções ficam mais transparentes e filantes (propriedade que permite formar um fio à medida que se separam as secreções contidas entre dois dedos). Estas alterações correspondem ao pico de fertilidade. O muco actuará, deste modo, como um óptimo lubrificante, facilitando a ascensão dos espermatozóides para o colo uterino.
As alterações do muco cervical relacionam-se com a sua consistência, quantidade e cor. Esta avaliação deve ser feita sempre à mesma hora. As mulheres podem observar as modificações quando se limpam com papel higiénico branco. No entanto, será mais fidedigno inserir um ou dois dedos na vagina e avaliar directamente as secreções.
- A vagina encontra-se seca, húmida ou muito lubrificada?
- As secreções permanecem nos seus dedos ou no papel higiénico?
- O muco cervical é filante e viscoso ou cremoso e espesso?
- As secreções são transparentes, brancas ou praticamente inexistentes?
- É capaz de formar um fio à medida que estica o muco cervical entre os dedos? (se sim, este é um muco muito fértil!).
A estimulação sexual, a presença de sémen, de lubrificantes ou espermicidas, de anti-histamínicos (aumentam a secura), de descongestionantes (aumentam a liquefacção) ou de uma infecção vaginal podem alterar as secreções cervicais.
A posição do colo do útero (porção mais baixa do útero), pode fornecer informações importantes quanto à fertilidade subjacente. Na primeira metade do ciclo menstrual, o colo encontra-se firme e numa posição baixa. Por volta da altura da ovulação, amolece, eleva-se e a sua abertura aumenta. Deste modo, torna-se mais receptivo ao esperma, facilitando a chegada dos espermatozóides ao óvulo. Após a ovulação, o colo volta a ficar duro e a entrada diminui.
Seguem-se algumas linhas de orientação que permitem avaliar a posição do colo uterino:
- Lave as mãos;
- Faça as avaliações sempre à mesma hora do dia;
- Muitas mulheres consideram mais fácil fazê-lo enquanto estão sentadas na sanita;
- Introduza, com cuidado, um ou dois dedos na vagina. Ao inclinar-se para trás sentirá o colo uterino;
- Sente o seu colo com facilidade (baixo) ou com dificuldade (alto)?
- Parece-lhe mole (como os lábios) ou firme (como o nariz)?
- A entrada está ligeiramente aberta ou fechada?
- Parece-lhe seco, húmido ou muito lubrificado?
- Anote as suas observações.
Será que existem posições sexuais que permitem incrementar as probabilidades de engravidar?
Existem várias formas de aumentar as hipóteses de concepção. Após uma relação sexual, a mulher poderá, por exemplo, colocar uma almofada debaixo das ancas; deverá permanecer assim cerca de 20 minutos. Deste modo, a ascenção dos espermatozóides para o colo uterino é facilitada. No entanto, a almofada em causa não pode ser demasiado grande. Se tal acontecer, o esperma será empurrado para trás do colo.
As mulheres que apresentam o útero elevado, podem ser melhor sucedidas caso tenham relações sexuais na posição de gatas.
A resposta a esta questão será: «depende». Em primeiro lugar, é importante que se faça uma consulta pré-gestacional. Nesta altura, o médico realizará um exame físico e uma citologia. Pedirá também alguns exames complementares, tais como o título da rubéola e testes para as doenças sexualmente transmissíveis.
O médico poderá ainda informar a mulher acerca da sua janela fértil e instruí-la quanto à alimentação que deverá fazer. É disto exemplo, a cessação alcoólica e tabágica e a suplementação com ácido fólico.
A contagem do ciclo menstrual inicia-se no primeiro dia da menstruação e termina no primeiro dia da menstruação seguinte. De uma maneira geral, as mulheres que apresentam ciclos regulares de 28 a 30 dias, verão incrementadas as probabilidades de engravidar, no período compreendido entre o dia 12 e o dia 16 do ciclo menstrual.
Em condições ideais (muco ovulatório e pH não ácido), os espermatozóides sobrevivem cerca de 72 horas no corpo da mulher. No entanto, o tempo de fertilização do óvulo é de apenas 12 horas. A concepção terá mais sucesso se a relação sexual ocorrer um a dois dias antes da ovulação. Desta forma, tudo estará pronto quando o óvulo for libertado. Um estudo recente, publicado no «New England Journal of Medicine», refere não terem ocorrido gravidezes nos dias seguintes à ovulação; a concepção foi, no entanto, bem sucedida nos casais que tiveram relações sexuais prévias à ovulação.
A medição da temperatura deve ser efectuada por via oral ou rectal antes do levantar. Os termómetros digitais são muito utilizados, na medida em que são eficazes e de fácil utilização. A mulher que efectua estas anotações não deve fumar. O tabaco pode alterar as medições da temperatura oral.
Estima-se que a disfunção ovulatória atinge 40 por cento das mulheres que sofrem de infertilidade. A anotação da TCB é certamente uma importante fonte de informação, no que respeita ao estatuto ovulatório da mulher.
O método da temperatura é ainda de grande utilidade na avaliação e tratamento da infertilidade, porque permite confirmar a ovulação. É também uma auxílio precioso para os casais, ajudando-os a compreender o processo fisiológico em causa. Não é, contudo, capaz de predizer a ovulação e pode ser influenciado por numerosos factores, conduzindo a inexactidões não desejáveis. No entanto, a correcta avaliação do médico identificará, na maior parte das vezes, os períodos férteis dos ciclos menstruais.
O mecanismo subjacente à natureza bifásica da temperatura ovulatória é a produção de progesterona. Esta é uma hormona termogénica que habitualmente causa um aumento da temperatura na ordem dos 0.2º a 0.5º C. Para que tal se verifique, é necessário que os valores séricos sejam superiores a 4 ng/ml. A sua produção inicia-se após a ovulação, através do corpo lúteo. De um modo geral, a elevação da temperatura surge dois dias após o pico da LH (estímulo ovulatório) e um dia após a ovulação. Esta situação mantém-se durante 10 dias. A análise da TCB não permite predizer a ovulação; apenas confirma a sua existência. Além disso, pode ser afectada por múltiplos factores resultando daí várias imprecisões. No entanto, apesar de todas estas limitações, continua a ter um papel importante na avaliação e tratamento da infertilidade.
Têm sido introduzidos no mercado novos produtos que combinam a informação fornecida pela TCB com outros doseamentos hormonais, que variam ao longo do ciclo. Esta combinação permite prever, com maior eficácia, a altura correspondente à janela fértil.
Já são largamente conhecidos os efeitos adversos do alcoolismo crónico na função reprodutiva. No entanto, só recentemente foram caracterizadas as alterações provocadas pelo consumo moderado de álcool.
O alcoolismo associa-se com frequência a disfunções do eixo hipotálamo-hipófise-ovários. Muitas são as consequência que daí podem advir: amenorreia (ausência de menstruação), anovulação (inexistência de ovulação), disfunção da fase lútea (alteração do revestimento endometrial) e hiperprolactinemia. De entre as consequências adversas do álcool destacam-se ainda: a infertilidade, o aumento do risco de abortos espontâneos e as alterações do desenvolvimento e crescimento fetais.
Algumas pesquisas efectuadas em ratos, demonstraram que os efeitos teratogénicos do álcool são mais evidentes quando vários oócitos são ovulados. Assim sendo, é importante que sejam conhecidos os hábitos alcoólicos de todas as mulheres que fazem gonadotrofinas (esta terapêutica é indutora da ovulação).
A síndrome do álcool fetal foi primeiramente descrita por Jones, em 1973. Caracteriza-se por alterações do crescimento, atraso mental, distúrbios comportamentais e uma face atípica em forma de coração. Podem ainda encontrar-se defeitos cardíacos congénitos e alterações cerebrais. A síndrome ocorre em 30 a 40% dos recém-nascidos de mães alcoólicas. No entanto, os efeitos nefastos do álcool podem ser igualmente observados com níveis de ingestão muito inferiores. Se as causas genéticas forem excluídas, verifica-se que a ingestão de álcool é a principal causa de atraso mental. Ainda não foram definidos níveis seguros para o consumo de álcool, na mulher grávida.
A ingestão excessiva de álcool está associada a numerosas disfunções ovulatórias. O álcool deve, por isso, ser evitado em situações de infertilidade e particularmente de anovulação. Não foram definidos níveis seguros para o seu consumo, na grávida. Aconselha-se, portanto, a abstinência total durante a gravidez.
Os casais inférteis que procuram ajuda especializada deverão ser aconselhados quanto ao consumo de álcool. Deste modo, graves consequências poderão ser evitadas. Aconselham-se todos os doentes que abusam ou que estão dependentes da ingestão de bebidas alcoólicas, a procurarem ajuda e a submeterem-se a um tratamento. Só posteriormente estarão aptos para iniciar uma técnica de reprodução assistida.
Uma cerveja, um copo de vinho ou uma mistura de bebidas contêm cerca de 15g de álcool. Um consumo moderado de álcool caracteriza-se por uma ingestão diária de quatro a seis bebidas (60 a 90g). O alcoolismo surge quando essa ingestão é superior a oito bebidas (120g), por dia.
Vários trabalhos sugerem que o tabaco diminui as probabilidades de uma gravidez bem sucedida, e que exerce efeitos adversos na saúde da criança. Um estudo britânico demonstrou que os casais fumadores apresentam o dobro do risco de não terem filhos, relativamente aos não fumadores. Este estudo foi realizado cinco anos após a interrupção do uso de contraceptivos.
Pensa-se que o tabaco reduz o número de oócitos (óvulos) nos ovários. Esta redução resulta do facto das mulheres fumadoras atingirem a menopausa mais cedo, quando comparadas com as não fumadoras. Em modelos animais ficou já demonstrado que a nicotina interfere com a ovulação e a fertilização dos óvulos. O tabaco altera ainda a função das trompas de falópio e o nível das hormonas reprodutivas, dificulta a implantação do embrião e, alterando a função imune, aumenta o risco de doença inflamatória pélvica. O número de gravidezes ectópicas duplica e surgem também outras complicações, tais como aborto espontâneo e parto pré-termo. Os bebés nascidos de mães fumadores apresentam, frequentemente, alterações do desenvolvimento, doenças respiratórias e um aumento da incidência da síndrome de morte espontânea infantil.
Fumar reduz a fertilidade e conduz a uma série de complicações gestacionais.
A qualidade do esperma parece ser mais afectada pelo calor, do que a própria quantidade. No entanto, a intensidade e a duração da exposição são variáveis de extrema importância. Determinados empregos podem submeter o homem a situações de subfertilidade. São disso exemplo, os trabalhadores expostos a radiações térmicas. A vibração excessiva, o uso de cuecas em detrimento de «boxers» e os banhos turcos não têm, no entanto, reunido consenso quanto à alteração da fertilidade. É, assim, aconselhado que os homens que pretendem ter filhos interrompam a exposição prolongada ao calor.
A qualidade do esperma é recuperada pouco tempo após a paragem da exposição ao calor. Ao fim de uma semana, as contagens voltarão a ficar normalizadas.
A grávida que possui gatos não se deve preocupar em demasia com a toxoplasmose. No entanto, a situação inverte-se caso os animais tenham sido contaminados à nascença com oócitos. A melhor arma de defesa caseira é, sem dúvida, a lavagem das mãos.
Os gatos poderão ser rastreados para a toxoplasmose, no próprio veterinário. Do mesmo modo, a mulher grávida pode submeter-se a uma pesquisa de anticorpos (a maioria das mulheres têm anticorpos e não estão em risco de desenvolver a doença), ou a testes sanguíneos que permitem detectar a doença aguda.
A infertilidade define-se como a impossibilidade de engravidar após 12 meses de relações sexuais regulares não protegidas. Este problema leva cerca de um milhão de casais a procurarem ajuda médica.
Ao avaliar um casal, o médico iniciará uma série de estudos com o intuito de diagnosticar e tratar as causas óbvias da sua infertilidade. Posteriormente, será o próprio casal a determinar a extensão dessa avaliação. Para tal, importam os sentimentos do casal, a aceitação dos vários procedimentos, o aspecto económico e o impacto que o tratamento exerce na sua vida diária. O clínico deverá demonstrar uma sensibilidade particular, relativamente à saúde emocional e capacidade de cooperação do casal. Habitualmente, muitos dos médicos responsáveis reconhecem os limites das suas capacidades, referenciando os seus doentes a uma ajuda mais especializada.
Níveis de tratamento recomendados: Os doentes devem discutir a sua situação particular com o médico assistente. Deve também ser acordado um limite temporal, para que sejam realizados os exames necessários e concluídos os regimes de tratamento. Caso o sucesso não seja atingido, é importante uma eventual referência a um endocrinologista ou a um especialista em infertilidade.
Actualmente, os potenciais problemas reprodutivos são partilhados de igual forma pelo homem e pela mulher. Estima-se que a mulher seja responsável em 40% dos casos. Os homens têm também uma responsabilidade semelhante (40 por cento). Em 20%, a alteração reside em ambos os parceiros. Independentemente da responsabilidade, a situação deve ser encarada e tratada como um problema do casal.
A totalidade do sistema reprodutivo (hipotálamo, hipófise, ovários, pélvis, trompas de Falópio, útero e vagina, para a mulher, e hipotálamo, hipófise, testículos, canais deferentes, vesículas seminíferas, próstata, uretra e pénis para o homem) tem de estar intacto e integrado para que a função reprodutiva tenha sucesso. Uma história clínica cuidada terá por objectivo pesquisar os principais factores de risco de cada um destes componentes. Seguem-se alguns exemplos de patologias que podem afectar os diferentes componentes do sistema reprodutivo:
Doenças sistémicas: diabetes, insuficiência renal, disfunção da tiróide, anorexia nervosa, doença hepática, hemocromatose, trombose vascular (trombos)
Hipotálamo: traumatismo craniano, pesos extremos, stress, excesso de exercício, lesões do SNC, Síndrome de Kallman, perturbações alimentares, irradiação do SNC por tumor infantil
Hipófise: tumores (prolactinoma, doença de Cushing, acromegalia), pan-hipopituitarismo pós-parto (Síndrome de Sheehan), irradiação do SNC por tumor infantil, traumatismo craniano, uso de antidepressivos ou de outras medicações psicotrópicas
Ovários: endometriose, síndrome dos ovários poliquisticos, tumores, trauma cirúrgico, lesão por radiações/ quimioterapia, tabaco, álcool, falência ovárica prematura
Pélvis/ Trompas de Falópio: uso de DIU, doença inflamatória pélvica, ruptura de apendicite, gravidez ectópica prévia, cirurgia pélvica prévia, endometriose, doenças sexualmente transmissíveis
Útero: malformações embriológicas (útero bicórneo, septado), fase lútea inadequada, instrumentação cirúrgica prévia, sinéquias intra-uterinas (Síndrome de Asherman), fibromas
Colo uterino: exposição prévia a dietilestilbestrol, cirurgia cervical passada, criocoagulação prévia, incompetência cervical pós-parto, colo duplo
Vagina: malformações embriológicas (septo vaginal, hímen imperfurado), relações sexuais dolorosas (dispareunia), vaginismo
Testículos: papeira juvenil, trauma, doenças sexualmente transmissíveis, varicocelo, exposição a toxinas(tabaco, álcool, marijuana, sulfasalazina)
Pénis e restantes órgãos sexuais masculinos: disfunção sexual, trauma, impotência, lesão da espinhal medula, pequena quantidade de secreção seminal.
Recomendações:
A maioria dos médicos segue um determinado modelo clínico que os auxilia na pesquisa de potenciais factores de risco, para a infertilidade. Uma reflexão cuidada acerca das questões enunciadas neste trabalho, poderá ser uma ajuda preciosa para o médico assistente.
A infertilidade inexplicável é diagnosticada quando não é possível demonstrar uma causa óbvia para a sua existência. Caso os exames usuais não tenham sido conclusivos (história clínica, exame físico, TCB, análise do sémen e histerosalpingograma), pode-se recorrer a uma laparoscopia. Este procedimento permite avaliar a presença ou não de patologia pélvica. De entre estas, destacam-se: endometriose, aderências ou oclusões tubárias, aderências pélvicas e alterações anatómicas uterinas e/ou tubárias. O tratamento de muitas destas entidades pode ser realizado aquando da realização da laparoscopia.
A laparoscopia é habitualmente uma das últimas avaliações a ser programada. A sua realização requer a existência de uma história clínica e de um exame físico inconclusivos. Caso se preveja que a laparoscopia seja normal ou desnecessária, então o diagnóstico de fertilidade inexplicável pode ser aplicado. Os doentes com esta patologia comportam uma taxa de gravidez de cerca de dois a seis por cento, por ciclo. Após três anos, a gravidez espontânea ocorre em 65% destas mulheres. Este valor aumenta para 70 por cento, ao fim de cinco anos. Assim sendo, o adiamento da terapêutica poderá ser uma das melhores opções, para estes casais.
Quando comparadas com a inseminação ou com a utilização isolada de fármacos, verifica-se que a superovulação associada à inseminação melhoram a taxa de gravidez, por ciclo. A escolha de um agente que permita a superovulação deverá ser discutido com um especialista em infertilidade.
O citrato de clomifeno e as gonadotrofinas são utilizados nestas situações. Quanto ao primeiro, os custos são razoáveis e o risco de gravidezes múltiplas é baixo (cinco a oito por cento). No entanto, caso ocorram, mais de 95 por cento correspondem a gémeos.
As gonadotrofinas devem ser administradas por especialistas treinados no seu uso e monitorização. O risco de desenvolvimento de gravidezes múltiplas, com estes medicamentos, aumenta em 25 a 30%. Adicionalmente, o custo monetário do tratamento aumenta de forma considerável. Os ciclos são, por vezes, cancelados (em 10 a 20% dos casos) devido a respostas exageradas ou mínimas. A síndrome da hiperestimulação ovárica pode surgir em um a quatro por cento das mulheres que fazem gonadotrofinas.
Quando se diagnostica infertilidade inexplicável, as opções terapêuticas são variadas: ausência de tratamento, inseminação intra-uterina, ciclos empíricos de clomifeno associados ou não a inseminação, superovulação com inseminação utilizando gonadotrofinas, GIFT e fertilização in vitro (FIV). A análise cuidada de cada situação individual poderá facilitar a escolha terapêutica.
A fertilização in vitro (FIV), compreende a estimulação de múltiplos folículos ováricos, a recuperação de óvulos via aspiração transvaginal, a fertilização de oócitos em laboratório e a transferência de embriões para o útero.
Existem alguns riscos associados à FIV. Destes destacam-se: a possibilidade de falência, gravidezes múltiplas, cancelamento, síndrome da hiperestimulação ovárica e gravidez ectópica.
O risco de falência da FIV está dependente da categoria diagnóstica do casal. Esse risco está compreendido entre os 25 e os 90%. Assim, uma mulher que tenha tido uma doença tubária prévia, poderá ter uma taxa de gravidez na ordem dos 70 a 75%. Por outro lado, os casais cuja mulher tenha idade avançada e cujo o homem tenha patologia grave, terão valores inferiores a 10 por cento, por ciclo.
As gravidezes múltiplas surgem em, aproximadamente, 10 a 30% dos ciclos. O seu determinante crítico é o número de embriões transferidos. Assim sendo, este número deverá ser determinado em conjunto entre o médico e o casal. Os endocrinologistas especializados em reprodução, estão certamente alertados para as complicações possíveis que daí podem advir. Têm, por isso, utilizado técnicas que evitam esse tipo de gravidez.
Na FIV foram estabelecidos valores padrão, relativos ao número de ovos e esperma e ao número de embriões transferidos. O cumprimento destas orientações permite reduzir a incidência de gravidezes múltiplas.
O cancelamento ocorre porque a resposta da mulher ao regime indutor da ovulação é fraca ou, pelo contrário, excessiva. As taxas de cancelamento variam entre os 5 e os 25%. Estes valores aumentam quando são consideradas mulheres com idade superior a 39 anos. Resultam, normalmente, de respostas inadequadas à estimulação.
A síndrome de hiperestimulação ovárica (SHO) corresponde ao desenvolvimento de um grande número de folículos. Caracteriza-se por um aumento marcado do tamanho dos ovários, níveis elevados de estradiol e acumulação de fluído na cavidade pélvica ou abdominal. Esta acumulação é o resultado do aumento da permeabilidade vascular, com a consequente passagem de fluido e proteínas para o espaço abdominal. A diminuição do volume intravascular resulta no aumento da viscosidade sanguínea, no risco de desenvolvimento de tromboses e na má perfusão dos órgãos. Caso esta síndrome se desenvolva, a doente poderá: cancelar o tratamento; continuá-lo, sujeitando-se aos riscos já conhecidos; parar temporariamente a estimulação; conservar os embriões no frio, adiando a sua transferência.
Após a FIV, o risco de desenvolvimento de gravidez ectópica é de 2 a 5%. Existem, contudo, outros factores que podem aumentara sua incidência: cirurgias abdominais, gravidez ectópica ou infecção pélvica prévias, presença de hidrosalpinge ou de fibromas e utilização de determinado tipo de catéteres.
Um estudo epidemiológico, realizado em 1992 por Whittemore e colaboradores, sugere uma forte associação entre fármacos utilizados no tratamento da infertilidade, e o surgimento do cancro do ovário. Infelizmente, este estudo contém erros metodológicos significativos. Estudos prospectivos ulteriores, não conseguiram demonstrar um risco claro entre a utilização de gonadotrofinas e a existência de neoplasia ovárica. Verifica-se, contudo, que o aparecimento deste cancro diminui significativamente com a gravidez. As mulheres que têm um risco acrescido (história familiar, síndrome do ovário poliquístico, história familiar de cancro do cólon), devem ser alertadas para tal.
A FIV comporta ainda outros riscos: lesão da bexiga, do intestino, dos vasos sanguíneos ou do ureter aquando da manipulação transvaginal; necessidade de intervenções cirúrgicas adicionais; dor ou infecção em torno dos locais de injecção; reacções alérgicas a medicamentos.
Os medicamentos mais vezes prescritos no tratamento da infertilidade são o citrato de clomifeno, as gonadotrofinas, os agonistas da hormona libertadora de gonadotrofinas, a progesterona e outras substâncias da família.
Medicamentos indutores da ovulação
O citrato de clomifeno é o fármaco mais utilizado como indutor da ovulação. É relativamente barato e altamente eficaz. Quando a infertilidade resulta apenas da ausência de ovulação, a maioria dos casais consegue ter um filho após quatro a seis meses. Caso a gravidez não seja atingida, é provável que existam outros factores que complicam a situação. Para que o medicamento actue, é necessário que o eixo hipotálamo-hipófise-ovários esteja intacto. O citrato de clomifeno liga-se aos receptores dos estrogéneos. Deste modo, consegue “enganar” o hipotálamo que, por sua vez, percepciona níveis baixos hormonais. Este sinal activa, então, a hipófise, ocorrendo um aumento da libertação de gonadotrofinas (FSH e LH). Estas estimulam o desenvolvimento dos folículos ováricos, aumentando ainda mais a produção de estrogéneos. Os efeitos secundários da medicação incluem afrontamentos e gravidez múltipla (normalmente em um a dois por cento dos casos). Raramente, surgem distúrbios da visão, que cessam após a interrupção terapêutica.
As gonadotrofinas humanas menopáusicas (hMG) e a FSH humana recombinante (r-FSH) são gonadotrofinas injectáveis.
A hMG é um produto derivado da urina humana (com componentes da FSH e da LH), que é administrado através de uma injecção intramuscular. A r-FSH (FSH pura) é um produto sintético (executado pelo homem) que pode ser administrado através de uma injecção subcutânea. Estes medicamentos são extremamente potentes. Devem, por isso, ser unicamente prescritos por médicos com grande experiência na sua utilização. Os endocrinologistas especializados em reprodução têm esse treino e experiência. O mecanismo de acção destes fármacos consiste na indução do desenvolvimento folicular (formação de um óvulo maduro). A sua monitorização faz-se através de avaliações ecocardiográficas seriadas e de medições dos níveis séricos de estradiol (E2).
Agonistas da hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRHa)
Estes medicamentos são substâncias sintéticas que mimetizam a estrutura da hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH). Numa fase inicial, a ligação ao receptor provoca uma libertação das gonadotrofinas (FSH e LH). No entanto, surge posteriormente uma dessensibilização e desregulação das acções normais da GnRH, ocorrendo uma supressão desses níveis hormonais. Esta supressão resulta em níveis de estrogéneos semelhantes aos verificados durante a menopausa. Estes medicamentos são utilizados em mulheres com endometriose e para procedimentos de reprodução assistida.
Progesterona e progestativos
A progesterona é uma hormona esteróide produzida pelo corpo lúteo, após a ovulação. A sua presença é essencial para o crescimento do endométrio (revestimento uterino). Este constitui uma base capaz de suportar a implantação e crescimento do embrião. Existem várias formas e vias de administração da progesterona e dos seus derivados.
Os casais inférteis vivem frequentemente situações de ansiedade. Esta caracteriza-se por um aumento da frequência cardíaca, palma das mãos húmidas e vasoconstrição periférica (extremidades frias). Se estes sinais se mantiverem durante algum tempo, sintomas crónicos, como as insónias e a depressão, podem vir a desenvolver-se. Estes casais poderão necessitar de acompanhamento especializado.
Stress e infertilidade:
O stress crónico pode conduzir a alterações hormonais, que afectam a função ovulatória, e à produção anormal de esperma. Como resultado final surgem, portanto, a anovulação e contagem diminuída de esperma. Os tratamentos ineficazes, podem conduzir a situações de frustração e a sentimentos de desespero e de impossibilidade de ajuda. Nestas alturas, são, por vezes, tomadas decisões inapropriadas relativas ao tratamento da infertilidade. Alguns casais, pressionados pelo desejo de terem filhos, escolhem terapêuticas desnecessárias. Parafraseando Robert Frost, «Por vezes, a única maneira de resolvermos um problema é atravessando-o». Esta situação requer um reconhecimento correcto dos próprios problemas e a sua resolução apropriada. Vários programas trabalham com assistentes responsáveis pela discussão destes assuntos.
Lidar com o stress da infertilidade:
Muitas vezes, os membros de um casal infértil acusam-se mutuamente. A harmonia marital depende da abertura de portas de comunicação, e da capacidade de suporte e de conforto. O aconselhamento matrimonial, em grupo, pode ser uma ajuda importante para estes casais. Do mesmo modo, o exercício regular e as técnicas de redução do stress são fortemente aconselhadas. O doente verá a sua situação mais controlada, caso se torne um participante activo do plano de tratamento.
Recomendações:
A partilha de sentimentos deverá ser uma situação confortável para o casal. É igualmente importante que seja pesquisada informação acerca do tratamento em causa. Se o sucesso terapêutico não for atingido, deverá ser desenvolvido um plano com mecanismos de contingência. É pouco aconselhado que o casal se endivide financeiramente, como consequência da infertilidade. Se os custos terapêuticos forem excessivos, será melhor recorrer a outras opções como, por exemplo, a adopção.
As tentativas forçadas de ter um filho conduzem vários casais à diminuição do desejo sexual. O mesmo acontece com muitos casais, após o nascimento do tão esperado bebé. O casal precisa de tempo para si próprio. É importante que nestas alturas todas as energias sejam recanalizadas para a relação.
Por:
Pedro Farto e Abreu
Cardiologista
ClinicaCuf Cascais
As doenças cardiovasculares são hoje a principal causa de morte nos países mais desenvolvidos. Estimativas da Organização Mundial de Saúde, prevêm que esta continue a ser a maior causa de mortalidade nos próximos 20 anos, apesar de todos os programas de prevenção levados a cabo nestes países. A gravidade deste problema é tão grande, que as mesmas estimativas prevêm que as doenças cardiovasculares se tornem também na maior causa de morte, mesmo nos países em vias de desenvolvimento, pelo que importa olhar de frente esta questão e encontrar as soluções necessárias.
Como principais causadoras da mortalidade e morbilidade no âmbito das doenças cardiovasculares, temos as doenças das artérias coronárias (que irrigam o musculo cardíaco) e as doenças cérebro-vasculares, responsáveis, na maioria dos casos pelos acidentes vasculares cerebrais ou AVC’s.
Factores de risco e tratamento
Os principais factores de risco da doença das artérias coronárias são a hipertensão arterial, a diabetes, o tabagismo, a dislipidemia (colesterol e/ou triglicéridos aumentados), e a história familiar próxima (pais, tios direitos e irmãos, com doença comprovada antes dos 65 anos).
O desenvolvimento científico, vai certamente levar a que muito em breve outros factores de risco passem também a ser decisivos, tais como: hábitos de vida sedentários, stress, obesidade, frequência cardíaca basal aumentada, além de alguns marcadores bioquímicos, tais como a PCR, homocisteina, fibrinogénio entre outros.
A doença das artérias coronárias é uma doença crónica, que uma vez estabelecida, pode ser retardada na sua evolução, mas não tem cura. Por isso, a forma mais correcta de lhe fazer frente diz respeito à sua prevenção.
No entanto o seu tratamento está muito desenvolvido, bem através dos múltiplos fármacos à nossa disposição, como a utilização crescente da angioplastia coronária (dilatação com balão ou colocação de “stent” coronário, na artéria estenosada) ou da cirurgia de “by-pass” coronário para os casos mais delicados.
Porquê se deve desenvolver uma estratégia preventiva na prática clínica?
Em primeiro lugar como já mencionado, porque a doença cardiovascular constitui a primeira causa de morte, mas é também uma importante causa de incapacidade e por isso contribui para o aumento dos custos com a saúde. Depois porque a aterosclerose se desenvolve de uma forma insidiosa, ao longo de vários anos, e muitas vezes já está num estado avançado quando surgem os primeiros sintomas, que podem ser a morte súbita, antes de serem prestados os cuidados médicos. Por fim, porque a ocorrência da maioria das doenças cardiovasculares se relaciona muito com os estilos de vida e com factores fisiológicos e bioquímicos modificáveis, como comprovado com a diminuição da mortalidade e morbilidade, especialmente em indivíduos de risco acrescido, pelas alterações desses mesmos factores de risco.
Quais são os objectivos da prevenção das doenças cardiovasculares?
- Ajudar os que apresentam um baixo risco de doença a manter essa condição, e ajudar aqueles com risco global mais elevado a reduzi-lo;
- Alcançar as características dos que têm tendência para se manter saudáveis: Não fumar, fazer escolhas alimentares saudáveis, 30 minutos de actividade física diária, evitar o excesso de peso, manter a pressão arterial abaixo dos 140/90 mm de Hg, manter um colesterol total abaixo de 190 mg/dl, e uma glicemia abaixo de 110 mg/dl
- Conseguir um controlo mais rigoroso dos factores de risco em indivíduos de alto risco, especialmente aqueles com doença cardiovascular prévia ou diabetes: Pressão arterial abaixo dos 130/80, colesterol total e LDL abaixo de 175 e 100 respectivamente e glicemias inferiores a 100.
Estes são os objectivos fundamentais da prevenção das doenças cardiovasculares, aos quais todos em geral devem prestar grande atenção.
Só de uma forma conjunta e organizada entre a população em geral e os médicos será possível combater este flagelo da saúde publica, e melhorar significativamente a esperança de vida da população com boa qualidade de vida e activa.
Por:
Maria Teresa Filipe Ginecologista / Obstetra da Clinica
Cuf Cascais
O cancro do colo do útero é o segundo cancro mais frequente na mulher jovem entre os 15 e os 44 anos, ultrapassado apenas pelo cancro da mama. Na Europa é responsável por 40 mortes diárias e em Portugal, são diagnosticados anualmente mais de 900 novos casos.
Qual a causa?
A causa do cancro do colo do útero é um vírus, o Papilomavírus Humano (HPV). Com efeito, sabe-se que a infecção persistente por um tipo de HPV de alto risco, é condição necessária para o desenvolvimento do cancro do colo do útero, i.e. uma mulher que sofre desta doença maligna teve certamente,algures na sua vida, uma infecção persistente por um tipo de HPV de alto risco.
Ao prevenirmos a infecção, estaremos a prevenir o futuro desenvolvimento do cancro.
Como se transmite a infecção?
A infecção por HPV é de transmissão sexual. Pode afectar qualquer individuo que tenha iniciado a sua actividade sexual e não é eficazmente prevenida pelo uso de métodos contraceptivos de barreira (preservativos, diafragmas) .Saliente-se que a infecção por HPV não implica necessariamente a penetração coital. Não é uma infecção de grupos de risco, mas um marcador de actividade sexual – o risco de desenvolver a infecção ao longo da vida está estimado em 70-80%.
O risco mantém-se ao longo da vida, mas as idades em que a infecção é mais frequente são entre os 16 e 24 anos, podendo haver um segundo pico de infecção, de menor amplitude, depois dos 40 anos.
Mas há também boas notícias!. Embora o HPV seja muito frequente e infeccioso, a maioria das infecções por este vírus desaparecem espontaneamente ao fim de 1 a 2 anos. Todavia, nos casos em que isto não acontece (10-20%), a infecção torna-se persistente e pode causar lesões pré-cancerosas e, eventualmente, cancro invasivo, ao fim de alguns anos.
Estão identificados mais de 120 tipos de HPV, que se distinguem entre si pelo tipo de lesões que podem causar e o risco que apresentam. Assim, a maioria dos tipos de HPV são cutâneos e relativamente inofensivos, sendo responsáveis pelas vulgares verrugas das mãos e dos pés.
São conhecidos 15 tipos de alto risco , que podem causar cancro genital. Os que mais frequentemente causam doença maligna são o HPV 16 e o HPV 18.
O HPV 6 e o HPV 11, de baixo risco, são responsáveis por mais de 90% dos casos de verrugas genitais (condilomas), lesões genitais externas altamente infecciosas.
A estratégia de prevenção deverá realizar-se em vários domínios, como por exemplo:
- Informação sexual nas escolas sobre e o aumento das doenças sexualmente transmissíveis
O aumento do nº de parceiros sexuais e o tabagismo conduzem a um aumento do risco de cancro do colo do útero.
- Implementação de programas de rastreio organizado do cancro do colo do útero, através do exame citológico (teste de Papanicolaou), que permitiu reduzir drasticamente a incidência e a mortalidade da doença nos países desenvolvidos.
A citologia consiste em analisar células do colo do útero colhidas, periodicamente, numa consulta médica .Pode ser necessário complementar, ou não, com a realização de uma colposcopia (exame pormenorizado do colo do útero) com eventual biopsia para identificação da lesão.
- Prevenção primária através da vacinação contra o HPV
Desde 2006, já é possível a vacinação contra o HPV.
Se o rastreio tem por objectivo evitar a doença invasiva, a vacinação evita as próprias alterações pré-cancerosas, desde que sejam causadas pelos tipos de HPV que a vacina abrange.
As vacinas disponíveis são preventivas e, como tal, não podem tratar uma mulher que já está infectada ou que já tem uma lesão.
No mercado português há disponíveis duas vacinas contra o HPV : a vacina quadrivalente, que protege contra as doenças genitais causadas pelos tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV e a vacina bivalente, que protege contra a doença genital causada pelos tipos 16 e 18 do HPV. São vacinas produzidas por técnicas inovadoras de engenharia genética, que não contêm material do vírus HPV, e por isso não têm qualquer risco de causar infecção na mulher vacinada.
Ambas as vacinas são eficazes e seguras e a prevenção do cancro do colo do útero e respectivas lesões pré-cancerosas é comum às duas vacinas, mas a vacina quadrivalente acrescenta a essa protecção a prevenção dos condilomas genitais.
Quem vacinar?
Jovens entre os 9 e os 26 anos de idade.
A vacina quadrivalente está indicada para raparigas e rapazes dos 9 aos 15 anos e jovens mulheres dos 16 aos 26 anos; a vacina bivalente está indicada para raparigas e jovens mulheres dos 10 aos 25 anos.
A vacinação contra o HPV integrou o Programa Nacional de Vacinação (PNV) em 2008. A administração da vacina quadrivalente no âmbito do PNV foi iniciada a 27 de Outubro e dirigida às raparigas nascidas em 1995 (13 anos).
Este ano, inicia-se o programa de repescagem nas raparigas com 17 anos, nascidas em 1992, e prossegue-se a vacinação das de 13 anos (nascidas em 1996).
No entanto, é importante sublinhar, que do ponto de vista epidemiológico e em termos do benefício de saúde individual, as jovens mulheres sexualmente activas, com 18-26 anos, podem beneficiar significativamente com a vacinação, dado que é nesta faixa etária que existe o maior risco de exposição ao vírus e a frequência máxima da infecção.
Conclusão
Há outras medidas de prevenção primária, para além da vacinação, que merecem maior investimento, nomeadamente, a informação dos profissionais de saúde e do público sobre o vírus, bem como a educação sexual rigorosa e fundamentada da população jovem.
Uma estratégia concertada que harmonize estas medidas com a vacinação contra o HPV e um programa nacional de rastreio organizado, poderá tornar o cancro do colo do útero numa doença muito rara.